quinta-feira, 7 de julho de 2016

Quinta-feira da XIV Semana do Tempo Comum


“Desça a vossa paz sobre ela”. Os seguidores de Jesus Cristo são embaixadores da Paz. Os seguidores de Jesus Cristo são os Cristãos. Porém coloco algumas perguntas a mim próprio quando tenho conhecimento de casos de Cristãos que nas suas comunidades são sinal de tudo menos sinal de Paz e de Graça. Se não se é sinal de Paz, se não se é sinal da Graça da Vida que é Jesus Cristo nas nossas comunidades cristãs, então de que Cristãos estamos a falar? Será que estaremos diante de Cristãos que incitam e se alimentam dos conflitos? Sou tentado por vezes a pensar que muito provavelmente nas nossas comunidades cristãs há Cristãos com um grande potencial a integrar grupos altamente fundamentalistas, que poderiam assemelhar-se ao Estado Islâmico. A cruz de Cristo que muitos de nós usamos ao peito e que muitas vezes nos servimos como mera acessório  para sustentar vaidades deve ser sinal desta Paz e desta Graça para a vida com o Outro. Pergunto-me muitas vezes que testemunho eu dou enquanto Cristão. Mas também me pergunto como seria usar a Cruz de Cristo ao peito num ambiente adverso ao Cristianismo. A verdade é que os Cristãos, sobretudo no Mundo Ocidental esqueceram a dimensão do que é dar a vida, da gratuitidade, do acolhimento, da paz e da graça do Senhor Jesus Cristo. Felizmente, conheço muitas excepções destas palavras. O problema é que o acolhimento, a vida, a graça, a paz, o amor não deviam ser excepção, mas a regra.


jjmiguel

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Quarta-feira da XIV Semana do Tempo Comum

Nem todos somos chamados a sofrer o martírio; mas todos somos chamados a adquirir as virtudes cristãs. A virtude, porém, exige energia, que embora não atinja as alturas da fortaleza desta angélica menina, nem por isso obriga menos a um cuidado contínuo e muito atento, que deve ser sempre mantido por nós até ao fim da vida. Por isso, semelhante esforço pode ser considerado um martírio lento e prolongado, ao qual nos convidam estas divinas palavras de Jesus Cristo: “O reino dos Céus sofre violência e são os violentos que o arrebatam.”



Das Homillias de Pio XII, papa

terça-feira, 5 de julho de 2016

Terça-feira da XIV Semana do Tempo Comum

“Os trabalhadores são poucos”. A multidão ficou maravilhada quando Jesus expulsou um demónio de um mudo possesso. Ao contrário dos fariseus que afirmaram que era pelo príncipe dos demónios que Jesus expulsava os demónios. A verdade é que hoje somos cada vez mais estes fariseus. Tudo o que passe os limites do racionalismo humano, já é estranho e procuramos explicar tudo, pela luz da nossa Razão. Mas a Razão de Deus é totalmente diferente. Vivemos demasiado agarrados a regras e a cânones e conseguimos fazer com que estes nos retirem a liberdade. Ora, na verdade, as regras foram feitas para dar liberdade e não para prender, mas há por aí quem entenda o contrário. Normalmente viver obsessivamente amarrado a regras, com certeza, que um dia dará mau resultado, porém há por aí uns entendidos que dizem que não e que o mundo é feito só com regras e há regras para tudo. Nada tenho contra as regras, até porque em sociedade vivemos com elas, mas cuidado quando as regras nos sobem à cabeça. De tanta regra podemos perder o sentido e de tanta regra, não sabemos qual a verdadeira regra, qual o verdadeiro sentido para a nossa vida. Em tudo é necessário equilíbrio, porque toda a natureza é feita de equilíbrios, e é esse equilíbrio natural que torna a vida bela. Como dizia Bento XVI, é necessário que façamos da nossa vida locais de beleza.

jjmiguel

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Segunda-feira da XIV Semana do Tempo Comum

“Riram-se d’Ele”. Todos nós gostamos de traçar planos e fazer futurologias. Mas muitas vezes esquecemo-nos de um pormenor: não somos nós que comandamos a nossa vida. A nossa vida é um caminho com linhas rectas, mas que tem algumas curvas, algumas lombas. Porém, vivemos num sociedade em que se acha que tudo é feito em linha recta e em alta velocidade. Perdemos a noção do tempo e até do espaço. No entanto, o caminho da fé não é feito em linha recta, é feito do inesperado. A fé é por isso feita de esperança e confiança. Notai que há dois episódios neste texto: uma mulher que tocou em Jesus e ficou curada da sua doença; e uma menina que se pensava morta e que Jesus a retomou à vida. O povo ridicularizou Jesus ao rir-se, porque não acreditava. Hoje fazemos exactamente o mesmo quando acontece algo que na nossa lógica mundana é impossível. Na lógica divina não há impossíveis. E ridicularizamos, porque nos falta a metafísica. Não conseguimos sair do mundo racional, não nos conseguimos descolar do supérfluo da nossa vida, do nosso espírito mesquinho. Vivemos de “coisinhas” que mais parecemos crianças em tempos de infância. Jesus convida-nos a tocar. É este toque que nos falta. Um toque que não é feito por “yoga’s”, nem por outras actividades esotéricas. Buscamos tocar Jesus, ansiamos tocar em Jesus, mas preferimos tocar-Lhe por caminhos mais fáceis, e que desfocam o sentido da nossa vida. Em boa verdade, andamos a tocar em tudo, mas temos medo de tocar no essencial, porque esse essencial nos confronta e nos compromete. E, actualmente, a palavra compromisso mete medo. Mete medo porque queremos umas “fézadas”, em vez de uma Vida, de, na e para a Fé.

jjmiguel

domingo, 3 de julho de 2016

No XIV Domingo do Tempo Comum


“Não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu.” Jesus envia 72 discipulos a várias cidades. Há duas ideias no Evangelho deste domingo que notamos: o desprendimento e o poder. A vida cristã deve ser desprendimento dos bens deste. O que importa ao cristão é a missão de ser diplomata e arauto da vida de Jesus Cristo. Por isso a vida cristã, é uma vida de abnegação pelos bens deste mundo. Vivemos neste mundo, mas não somos deste mundo. Comemos e bebemos, mas a nossa centralidade de vida está na vida de Jesus. Os nossos olhos estão fixos no Seu rosto. Por isso a nossa vida cristã é uma vida de entrega nas mãos de Deus. Deixar confiar, esta deverá ser a nossa vida de fé. Viver com o minimo e o necessário para a nossa sobrevivência, tudo o resto nos será dado por acréscimo. Vivemos agarrados a coisas mesquinhas que em nada nos fazem crescer e só nos desfocalizam do essencial da nossa vida. Daqui advém, que somos por isso chamados a ter um papel de destaque na sociedade, pelo nosso exemplo de vida que temos que dar aos outros. Para os cristãos não importa os títulos sociais, importa o testemunho de vida e ser sinal da presença de Deus na vida dos outros de tal forma que os outros sintam que somos sacrários vivos para a sua vida. Não importa ter, importa ser...


jjmiguel

sábado, 2 de julho de 2016

Sábado da XIII Semana do Tempo Comum

“Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha”. A verdade é que andamos a colocar remendos novos em roupa velha e nunca mais chegamos a lado nenhum. Pelo baptismo somos chamados a uma vida de perfeição com o Outro e com Deus. Gostamos muito de florear a vida cristã com teologia que ninguém percebe e ninguém entende. A teologia deve tornar claro, numa linguagem simples e clara a mensagem do Evangelho. Não compliquemos! Jesus não quer saber dos nossos rituais. De que vale jejuar se temos o Nosso Mestre e Senhor connosco? De que vale a nós cristãos nos preocuparmos com o futuro, porque desde o nosso batismo sabemos sabemos em quem confiamos. Da minha experiência, diz-me que nos falta na nossa vivência cristã experimentar e sentir a graça que é a vida de fé em Jesus Cristo. Mas afinal o que é isto de viver Jesus Cristo na minha 
vida?


jjmiguel

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sexta-feira da XIII Semana do Tempo Comum

“Porque é que o vosso Mestre come com os cobradores de impostos e os pecadores?” Por momentos apetecia perguntar a estes fariseus: “E qual é o problema de se sentar à mesa com os cobradores de impostos e pecadores?” A verdade é que Jesus respondeu-lhes que não tinha vindo para chamar os justos, mas os pecadores. Temos muitas vezes a pretensão de dizer que não pecamos, são os outros que pecam. A nossa falta de humildade e o nosso orgulho levam-nos tão longe que nos cegam de quem somos de facto. Apontamos o dedo e julgamos porque não queremos ver quem nós somos. Quem somos nós? Somos pecadores tal e qual como todos. Temos as nossa falhas tal como todos os outros. Então porque é que apontamos dedos? Porque é mais fácil ver a telha de vidro no telhado do vizinho do que o nosso telhado de vidro. É mais fácil a sujidade do outro do que olha para a nossa. Jesus chama Mateus. Mateus era cobrador de impostos. Os cobradores nunca foram bem visto pela sociedade de Jesus, e hoje muito menos, pela função que exercem. Mas foi exactamente esses que Jesus escolheu. Os discipulos de Jesus eram pobres, não sabiam ler, nem tinham bibliotecas. Temos ideias muito românticas acerca da vida dos apóstolos, assim como achamos que todos os cristãos são santos e que neles se encontra a máxima moral. Os cristãos caminham para ser santos, mas não são santos. São homens e mulheres de carne osso, como eu, como tu, como nós, que aspiram à perfeição de vida, mas não são perfeitos. É por isso que a Igreja é “já” e um  “ainda não”, assim como toda a vida cristã, porém somos chamados a ser sinal da vida já aqui neste mundo da vida em Jesus Cristo.



jjmiguel