quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Onde estão os outros nove?

Jesus encontrou  dez leprosos no seu caminho para Jerusalém. Eles suplicaram-Lhe que os curasse. Porém, Jesus mandou que eles se fossem mostrar aos sacerdotes. Durante o caminho eles ficaram curados, porém só um regressou para lhe agradecer. Jesus perguntou-lhe se não eram dez os que tinham ficado purificados, porque, em bom rigor, só um tinha voltado para trás para agradecer a Jesus. Todo este episódio fez-me elevar o coração para as vezes que Jesus se nos cruza connosco e nós não reconhecemos a Sua graça em nós. Somos de facto como estes nove leprosos, em que não reconhecemos a graça e a vida de Deus em nós. Todos os dias Ele nos concede esta graça, seja pela Sua Palavra, pela Eucaristia, na rua, em casa, na família, no trabalho, nos mais diversos ambientes. Ele fala-nos e tem algo para nos dizer em qualquer que seja a situação da nossa vida, por mais difícil que ela seja. O problema é que vivemos de coração fechado, talvez pelo cansaço ou pelo duro sofrimento da nossa vida. Mas, caríssimos e caríssimas, não tenhais medo de abrir as portas do vosso coração a este Jesus que passa na vossa vida todos os dias e que nos quer dar a mão, porque não nos quer nem castigar, nem fazer mal... Coragem! Deixai que Ele faça vida na vossa vida, porque Ele é a vida...

jjmiguel
FOTO: opoderdasescrituras.wordpress.com

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.


Somos servos inúteis, sem dúvida, assim nos diz Jesus, embora num contexto diferente. Certo é que temos muito a tendência para querer controlar tudo, quando em boa verdade não controlamos nada, porque não somos nós que mandamos. A Igreja não é nossa, mas Daquele que nos enviou à missão. Cada um com o seu ministério, mas ninguém detém o monopólio desse ministério, simplesmente temos que fazer a nossa parte, porque a outra parte, Ele a fará. Acontece que vemos na nossa Igreja gente muito agarrada aos títulos e aos ministérios. Há quem viva muito preocupado com algumas decisões e atitudes da própria Igreja. Podemos debater e reflectir, mas não nos preocupemos, nada é nosso, e não somos nós que em última instância mandamos. Simplesmente, somos alimentados pela força do Espírito e devemos aceitar a vontade que nos vem Daquele que nos enviou em missão, seja para onde for e de que forma for. O que importa é que toda a nossa vida seja uma missão constante para que possamos construir já aqui e agora neste mundo a cidade santa, a nova Jerusalém, a civilização do Amor...

jjmiguel
FOTO: vitoriaemcristo.org

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Não façais da Casa de meu Pai uma feira

A Igreja lembra hoje a Dedicação da Basílica de São João de Latrão. Uma das primeiras basílicas a serem construídas em Roma. Falar de um templo de Deus é antes de mais não só falar dos magníficos templos que a cultura cristã nos tem deixado pela História, mas é mais do que isso. Aproveito para falar de um outro templo: o nosso templo. Todos nós somos templos de Deus, porque somos sacrários vivos da presença de Deus no mundo, pedras vivas deste templo que é a Igreja. Como pedras vivas desta Igreja, muito frequentemente somos muito críticos em relação à instituição, mas olhando à volta o que temos feito para melhorar? A Igreja não se reduz só à hierarquia eclesiástica, a Igreja também somos nós. Uma vez perguntavam a Madre Teresa de Calcutá o que faria para modificar a Igreja. Ela respondeu que primeiro tinha de ser ela a mudar-se a ela própria. Não perguntemos somente o que a Igreja pode fazer por nós, mas antes o que podemos fazer nós pela Igreja, parafraseando alguém do nosso tempo. Todos apontamos dedos aos padres, aos bispos, aos cardeais, ao papa (algumas vezes com razão, outras sem ela, muitas vezes sem conhecimento), mas e nós? Apontamos dedos aos catequistas (que dão mal a catequese), ao coro, porque cantam que mais parece que estão num funeral (e os cânticos são sempre os mesmos), aos jovens que não aparecem na igreja e que estão em debandada (e o que temos feito para os persuadir a vir à Igreja?) e um sem fim de críticas. Mas e nós? O que já fizemos nós para que esta Igreja seja um lugar de encontro com Deus e com os outros, um lugar da Paz e do Amor? O B. Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi dizia que antes que a Igreja evangelize para o exterior, é preciso que ela seja evangelizada no seu interior. E com toda a razão e legitimidade o dizia... Vale a pena pensar e rezar por isto...

jjmiguel

domingo, 8 de novembro de 2015

No XXXII Domingo do Tempo Comum

O Evangelho deste Domingo é um apelo ao desprendimento, ao nosso esvaziar de tudo aquilo que nos prende e que não nos deixa caminhar neste peregrinação para Deus. Ainda vivemos muito presos ao bens deste mundo. Numa das leituras do domingo passado o Apóstolo João dizia que o mundo ainda não conhece os cristãos, nem muito menos o Cristianismo. E com razão o diz e não se deixa de aplicar aqui a este Evangelho. Os cristãos vivem no mundo, sem pertencer a este mundo. Não vivem nas nuvens, vivem com os pés bem acentes na terra, mas com os olhos para o Alto, em ordem a ser sinal de Deus neste tempo e neste espaço, numa permanente actualização da mensagem evangélica e da pessoa de Jesus Cristo. Por isso, não entendo como é possível que ainda vivamos de imagens do passado, e que desejemos esse passado. Vivamos o presente, marcando o passado e projectando o futuro. Mas, para viver esse presente é preciso que nos libertemos de tudo o que no nosso interior nos prende, para que possamos aceitar e abrir-nos à vontade de Deus, para que seja Ele o timoneiro da nossa barca e cada vez mais nos possamos configurar à pessoa de Jesus Cristo que obedeceu até à morte e de Cruz. Deixemos o nosso coração livre, para que possamos amar e viver esta vida em Deus...

jjmiguel
FOTO: publico.pt

sábado, 7 de novembro de 2015

Vós pretendeis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações.


Na continuação da parábola do administrador sagaz Jesus continua e diz que é pelas pequenas coisas que podemos conhecer o Outro. Vivemos muitas vezes extasiados com grandes imagens e grandes figuras do nosso tempo. Imagens que podem estar sustentadas por pés de barro. Não nos fiquemos por imagens, não nos fiquemos apenas pela superfície é necessário ir até ao fundo. Muito frequentemente contentamo-nos com as "letras gordas" de um jornal, ou com palavras retiradas de contexto de uma entrevista, mas é preciso ir mais longe. O Outro é todo um mundo que se vai desvelando diante de nós. Estar atentos, porque antes que nós possamos conhecer, já Deus conhece. E cuidado, porque todos somos responsáveis uns pelos outros, embora frequentemente possamos esquecer isto. A nós simplesmente é revelado em pequenos actos, em pequenos sinais aos quais é necessário estar atento. Porque em boa verdade, não podemos servir a dois senhores.

jjmiguel
FOTO: independent.co.uk

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

É que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes.

Jesus dá-nos a revelar os mistérios do Reino de Deus em mais uma parábola, desta vez a parábola do administrador sagaz. Este administrador não estava a administrar bem os bens do seu senhor e o senhor quis despedi-lo, então ele agiu com alguma, perdoem-me a expressão, "esperteza". Pediu aos devedores do seu senhor que modificassem o preço das dívidas que deviam. Certo é que o senhor ainda o elogiou pela sua "esperteza". Não sei porquê, mas todo esta parábola me fez reflectir sobre as últimas notícias da publicação de dois livros acerca de documentos confidenciais com revelações, ao que parece bombásticas acerca do "Vatileaks". Mas o que tem isso a ver para a nossa Fé em Cristo? A Igreja não é composta por pecadores? Pergunto: se Deus e a Igreja não são importantes na vida desta sociedade, então porque é que continuam insistentemente a falar dela? Há três respostas possíveis: Primeira, porque existe uma imprensa que quer ganhar dinheiro, num "vale tudo" maquiavélico, que assusta. Segunda, quem passou esta informação confidencial, porque o fez e a troco de quê? (o mesmo se passa em Portugal com o segredo de Justiça e o segredo de Estado) Uma colossal imoralidade para quem está responsável pela gestão da informação. E a terceira, deixo à vossa consideração considerar que muito provavelmente existe um poder obscuro, atrás do poder e tem nome... Porém, não é nada que a Barca de Pedro não esteja habituada e já lá vão dois milénios de navegação e ainda estamos no inicio...
Coragem, Cristo vive!!!

jjmiguel
FOTO: wikimapia.org

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.


Jesus deixa-nos hoje uma grande pergunta: "Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar?" Assim é Deus, o nosso Deus... Vem ao nosso encontro, como veio por seu Filho, Jesus Cristo, simplesmente para vir ao nosso encontro e comer, chorar, rir connosco, abrir-nos os abraços e dizer que nos ama, tal qual como nós somos: com as nossas fragilidades, com as nossas qualidades. Mas aqui está a vida! Jesus Cristo é vida! Ainda há poucos dias assisti a uma conversa em que em cima da mesa estava em discussão o Relatório Final do Sínodo dos Bispos acerca da Família. Depois de tecidas muitas e muitas considerações no campo da teologia, percebi uma coisa que andamos todos a fazer uma tempestade num copo de água, porque Deus que é Vida e Misericórdia a todos acolhe como este pastor que vai ao encontro da ovelha que anda perdida, das noventa e nove que tinha, porque não me canso de dizer, como dizia São João Paulo II que ao encontro com Jesus é gerada a vida e vida em abundância. E todos os dias Ele vem ao nosso encontro, saibamos acolhê-Lo....

jjmiguel
FOTO: salgueironoticias.net