domingo, 7 de agosto de 2016

No XIX Domingo do Tempo Comum

Movido pelo mesmo amor, quisestes oferecer gratuitamente ao género humano a reconciliação convosco; e por isso nos destes o Verbo, o vosso Filho Unigénito, para que Ele fosse o advogado e medianeiro entre Vós e os homens. Ele foi a nossa justiça, levando sobre Si e castigando em Si todas as nossas injustiças e iniquidades, pela obediência que Vós, eterno Pai, Lhe impusestes, ao decretar que Ele assumisse a nossa humanidade. Oh incomparável abismo de caridade! Haverá coração tão duro que fique insensível e não se comova, ao ver como a sublimidade divina desceu à profunda baixeza da nossa condição humana?


De Santa Catarina de Sena, virgem

sábado, 6 de agosto de 2016

Sábado da XVIII Semana do Tempo Comum

“E eles ficaram cheios de medo”. O medo, o nosso medo. O medo é algo que nos retira a paz. E necessitamos de paz. Escrevo exactamente no dia em que na Igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray foi assassinado um sacerdote enquanto celebrava missa, enquanto foram feitos reféns, por dois homens, membros do auto-proclamado Estado Islâmico. A nossa resposta é a repulsa, é a revolta e toda uma quantidade de sentimentos que nos saltam perante colossal barbaridade. No entanto, achamos que nada disto tem lógica e que nada justifica tal ataque hediondo. A história e a memória justificam... Estamos perante uma Europa que esqueceu o seu passado e que nunca pensou que a história fizesse um dia justiça. Os tempos que vivemos são exactamente de julgamento da história, sobre erros e erros cometidos por parte da Europa e do Ocidente. Porém a Europa não tem capacidade de resposta. Em primeiro lugar porque a Política vive na subserviência da Economia dissolveu-se por uma Liberdade populista (o poder caiu na rua...); em segundo lugar porque a Indiferença é norma na mentalidade europeia. A Europa necessita de Estado. A Europa de necessita de Ordem. A Europa não precisa de socialismos populares, nem de anarquias, porque, ao que parece existe quem defenda a anarquia e até se deleite com o ataque a uma igreja paroquial que ceifou a vida a um sacerdote. Todos vivemos com medo da ressurreição de Hitler, de Mussolini, de Franco, Salazar... Pois eu temo a ressurreição destes senhores, mas temo também a ressurreição de Lenine, Estaline e outro quantos ditadores de extrema-esquerda. A Europa vive de líderes parolos que passam a vida a lamentar e a criticar, numa verborreia sem fim. Já não precisamos de criticas, nem de análises, precisamos de soluções. Ora, essas soluções os líderes europeus não as têm, porque não têm força, porque estão todos submetidos todos à Economia. Sim, por momentos tenho o saudosismo de uma Europa de Richelieu, de Napoleão, de Churchill, porque para mal ou para bem estes homens pensaram e idealizaram uma Europa. A Europa não pode esquecer a sua identidade histórica alicerçada na Cruz de Cristo. Durante muito tempo os reis e os líderes europeus colocam nos seus brasões de armas exactamente essa Cruz. A Europa actual anda a retirar a Cruz dos seus símbolos nacionais. Aliás, a Cruz foi retirada da vida europeia... O problema é que da Cruz retirada, emerge agora o Quarto Crescente como símbolo europeu, bem como outros símbolos de religiões esotéricas e paganizadas. Além de outras religiões orientais que são interpretadas segundo o nosso belo prazer e para nosso deleite, porque essa vivência de religião terá muito pouco. Todos nos tempos de nos confrontar com a nossa verdade e não fugir dela e temos medo disso mesmo. E passamos a vida em buscas e a desperdiçar energias, quando todas as respostas se encontram em nós e na nossa relação com Deus e Jesus Cristo. Se o Cristianismo deixou de ter influência é porque os Cristãos também não são testemunho de Cristo. Precisamos de Cristãos que falem de Jesus Cristo. Precisamos de Cristãos que em vez de falarem mal da Igreja, do Papa Francisco, ou de outro tipo de cuscovilhices e conversas de corredor falem de Jesus Cristo... O tempo que falam mal de uma Igreja que vive do poder, de uma Igreja burocrática, de uma Igreja pecadora, falem de uma Igreja de Jesus Cristo. Saberão falar de uma Igreja de Jesus Cristo? Somos uma Europa triste, de europeus tristes...


jjmiguel

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Sexta-feira da XVIII Semana do Tempo Comum

“Que poderá dar o homem em troca da sua vida?” A pergunta de Jesus é profunda e implica uma outra pergunta: que sentido tem a vida do homem? No fundo desta questão está outra pergunta: que sentido tem a nossa vida? Tantas e tantas vidas que hoje se encontram sem sentido, mesmo aquelas que parecem ter sentido. Somos muitas vezes ofuscados por imagens e aparências que fogem à realidade. Tanta pobreza envergonhada que existe por esse mundo fora e nós muitas vezes pensamos o contrário. Tanta gente que vive a sofrer, mas tem vergonha de dizer que sofre, porque no fundo tem vergonha de dizer que quer amar e que quer ser amado(a). Não nos fiquemos apenas por imagens, seria importante que olhássemos nos olhos de cada um e de cada uma que se cruz connosco na rua e soubéssemos ler no seu olhar o que se passa no seu interior. O problema é que muitas vezes somos mergulhados para as ideias pré-concebidas. Ora, Jesus não veio dar a Sua vida pelos que já têm tudo (ou pensam ter tudo...), Jesus veio exactamente para os pobres, para os pecadores, para os marginalizados, para aqueles que não têm nada... Somos por isso chamados ao sentido último da nossa vida que é dar... Dar Amor, dar Vida, proclamar o Ano da Graça do Senhor no coração de cada um e de cada uma que encontramos na rua e nos nossos ambientes. Assusta-me muitas vezes a forma como os cristãos dão testemunho deste ano de graça. Tenho muitas vezes a sensação que proclamam no coração dos outros o ano da desilusão, da guerra e do conflito... Será isso ser cristão? Será isso a imitação de Jesus Cristo, Nosso Mestre e Senhor?


jjmiguel

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Quinta-feira da XVIII Semana do Tempo Comum

“Não tens em vista as coisas de Deus, mas as dos homens”. A frase entra no contexto em que Pedro se lembrou de contestar Jesus porque este tinha dito que iria sofrer muito às mãos dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas. Nós não percebemos a lógica de Deus, porque vivemos muito centrados e agarrados aos bens deste mundo. Nunca será demais lembrar que o tempo e o espaço deste mundo é mera passagem no nosso caminho para a nossa casa definitiva. Somos parte de um projecto e de uma missão que Deus tem para nós e isso responsabiliza-nos diante dos outros e diante de Deus. Somos responsáveis uns pelos outros, não podemos viver de costas voltadas, como se nada tivesse a acontecer. Vivemos um tempo em que parece que cada vez mais somos levados a viver numa alienação do que verdadeiramente se passa. Acaso são organizados eventos e mais evantos; festas e mais festas; inclusivamente até inventam tecnologia para nos distraír e nos ofuscar com o essencial da nossa vida. Num tempo em que podemos estar a disfrutar do tempo de férias, seria importante que esse tempo fosse mesmo de férias e de quebras de rotinas para que nos possamos concentrar no essencial que é a nossa vida e a vida do mundo. Que importância temos nós para a História do Mundo? Como podemos nós virar a página na História Mundial? Podemos, se quisermos de coração...


jjmiguel

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Quarta-feira da XVIII Semana do Tempo Comum

“Faça-se como desejas”. Jesus parece estar relutante em atender esta mulher cananeia. Mas ela insistiu, persistiu e não desistiu, e Jesus acabou por atendê-la ao seu pedido. Este trecho evangélico faz-me pensar na nossa falta de oração, ou até na inexistência da nossa fé ao rezarmos. Não podemos continuar a rezar conjuntos de orações devocionais e tradicionais para nos dirigirmos a Deus. A nossa oração tem de ir muito mais além disso. A nossa oração tem de constituir um diálogo, uma relação viva entre nós e Deus. Fazer que Deus também possa participar na nossa vida. Se nos acontece alguma coisa, ou se estamos a passar uma fase menos boa na nossa vida, já parámos para perguntar a Deus o que Ele acha acerca desse assunto? Muito provavelmente, até Lhe perguntamos, o problema é que a resposta muitas vezes não é aquela que queremos ouvir. Mas Deus não é feito à nossa medida, nem feito para escutarmos o que queremos ouvir. Deus é verdade e a verdade de Deus pode não ser a verdade que nós desejamos muitas vezes. Abrir o coração a essa verdade é um exercicio que convirá ao nosso espírito. Possamos abrir o coração a Deus e à Sua verdade, não deixemos que o nosso coração se torne gelo perante o sofrimento e a dor, mas que se torne fogo vivo do Amor de Deus.


jjmiguel

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Terça-feira da XVIII Semana do Tempo Comum

“Porque duvidaste?” Homens de pouca de fé, porque duvidais? Porque duvidamos que este mesmo Jesus Cristo continua connosco na nossa vida? A fé é incerteza na certeza de que o silêncio de Deus é a sua mão de Amor que nos sustenta. Tudo queremos controlar e nada controlamos porque nada nosso, nem a nossa própria vida é nossa, mas de Deus. É um acto de altíssima soberba e orgulho pensarmos que podemos comandar a nossa própria vida, mas é um acto de grande humildade e de desprendimento pensarmos que toda a nossa vida é dádiva e graça Daquele que tudo pode, por isso tudo podemos Naquele que nos conforta. Procuramos refúgio, e que refúgio melhor podemos encontrar senão nas próprias mãos de Deus. Na vida muitas vezes parece que Deus faz silêncio, mas muito provavelmente nesse silêncio Ele leva-nos nos seus braços, porque nos está a proteger do vento frio. Coragem e confiança, Ele está convosco...


jjmiguel

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Segunda-feira da XVIII Semana do Tempo Comum

“Partiu os pães”. Jesus partiu os pães e os discipulos distribuiram pela multidão que estava em torno a Jesus. Uma multidão que estava com fome e com sede. Todos ficaram saciados no final. O evangelho remete-nos para um multiplicação de pães que na verdade não existiu, porque essa multiplicação se fez através da partilha do que cada um tinha. A partilha e a comunhão são duas palavras que neste inicio do mês de Agosto são sublinhadas. Num mundo em que anseia por uma mudança de página na sua História, por onde brotam tantas e tantas tentativas de revoluções frustradas, eis a Revolução que ainda ninguém conseguiu fazer e que está ao nosso dispôr: a Revolução da Partilha e de Comunhão. A bem dizer, a Revolução do Amor. Passamos a vida a querer combater a pobreza, a fome, a guerra... Mas como seria o Mundo se todos nós partilhássemos um pouco de nós mesmos em favor dos outros. Dar de graça o que de graça recebemos. Neste dia possam as palavras de Jesus ressoar no nosso coração: “Dai-lhes vós de comer...”


jjmiguel