sábado, 30 de abril de 2016

Não conhecem Aquele que me enviou


“A minha escolha vos separou do mundo, é por isso que o mundo vos odeia.” O cristão é aquele que opta pela vida em Jesus Cristo e por isso imita em tudo Jesus Cristo, vive dentro de si as palavras de Jesus Cristo, quotidianamente. Perguntavam-me um dia como é que vivemos o ser cristão quotidianamente? A pergunta tem-se alastrado até hoje e penso que esse é um dos problemas que muito seriamente terá de ser encarado por todos nós. Viver no mundo, vivendo como Jesus viveu. Isto significa não viver com ambições, com orgulhos desmedidos, com egoísmos, com actos de soberba. Viver na humildade e num espírito de serviço aos outros. Ir ao encontro do Outro, ser misericordioso, entrar no coração do Outro, ainda que esse Outro eu não conheça. Dir-me-ão que é um acto de loucura entrar na vida do Outro. Sem dúvida, mas o Amor é esse salto que da loucura poderá levar à paz e à concórdia entre todos. Deixar cair as nossas máscaras e as imagens que queremos passar, só porque quero ser “bué fixe”, “bué cool” e a agradar a todos. Não podemos agradar a todos e quem de facto quer amar, pois que ame, mas ame de coração aberto e livre, e não porque agora é moda, ou porque como estamos no Ano Jubilar da Misericórdia, “fica bem”. Todos os anos, todos os meses, todos os dias deveriam ser de misericórdia. Com esta proclamação do Ano Jubilar da Misericórdia é esta a mensagem do Papa Francisco e esperemos que não fique só por ser mais um ano jubilar. É preciso de facto praticar a misericórdia e aí, sim, podemos partir para ir até às periferias existenciais de todo o Mundo e chamar outros que nunca viram e ouviram falar de Jesus Cristo.

jjmiguel

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Eu vos aliviarei

“Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelastes aos pequeninos.” A Igreja convida-nos a celebrar a Festa de Santa Catarina de Sena, virgem e doutora da Igreja, padroeira da Europa. Catarina nasceu em 25 de Março de 1347. Foi uma mística que nasceu num período da História do Cristianismo Europeu em que o Papa se encontrava em Avinhão. A Igreja de então vivia o Cisma de Avinhão. Diante de grande oposição foi com grande empenho que conseguiu o restabelecimento da Cátedra de São Pedro novamente para Roma. Lutou até ao fim para que a injustiça do mundo fosse conpensada pela infinita justiça de Deus. Morreu com apenas 33 anos a 29 de Abril de 1380. Canonizada mais tarde por Pio II e proclamada doutora da Igreja por Paulo VI. Em boa verdade, quem diria que a filha do tintureiro do bairro de Fontebranda iria colocar uma pedra no charco e devolver para Roma, ao que a Roma lhe foi retirado. Em boa verdade, é na humildade e no serviço do dar-se nas mãos de Deus que está o verdadeiro poder. “Quem se humilha será exaltado, e quem se exalta será humilhado.”

jjmiguel

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Permanecei no meu amor

“Permanecei no meu amor.” O mundo hoje para os crentes tornou-se um deserto, em que cada crente deve ser um oásis num mundo em que busca e tem sede de Deus. Jesus exorta-nos a permanecer no Seu Amor. Por isso é por isso estar atento a que “amores” andamos nós à busca. Não procuremos o Amor nos outros, mas procuremos o Amor que brota de nós próprios, porque o nosso Amor pode gerar mais amor, assim como o nosso ódio, pode gerar mais ódio. Somos mais importantes do que pensamos para nós e para os outros e muitas vezes a nossa vida passa-nos ao lado pela nossa ganância do “ter”, enquanto deveríamos ser ganaciosos pelo “ser”. Encontrai em Jesus Cristo, a vossa vida, o Amor que vos sacia a sede e que vos restabelece à vida e vida em abundância. Só assim se poderá fazer Páscoa no vosso coração e falar em verdadeira Ressurreição.


jjmiguel

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A glória de meu Pai é que deis muito fruto

Dar fruto. Eis a  missão cristã. Damos fruto a partir do momento em que estamos ligados à árvore, por isso não entendo como é que se pode ser cristão sem viver, sem estar ligado a esta frondosa árvore que é Jesus Cristo e a Sua Igreja. Muitos de nós dizem: “Eu acredito em Jesus Cristo, mas não acredito na Igreja.” Ora o que eu depreendo desta afirmação de uma forma frontal é que as pessoas acreditam na mensagem de Jesus Cristo, mas não acreditam no que diz e faz a Igreja. O problema é que esta Igreja terrena é santa e pecadora ao mesmo tempo e ficar-se só por esta Igreja terrena é pouco para quem diz acreditar em Jesus Cristo. Acreditar em Jesus Cristo é acreditar na Sua Igreja. Não há “católicos não-praticantes”, esse termo é ambíguo. Ou se é católico, ou não se é católico. Gente morna, não poderá existir na vida em Jesus Cristo. Porém, esta Igreja terrena deve ser já porta para a Igreja celeste. Por isso se se de facto se quer construir uma Igreja aqui na terra que brote do coração de cada um, porque todos somos as pedras vivas deste templo que é a Igreja de Cristo. Deixemos a má-língua e passemos à acção, porque da reflexão terá de nascer a acção. O tempo já não é de reflexão, porque todos os problemas estão identificados, mas de acção...

jjmiguel

terça-feira, 26 de abril de 2016

Não se perturbe nem intimide o vosso coração

“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz.” A paz de Cristo! A paz que tanto ansiamos e que tanto procuramos. Num mundo em gritos, de atropelos, provocados por um querer agarrar uma salvação, muitas vezes ilusória, é dificil encontrar a paz. Não podemos viver de uma “falsa paz” e num vale tudo para conseguir encontrar essa paz. Encontramos muito frequentemente pessoas que mesmo que queiram transmitir essa paz não conseguem, porque percebe-se que há ali tudo menos paz. Os cristãos devem ser fortes para o combate da fé e todos os meios devem justificar para os fins, desde que esses fins sejam os fins da Paz de Cristo. O mundo necessita de paz, por isso os Cristãos devem ser embaixadores da Paz entre os homens. Nestes últimos tempos tenho sido em algumas intervenções muito forte no que penso e em algumas questões que coloco, mas seria inevitável não as colocar. Aliás, não escrevo para agradar aos homens, mas para agradar a Deus. Porquê fechar os olhos ao que todos sabemos que está mal? Porquê fechar os olhos à nossa desordem? Este tempo da Páscoa seja o tempo da verdadeira vida para que possamos restabelecer a ordem, a concórdia e a paz. Esta paz que tanto ansiamos...

jjmiguel

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Pregai o Evangelho

“Ide por todo o mundo”. Jesus incita os discípulos a irem a anunciar a boa notícia a todos os povos. Foi o que aconteceu desde Jerusalém até aos confins do mundo como hoje se consta. A boa notícia espalhou-se eficazmente e colossalmente. Hoje a Cristandade prolifera por todo o mundo. É essa hoje a finalidade deste blogue e de outros. Hoje o Evangelho não pode ficar mais encovilado dentro da sacristia, mas vir para fora, com a mesma liberdade. Ir até às periferias da nossa existência e para isso é necessário que todos nós, os Cristãos, possamos estar preparados e formados para este embate que é a era digital. Hoje a proclamação da palavra não passa e jamais passará somente pelo púlpito. A liberdade religiosa deverá ser hoje um imperativo para este anúncio. Somos cristãos, mas não podemos ser obrigados a ser laicos. Com estas palavras recordo o saudoso Beato Tiago Alberione, fundador da Família Paulista, que no início do séc. XX teve este rasgo de luz de anunciar o Evangelho através dos meios de comunicação social. Mas recordo tantos e tantos outros que neste momento aqui são anúncio das palavras do Verbo da Vida. Tenho consciência das minhas debilidades e fragilidades, mas como diria São Paulo, tudo faço pelo Evangelho e como diria São João, o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos. Porém, não podemos silenciar um Cristianismo de vida e para a vida e não o seu contrário. Se as pessoas não vão à Igreja, é a Igreja que chega às pessoas. Não se impõe, mas propõe-se uma mensagem de vida e de esperança como resposta à vida das pessoas deste presente hodierno, em vista à construção de uma civilização do Amor.  

jjmiguel

domingo, 24 de abril de 2016

No V Domingo da Páscoa

“Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” O Amor. O que faz de nós discípulos de Jesus Cristo é o Amor. Hoje vivemos a plenitude da carência do amor. Amar é querer o bem do Outro. Quando olhamos ao nosso redor o que vemos é um puro atropelo das nossas relações com o Outro. Vivemos em ambições desreguladas de um querer mais e mais. Muitas vezes alinhamos na procura desmedida de fazer carreira a tudo o custo nem que para isso tenhamos de pisar outros à nossa volta. Na verdade, não há que apontar culpar porque estas atitudes convirá dizer que são resultado de uma sociedade capitalista virada para uma sociedade altamente vincada pelo poder do mérito. Perante isto ficamos cegos, surdos e mudos e não temos tempo para centralizar a nossa vida no essencial da nossa vida cristã - Jesus Cristo. Ora, tive conhecimento que as minhas reflexões e as minhas considerações, neste espaço, andam por aí a ser escrutinadas e parece que estão a causar algum mal-estar e má-disposição. Na verdade, não quero causar qualquer mal-estar em alguém, ou até que exista alguém escandalizado. Tudo o que tenho dito, é dito com base na minha experiência de vida cristã e de Igreja (e que se diga de passagem, já lá vão uns aninhos...) E por isso se necessário poderei fundamentar tudo o que afirmei, porque tudo parte da minha experiência de ver e ouvir. Amo Jesus Cristo, amo a Igreja, assim como sou fiel ao Vigário de Cristo na terra, seja ele o Papa João Paulo II, o Papa Bento XVI, como o actual Papa Francisco, assim como serei a qualquer outro. Bem como, não sou nem da Direita, nem da Esquerda. Assim como não faço parte da Ala Progressista, nem da Ala Conservadora da Igreja. Assim como, não vivo minimamente interessado em alguns actos mesquinhos e que provocam a má-língua, bem como desfocam a nossa vida do essencial da nossa vida cristã – o amor em Jesus Cristo. Procuro sempre equilibrios, e de cada vez que escrevo é porque também muitas vezes oiço e escuto a todos sobre determinado tema. Sem dúvida, que hoje vivemos com muito medo. Medo de um futuro incerto, medo de um desconhecido, acima de tudo, com medo de amar. Vivemos afogados e asfixiados de preconceitos porque temos medo de ir ao encontro do Outro. Vivemos mergulhados nos nossos espaços de conforto e no nosso cómodo e quando surge alguma coisa diferente a nossa atitude é de nos fecharmos, mas é preciso dar um primeiro passo com vista a podermos desbravar aquele espaço que não conhecemos. O mundo pula e avança quando temos a capacidade de sair dos nossos espaços de conforto e ir ao encontro do Outro. Como podemos ir até às periferias da nossa existência se vivemos ainda mergulhados nos nossos espaços de conforto, no nosso cómodo?

jjmiguel