Pode acontecer que eu seja incapaz de manter a minha atenção
completamente fixa em Deus enquanto trabalho — mas Deus não exige isso
de mim. Contudo, posso perfeitamente desejar e projectar fazer o meu
trabalho com Jesus e para Jesus. E isso é uma coisa muito bonita e é
isso que Deus quer. Quer que a nossa vontade e o nosso desejo se dirijam
para Ele, para a nossa família, os nossos filhos, os nossos irmãos e os
pobres.
Cada um de nós continua a ser apenas um pequeno instrumento. Se
observarmos os componentes dum aparelho eléctrico, veremos um emaranhado
de fios, grandes e pequenos, novos e velhos, caros e baratos. Se a
corrente não passar por eles, não pode haver luz. Esses fios és tu e sou
eu. A corrente é Deus. Nós temos o poder de deixar passar a corrente
através de nós, de deixar que ela nos utilize, de deixar que ela produza
a luz do mundo — ou de nos recusarmos a ser utilizados, deixando que as
trevas alastrem.
in evangelhoquotidiano.org
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Dos Sermões de São Bernardo, monge cisterciense
Irmãos, devemos esforçar-nos para que a Palavra saída da boca do Pai e
vinda até nós por intermédio da Virgem Maria não regresse vazia (cf Is
55,11), mas para Lhe devolvermos graça por graça através desta mesma
Virgem. Tragamos pois sem cessar ao nosso espírito a lembrança do Pai
durante todo o tempo em que estivermos reduzidos a suspirar pela Sua
presença. Façamos regressar à sua fonte os fluxos da graça, para que
eles voltem mais abundantes. [...]
Tendes o Senhor no espírito; então não vos caleis, não fiqueis em silêncio a Seu respeito. Aqueles que já vivem na Sua presença não têm necessidade desta advertência [...]; mas os que vivem ainda na fé devem ser exortados a não responder a Deus pelo silêncio. Porque «o Senhor fala, Ele tem promessas de paz para o Seu povo», para os Seus amigos, que já não voltarão ao desvario (Sl 84,9). Ele ouve aqueles que O ouvem; Ele falará aos que Lhe falam. Mas ficará em silêncio se ficais em silêncio, se não O glorificais. «Pus guardas que não se calarão nem de dia nem de noite. Vós, os que recordais o Senhor, não repouseis e não O deixeis descansar até que Ele restabeleça Jerusalém e dela faça a glória da terra» (Is 62,6-7). Porque o louvor de Jerusalém é doce e belo. [...]
Mas, seja qual for a oferenda que apresentais a Deus, lembrai-vos de a confiar a Maria, para que a graça suba à sua fonte pelo mesmo canal que no-la trouxe. [...] Cuidai em oferecer a Deus o pouco que tendes para Lhe dar pelas mãos de Maria, essas mãos puríssimas e dignas de receber o melhor acolhimento.
in evangelhoquotidiano.org
Tendes o Senhor no espírito; então não vos caleis, não fiqueis em silêncio a Seu respeito. Aqueles que já vivem na Sua presença não têm necessidade desta advertência [...]; mas os que vivem ainda na fé devem ser exortados a não responder a Deus pelo silêncio. Porque «o Senhor fala, Ele tem promessas de paz para o Seu povo», para os Seus amigos, que já não voltarão ao desvario (Sl 84,9). Ele ouve aqueles que O ouvem; Ele falará aos que Lhe falam. Mas ficará em silêncio se ficais em silêncio, se não O glorificais. «Pus guardas que não se calarão nem de dia nem de noite. Vós, os que recordais o Senhor, não repouseis e não O deixeis descansar até que Ele restabeleça Jerusalém e dela faça a glória da terra» (Is 62,6-7). Porque o louvor de Jerusalém é doce e belo. [...]
Mas, seja qual for a oferenda que apresentais a Deus, lembrai-vos de a confiar a Maria, para que a graça suba à sua fonte pelo mesmo canal que no-la trouxe. [...] Cuidai em oferecer a Deus o pouco que tendes para Lhe dar pelas mãos de Maria, essas mãos puríssimas e dignas de receber o melhor acolhimento.
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Dos Sermões de Santo Ireneu de Lyon, bispo
Deus havia prometido que da linhagem de David sairia o Rei eterno que
reuniria todas as coisas em Si mesmo (Sl 131,11; Ef 1,10). Portanto,
Deus retomou a obra que tinha projectado inicialmente (Gn 2,7). [...] E,
tal como Adão, o primeiro homem modelado, recebeu a sua substância de
uma terra virgem e imaculada [...] e foi moldado pela mão de Deus, isto
é, a Palavra de Deus «por quem todas as coisas foram feitas» (Jb 10,8;
Jo 1,3) [...], do mesmo modo foi de Maria ainda virgem que nasceu o
Verbo, que é esta recuperação de Adão. [...] Por que foi que Deus não o
tirou de novo do barro? Por que fez sair de Maria a obra que modelou?
Foi para que a obra assim modelada não fosse diferente da primeira, mas a
mesma, que não fosse outra a que é salva, mas a mesma, que a mesma
fosse retomada, respeitando a semelhança.
Portanto, enganam-se os que dizem que Cristo nada recebeu da Virgem. Estes querem rejeitar a herança da carne, mas rejeitam também a semelhança [...]; já não se poderia dizer que Cristo era semelhante ao homem feito à imagem e à semelhança de Deus (Gn 1,27). Era o mesmo que afirmar que Cristo Se manifestou apenas na aparência, aparentando ser um homem, ou que Se tornou um homem sem nada assumir do homem. Se Ele não recebeu de um ser humano a substância da Sua carne, não Se fez homem nem Filho do homem; e se não Se fez aquilo que nós éramos, pouca importância têm as Suas dores e o Seu sofrimento. [...] O Verbo de Deus fez-Se verdadeiramente homem, recuperando em Si mesmo a obra que Ele tinha modelado. [...] O apóstolo Paulo afirma claramente na carta aos Gálatas: «Deus enviou o Seu Filho, nascido de uma mulher» (4,4).
in evangelhoquotidiano.org
Portanto, enganam-se os que dizem que Cristo nada recebeu da Virgem. Estes querem rejeitar a herança da carne, mas rejeitam também a semelhança [...]; já não se poderia dizer que Cristo era semelhante ao homem feito à imagem e à semelhança de Deus (Gn 1,27). Era o mesmo que afirmar que Cristo Se manifestou apenas na aparência, aparentando ser um homem, ou que Se tornou um homem sem nada assumir do homem. Se Ele não recebeu de um ser humano a substância da Sua carne, não Se fez homem nem Filho do homem; e se não Se fez aquilo que nós éramos, pouca importância têm as Suas dores e o Seu sofrimento. [...] O Verbo de Deus fez-Se verdadeiramente homem, recuperando em Si mesmo a obra que Ele tinha modelado. [...] O apóstolo Paulo afirma claramente na carta aos Gálatas: «Deus enviou o Seu Filho, nascido de uma mulher» (4,4).
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Do Beato João Paulo II, papa
Por que razão é a blasfémia contra o Espírito Santo imperdoável? Em que
sentido devemos entender esta blasfémia? São Tomás de Aquino responde
que se trata de um pecado «imperdoável por sua própria natureza, porque
exclui aqueles elementos graças aos quais é concedida a remissão dos
pecados». De acordo com esta exegese, a blasfémia não consiste
propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste antes na
recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o
mesmo Espírito Santo, que age em virtude do sacrifício da Cruz. Se o
homem rejeita deixar-se «convencer quanto ao pecado», convicção que
provém do Espírito Santo (Jo 16,8) e tem carácter salvífico, rejeita
simultaneamente a «vinda» do Consolador (Jo 16,7), aquela «vinda» que se
efectuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do Sangue
de Cristo: o Sangue que «purifica a consciência das obras mortas» (Heb
9,14).
Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue (1Jo 5,8) permanece nas «obras mortas», no pecado. E a blasfémia contra o Espírito Santo consiste exactamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. [...]
A blasfémia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — seja ele qual for — e recusa por isso mesmo a redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfémia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou.
Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue (1Jo 5,8) permanece nas «obras mortas», no pecado. E a blasfémia contra o Espírito Santo consiste exactamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. [...]
A blasfémia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — seja ele qual for — e recusa por isso mesmo a redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfémia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou.
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domingo, 27 de janeiro de 2013
No Domingo III do Tempo Comum
O Livro de Neemias nos dá um relato do que poderíamos chamar a “primeira
celebração da palavra”. Ela foi realizada quando se percebeu a desordem
que havia no meio do povo, onde cada um fazia o que desejava. Por
ignorância, não se praticava a Lei e o caos imperava. Esdras, doutor da
lei mosaica, foi enviado por Artaxerxes, rei persa, a Jerusalém, para
colocar ordem na cidade. Ele preparou o povo e esperou o primeiro dia do
novo ano para fazer uma solene celebração litúrgica, com todas as
pessoas capazes de compreender.
Os convocados compareceram, com absoluta boa vontade e sabiam que a solenidade duraria muitas horas, e na verdade era o Senhor quem os convocava.
Esdras, consciente de que o momento era emblemático, usou de sua sensibilidade para demonstrar ao povo a grandeza do momento: mandou erguer um estrado de madeira, em um lugar visível a todos, e nele criou um ponto elevado para ser o local da tribuna, onde seria proclamada a Lei do Senhor. Era necessário que todos o vissem e ouvissem quando fosse abrir o livro e fazer sua leitura.
Quando isso aconteceu, o povo ficou de pé e o ouvia com atenção. Esdras explicava seu sentido para que o povo pudesse compreender a leitura. Ao final da proclamação o povo disse “Amém! Amém! E se prostrou por terra. Era o Senhor que falava através de Esdras e a prostração foi o sinal de que todos estavam conscientes disto.
O povo, conhecedor de suas próprias falhas, chorava, contudo Esdras chamava-lhes a atenção para o aspecto da amizade de Deus; ela é mais importante que tudo, daí não chorar, mas festejar. Mais ainda, a alegria do Senhor é e será a força do povo. Por outro lado, sentir-se pecador, deve ser celebrado com alegria, pois ter essa consciência é um dom de Deus!
São Lucas, logo no início de seu Evangelho, escreveu: “...história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles ministros da palavra”. O evangelista nos diz que o que vai narrar não é uma fábula, mas aconteceu realmente e nos foi transmitido pelos servidores de Jesus Cristo, o personagem central de seus relatos.
Para mostrar a todos a excelência de Jesus dentro da tradição dos profetas, Lucas recorda o dia em que o Mestre, com trinta anos de idade, foi à sinagoga e o presidente dela convidou-o a fazer a segunda leitura do dia. Jesus abriu o rolo que continha os escritos que falavam sobre sua vinda, mas indecifráveis até então. Escolheu o texto do profeta Isaías que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim e...enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres”. Ao enrolar o volume e entregá-lo ao assistente, Jesus diz, com esse gesto, que todos os escritos do Antigo Testamento acabaram, naquele instante, de cumprir sua missão: conduzir as pessoas até ele. Por isso podem ser enrolados e guardados.
Nesse exato momento, todos os olhos estão voltados para ele. Todos desejam ouvir o que o Mestre irá dizer. Começaram os novos tempos!
Se hoje continuamos a ler os textos do Antigo Testamento, os lemos antes dos do Novo, pois eles são indispensáveis para nossa preparação à acolhida de Jesus Cristo.
A partir da homilia de Jesus, após as leituras bíblicas, sabemos que ela deverá estar dentro da realidade das pessoas e sempre ser mensagem de alegria, de esperança em Deus.
in news.va
Os convocados compareceram, com absoluta boa vontade e sabiam que a solenidade duraria muitas horas, e na verdade era o Senhor quem os convocava.
Esdras, consciente de que o momento era emblemático, usou de sua sensibilidade para demonstrar ao povo a grandeza do momento: mandou erguer um estrado de madeira, em um lugar visível a todos, e nele criou um ponto elevado para ser o local da tribuna, onde seria proclamada a Lei do Senhor. Era necessário que todos o vissem e ouvissem quando fosse abrir o livro e fazer sua leitura.
Quando isso aconteceu, o povo ficou de pé e o ouvia com atenção. Esdras explicava seu sentido para que o povo pudesse compreender a leitura. Ao final da proclamação o povo disse “Amém! Amém! E se prostrou por terra. Era o Senhor que falava através de Esdras e a prostração foi o sinal de que todos estavam conscientes disto.
O povo, conhecedor de suas próprias falhas, chorava, contudo Esdras chamava-lhes a atenção para o aspecto da amizade de Deus; ela é mais importante que tudo, daí não chorar, mas festejar. Mais ainda, a alegria do Senhor é e será a força do povo. Por outro lado, sentir-se pecador, deve ser celebrado com alegria, pois ter essa consciência é um dom de Deus!
São Lucas, logo no início de seu Evangelho, escreveu: “...história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles ministros da palavra”. O evangelista nos diz que o que vai narrar não é uma fábula, mas aconteceu realmente e nos foi transmitido pelos servidores de Jesus Cristo, o personagem central de seus relatos.
Para mostrar a todos a excelência de Jesus dentro da tradição dos profetas, Lucas recorda o dia em que o Mestre, com trinta anos de idade, foi à sinagoga e o presidente dela convidou-o a fazer a segunda leitura do dia. Jesus abriu o rolo que continha os escritos que falavam sobre sua vinda, mas indecifráveis até então. Escolheu o texto do profeta Isaías que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim e...enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres”. Ao enrolar o volume e entregá-lo ao assistente, Jesus diz, com esse gesto, que todos os escritos do Antigo Testamento acabaram, naquele instante, de cumprir sua missão: conduzir as pessoas até ele. Por isso podem ser enrolados e guardados.
Nesse exato momento, todos os olhos estão voltados para ele. Todos desejam ouvir o que o Mestre irá dizer. Começaram os novos tempos!
Se hoje continuamos a ler os textos do Antigo Testamento, os lemos antes dos do Novo, pois eles são indispensáveis para nossa preparação à acolhida de Jesus Cristo.
A partir da homilia de Jesus, após as leituras bíblicas, sabemos que ela deverá estar dentro da realidade das pessoas e sempre ser mensagem de alegria, de esperança em Deus.
in news.va
sábado, 26 de janeiro de 2013
Do Catecismo da Igreja Católica
Toda a Igreja é apostólica, na medida em que, através dos sucessores de
Pedro e dos apóstolos, permanece em comunhão de fé e de vida com a sua
origem. Toda a Igreja é apostólica, na medida em que é «enviada» a todo o
mundo. Todos os membros da Igreja, embora de modos diversos, participam
deste envio. «A vocação cristã é também, por natureza, vocação para o
apostolado». E chamamos «apostolado» a «toda a actividade do Corpo
Místico» tendente a «alargar o Reino de Cristo à terra inteira»
(Vaticano II).
«Sendo Cristo, enviado do Pai, a fonte e a origem de todo o apostolado da Igreja», é evidente que a fecundidade do apostolado, tanto dos ministros ordenados como dos leigos, depende da sua união vital com Cristo. Segundo as vocações, as exigências dos tempos e os vários dons do Espírito Santo, o apostolado toma as formas mais diversas. Mas é sempre a caridade, haurida principalmente na Eucaristia, «que é como que a alma de todo o apostolado» (Vaticano II).
A Igreja é una, santa, católica e apostólica na sua identidade profunda e última, porque é nela que existe desde já, e será consumado no fim dos tempos, «o Reino dos céus», «o Reino de Deus», que veio até nós na Pessoa de Cristo e que cresce misteriosamente no coração dos que n'Ele estão incorporados, até à sua plena manifestação escatológica. Então, todos os homens por Ele resgatados e n' Ele tornados «santos e imaculados na presença de Deus no amor» (Ef 1,4), serão reunidos como o único povo de Deus, «a Esposa do Cordeiro», «a Cidade santa descida do céu, de junto de Deus, trazendo em si a glória do mesmo Deus»; e «a muralha da cidade assenta sobre doze alicerces, cada um dos quais tem o nome de um dos Doze apóstolos do Cordeiro» (Ap 21,14).
«Sendo Cristo, enviado do Pai, a fonte e a origem de todo o apostolado da Igreja», é evidente que a fecundidade do apostolado, tanto dos ministros ordenados como dos leigos, depende da sua união vital com Cristo. Segundo as vocações, as exigências dos tempos e os vários dons do Espírito Santo, o apostolado toma as formas mais diversas. Mas é sempre a caridade, haurida principalmente na Eucaristia, «que é como que a alma de todo o apostolado» (Vaticano II).
A Igreja é una, santa, católica e apostólica na sua identidade profunda e última, porque é nela que existe desde já, e será consumado no fim dos tempos, «o Reino dos céus», «o Reino de Deus», que veio até nós na Pessoa de Cristo e que cresce misteriosamente no coração dos que n'Ele estão incorporados, até à sua plena manifestação escatológica. Então, todos os homens por Ele resgatados e n' Ele tornados «santos e imaculados na presença de Deus no amor» (Ef 1,4), serão reunidos como o único povo de Deus, «a Esposa do Cordeiro», «a Cidade santa descida do céu, de junto de Deus, trazendo em si a glória do mesmo Deus»; e «a muralha da cidade assenta sobre doze alicerces, cada um dos quais tem o nome de um dos Doze apóstolos do Cordeiro» (Ap 21,14).
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Dos Sermões de São Bernardo, monge cisterciense
É com razão, bem-amados irmãos, que a conversão do «mestre das nações»
(1Tm 2,7) é uma festa que hoje todos os povos celebram com alegria. Com
efeito, inúmeros foram os rebentos que brotaram dessa raiz; uma vez
convertido, Paulo tornou-se instrumento da conversão do mundo inteiro.
Outrora, quando ainda vivia na carne, mas não segundo a carne (cf Rm
8,5s), converteu muita gente a Deus através da sua pregação; ainda nos
dias de hoje, em que vive junto de Deus uma vida mais feliz, não cessa
de trabalhar para a conversão dos homens pelo seu exemplo, a sua oração e
a sua doutrina. [...]
Esta festa é uma grande fonte de benefícios para os que a celebram. [...] Como desesperar, seja qual for a enormidade das nossas faltas, quando ouvimos que «Saulo, entretanto, respirando sempre ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor» se transformou subitamente em «instrumento de eleição»? (cf Act 9,1.15). Quem poderá dizer, sob o peso do seu pecado: «Não posso erguer-me para levar uma vida melhor» quando, na mesma estrada por onde o conduzia o seu coração sedento de ódio, o perseguidor encarniçado se tornou subitamente um pregador fiel? Esta conversão mostra-nos, num único e magnífico dia, a misericórdia de Deus e o poder da Sua graça. [...]
Eis, portanto, meus irmãos, um modelo perfeito de conversão: O meu coração está firme, ó Deus, o meu coração está firme [...] que queres que eu faça?» (Sl 57,8; cf Act 9,6). Palavra breve mas tão cheia, viva, eficaz e digna de ser atendida! Quão poucas pessoas estão nessa disposição de obediência perfeita, que tenham renunciado à sua vontade ao ponto de o seu próprio coração já não lhes pertencer! E quão poucas pessoas procuram a cada instante, não o que desejam, mas o que Deus quer e Lhe dizem sem cessar: «Senhor, que queres que eu faça?»
in evangelhoquotidiano.org
Esta festa é uma grande fonte de benefícios para os que a celebram. [...] Como desesperar, seja qual for a enormidade das nossas faltas, quando ouvimos que «Saulo, entretanto, respirando sempre ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor» se transformou subitamente em «instrumento de eleição»? (cf Act 9,1.15). Quem poderá dizer, sob o peso do seu pecado: «Não posso erguer-me para levar uma vida melhor» quando, na mesma estrada por onde o conduzia o seu coração sedento de ódio, o perseguidor encarniçado se tornou subitamente um pregador fiel? Esta conversão mostra-nos, num único e magnífico dia, a misericórdia de Deus e o poder da Sua graça. [...]
Eis, portanto, meus irmãos, um modelo perfeito de conversão: O meu coração está firme, ó Deus, o meu coração está firme [...] que queres que eu faça?» (Sl 57,8; cf Act 9,6). Palavra breve mas tão cheia, viva, eficaz e digna de ser atendida! Quão poucas pessoas estão nessa disposição de obediência perfeita, que tenham renunciado à sua vontade ao ponto de o seu próprio coração já não lhes pertencer! E quão poucas pessoas procuram a cada instante, não o que desejam, mas o que Deus quer e Lhe dizem sem cessar: «Senhor, que queres que eu faça?»
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