quinta-feira, 31 de março de 2011

Do tempo para a actualidade

"É necessário ainda prover de modo especial a que em nenhum tempo falte trabalho ao operário; e que haja um fundo de reserva destinado a fazer face, não somente aos acidentes súbditos e fortuitos inseparáveis do trabalho industrial, mas ainda à doença, à velhice e aos reveses da fortuna.

Estas leis, contanto que sejam aceites de boa vontade, bastam para assegurar aos fracos a subsistência e um certo bem-estar, mas as corporações católicas são chamadas ainda a prestar os seus bons serviços à prosperidade geral.

Pelo passado podemos sem temeridade julgar o futuro. Uma época cede o lugar a outra; mas o curso das coisas apresenta maravilhosas semelhanças, preparadas por essa Providência que tudo dirige e faz convergir para o fim que Deus se propôs ao criar a humanidade. Sabemos que nas primeiras idades da Igreja lhe imputavam como crime a indigência dos seus membros, condenados a viver de esmolas ou do trabalho: Mas, despidos como estavam de riquezas e de poder, souberam conciliar o favor dos ricos e a protecção dos poderosos. Viam-nos diligentes, laboriosos, modelos de justiça e principalmente de caridade. Com o espetáculo de uma vida tão perfeita e de costumes tão puros, todos os preconceitos se dissiparam, o sarcasmo caiu e as ficções duma superstição inveterada desvaneceram-se pouco a pouco ante a verdade cristã.

A sorte da classe operária, tal é a questão de que hoje se trata, será resolvida pela razão ou sem ela e não pode ser indiferente às nações quer o seja dum modo ou doutro. Os operários cristãos resolvê-la-ão facilmente pela razão, se, unidos em sociedades e obedecendo a uma direcção prudente, entrarem no caminho em que os seus antepassados encontraram o seu bem e o dos povos."

Leão pp. XIII

in Cart. Enc. RERUM NOVARUM, nº 35, 15 de Maio de 1891

quarta-feira, 30 de março de 2011

Na espuma dos dias...

Portugal continua no limbo...

Desde os cortes das agências de 'rating', que ainda não se percebeu de onde vieram, nem para onde vão, dada a importância que se lhe dá, até às 'briguinhas tolas' entre PS e PSD... O PS acusa a oposição de não aprovar o PEC, sendo o único argumento que tem na manga. Qual disco de vinil riscado... Como se não bastasse, foi buscar um reforço brasileiro, para dizer que o FMI não é solução - como se já não soubéssemos!

O PSD descarta para o PS o estado a que o Estado chegou. Mas pelos vistos, a alternativa do PSD parece ser exactamente o mesmo PEC que o próprio chumbou. No centro deste Jardim-Escola estão uns milhões de portugueses que assistem, completamente alienados, a estes jogos de poder pelo Poder...

E já nem o futebol escapa a isto, a julgar pelos acontecimentos no Reino do Leão, assim como o triste e deplorável e triste caso Carlos Queiroz. Ainda a Casa Pia vai sendo o 'arzinho' fresco, neste clima árido e irrespirável...

terça-feira, 29 de março de 2011

De Roma...

"Dentre os numerosos âmbitos de compromisso, o Sínodo recomendou vivamente a promoção da reconciliação e da paz. No contexto actual, é grande a necessidade de descobrir a Palavra de Deus como fonte de reconciliação e de paz, porque nela Deus reconcilia em Si todas as coisas (cf. 2 Cor 5, 18-20; Ef 1, 10): Cristo «é a nossa paz» (Ef 2, 14), Aquele que derruba os muros de divisão. Muitos testemunhos no Sínodo comprovaram os graves e sangrentos conflitos e as tensões presentes no nosso planeta. Às vezes tais hostilidades parecem assumir o aspecto de conflito inter-religioso. Quero uma vez mais reafirmar que a religião nunca pode justificar a intolerância ou as guerras. Não se pode usar a violência em nome de Deus! Toda a religião devia impelir para um uso correcto da razão e promover valores éticos que edifiquem a convivência civil. Fiéis à obra de reconciliação realizada por Deus em Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado, os católicos e todos os homens de boa vontade empenhem-se por dar exemplos de reconciliação para se construir uma sociedade justa e pacífica. Nunca esqueçamos que«onde as palavras humanas se tornam impçotentes, porque prevalece o trágico clamor da violência e das armas, a força profética da Palavra de Deus não esmorece e repete-nos que a paz é possível e que devemos, nós mesmos, ser instrumentos de reconciliação e de paz»."


Benedictus, pp XVI


in Ex. Apost. "Verbum Domini", Ed. Paulus, 2010, pág. 166

segunda-feira, 28 de março de 2011

Uma questão de desígnio nacional

Pedro Passos Coelho, o grande líder e exemplo para a Juventude Social-Democrata é hoje o líder do PSD. Essa imagem ainda não foi descolada. E seria necessário... O que é hoje o PSD? Hoje o PSD é uma reminiscência do PSD de Francisco Sá Carneiro. O que diria Sá Carneiro do seu PSD de hoje? O PSD sempre foi o partido da Paz, do Pão, do Povo e da Liberdade. Uma das linhas que sempre norteou o partido foi sem dúvida, primeiro Portugal, depois o PSD. É o que compõe o seu ideário geral. Quero acreditar que o PSD ainda pensa no designio nacional em primeiro lugar, tal como o seu fundador. Mas será que isto está claro? Se de facto o PSD quer sublevar o desígnio nacional acima dos interesses político-partidários que o faça quanto antes. Porque o mundo pode desabar-lhe em cima...

sábado, 26 de março de 2011

Cultura de Responsabilidade

Os estudantes do Ensino Superior vieram para a rua. Alguém deu conta...?
O estado do Ensino Superior em Portugal não é de agora...
Há muito tempo que se sabia que havia estudantes a passar fome para se manter na Universidade, que as bolsas de estudo não eram entregues a tempo e a horas, ou então, nem sequer eram entregues. Assim como também se sabia que havia estudantes a abandonar o Ensino Superior. Assim como também TODOS sabemos que outras coisas estão mal no Ensino Superior e somos coniventes com elas...
O que não se compreende, é que havendo um número substancial de pessoas a frequentar o Ensino Superior se vê um grupinho de pessoas às portas das faculdades de 70, 80 pessoas a lutarem e a manifestarem-se. A esses, muita força! E resistir é a palavra de ordem...
Mas onde estão os outros?
Talvez na ressaca da noitada anterior, enquanto a Família, e um País inteiro, trabalham para se manter na Universidade.
É a cultura da responsabilidade e da cidadania....

sexta-feira, 25 de março de 2011

Palavras necessárias

Portugal vive dias quentes, de temperaturas altíssimas ao nível político, depois da demissão do Primeiro-Ministro.
Tudo evitável se houvesse entendimento entre PS e PSD. Mas esta bipolaridade quase doentia em Portugal é bloqueio ao desenvolvimento do país. Faz de Portugal um país quase ingovernavel. Esta dicotomia entre Esquerda e Direita e Direita e Esquerda. Um equilibrio cada vez mais longe...
Já muito foi escrito pelo papel e pela voz sobre esta matéria.
Este bipolarismo provém de 1820 com a divisão ideológica entre D. Miguel e D. Pedro IV. É este o problema pendente que Portugal tem para resolver. E permanece na História.
Uma velha dicotomia, entre Miguelistas e Liberalistas, Cartistas e Vintistas, Monarquia e República, Fascismo e Comunismo; actualmente, Esquerda e Direita. E que permanece...
A solução para esta questão passa por dois eixos: ou o conflito civil, como aconteceu no séc. XIX, (e foi pena não ter morto logo a questão) ou a negociação e o diálogo que poderão levar ao amis assustador para a sociedade portuguesa: o Bloco Central.
Na verdade, para Portugal o mais viável seria um Governo de Bloco Central, mas a perturbação de bipolarismo deste país é tremenda e não deixa o país progredir e desenvolver-se.
Por outro lado, Portugal tem outro problema na sua personalidade e este ainda é mais profundo, e que vem desde o seu nascimento - a sua identidade.
Portugal nunca foi um país que nasceu, porque quis nascer. Em boa verdade, um país que não nasceu da vontade popular, mas da vontade de um adolescente que queria provar à sua mãe que queria e era capaz de ser Rei. Quem vivia neste território nos sécs. XI/XII nunca se deu conta que estava prestes a ter um Rei e a ser Reino. E assim foi desde 1143 até 1974...
O Povo Português nunca foi visto nem achado em matérias de Poder, nem de Política, em nenhum tempo da sua História. Na verdade, esta é uma ideia que continua e perdura na mentalidade do Povo ainda hoje. Por isso, entende-se que 1974 e a ideia de participação do Povo na "res publica" seja algo muito estranho na mentalidade popular.
Além disso, a ideia de que somos um povo de miséria, pobre, de "coitadinhos de nós" está bem presente. O que denota um sinal de falta de identidade e sinal que sempre fomos um Povo de "súbditos de Sua Majestade."
Percebemos agora a ideia presente no Fado, o nosso embaixador no mundo. Não é por acaso...
Percebemos agora uma ideia messiânica de que virá um D. Sebastião, numa manhã de nevoeiro para nos salvar, e que o Estado Novo foi exímio nesta ideia, e que se mantém neste Regime.
Percebemos agora porque somos tão submissos ao Poder e àqueles que são mais fortes que nós. Notai a subserviência de José Sócrates e Pedro Passos Coelho à Chanceler alemã (autênticos súbditos)
Portugal não tem que ser, não tem que ter. Portugal é...
Nesta linha como se pode pedir o diálogo entre Direita e Esquerda? Como se pode pedir ao Povo para assumir o seu destino? Há a tentação de pensar: "os políticos que decidam!" Mas não!
Portugal só será Portugal quando assumir nas suas mãos o seu destino. E essa resposta está na cabeça de cada português...

quinta-feira, 24 de março de 2011

A mudança (in)evitável

O PEC IV foi chumbado...
José Sócrates demite-se...
O Governo caiu....
As facas do Poder são afiadas!
Toda esta situação deixa qualquer pessoa apreensiva.
Na verdade, o problema não é de Governo, de Política, de Economia ou de Sociedade. O problema é de modelo de Regime.
Em geral, o que está por detrás da demissão de Sócrates, e consequente queda do Governo, vai muito mais além do que uma simples queda de Executivo.
Por detrás da demissão de José Socrates, está uma sociedade que vai desde os agentes políticos aos cidadãos sem ideias, sem modelos, sem referências, sem identidade...
Uma sociedade que busca encontrar-se a si própria, sem saber começar por onde.
Deste modo, qualquer que seja o partido, homem ou mulher que neste momento seja Governo, não tem alternativas.
Por detrás da demissão de José Sócrates, está uma sociedade e um Regime que terá que ser repensado. Porque tudo o que começa acaba...
A Monarquia acabou...
A Primeira República acabou...
A Segunda República acabou...
A Terceira República, obviamente terá de acabar...
A demissão de José Sócrates é um sinal de mudança. Uma mudança que não passa certamente por um novo Governo, ou por Eleições. Mas por uma mudança de Regime...