quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Quarta-feira da XXII Semana do Tempo Comum - Lc 4, 38-44

“Tu és o Filho de Deus” Os evangelhos contêm uma linguagem riquíssima no que toca a definição de Jesus. Aqui é nos apresentado a cura da sogra de Pedro e, a realização de mais milagres por parte de Jesus. Neste evangelho, a grandeza de Jesus é tanta, que Ele é aclamado como “o Filho de Deus”. Este atributo é colocado na pessoa de Jesus, pois, é a partir destes milagres e curas que se vai reconhecendo a filiação divina de Jesus. Este atributo é um dos principais e que vai acompanhando Jesus ao longo da sua vida. Este é também o atributo dado pelo centurião romano, no momento da inspiração de Jesus na cruz. Pois, este atributo carrega em si, a assertividade da divindade filial de Jesus, pois, quando se afirma “Tu és o Filho de Deus” está-se a afirmar a fé naquele que atua como Deus, desta forma, este atributo pode ser também a primeira profissão de fé daqueles que viram e, assistiram a toda a vida de Jesus e, foram testemunhas deste momento. 

André Araújo

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Terça-feira da XXII Semana do Tempo Comum - Lc 4, 31-37

“Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” Pelo evangelho conseguimos ver que Jesus gozava de uma certa autoridade social e até divina. Essa autoridade era dada pela sua presença nas sinagogas onde Ele ensinava e proclamava a palavra de Deus. Neste evangelho é nos colocado na presença de um homem possesso por um espírito, ao que Jesus expulsa esse demónio. Todo este relato é nos dado para que nós consigamos compreender a autoridade dada por Deus a Jesus, uma autoridade tal que é capaz de expulsar demónios. Esta ideia de “santo de Deus” coloca uma prerrogativa na autoridade de Jesus, pois o demónio ao afirmar isto está efectivamente a declarar que Jesus é Filho de Deus e, como tal só Ele é que é capaz de expulsar demónios.

André Araújo

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Segunda-feira da XXII Semana do Tempo Comum - Mc 6, 17-29

“Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo”. O evangelho deste dia convida-nos à meditação do martírio de João Baptista. Este era visto como justo e santo por parte do rei. Note-se que a geração do pecado não está em Herodes, mas na sua filha. Aqui, o rei vê João com medo, não que ele tivesse medo de alguma coisa de mal lhe acontecesse por parte de João, mas porque o rei acredita que a mensagem de João era sincera e verdadeira. Numa leitura mais profunda, João aparece como o profeta que proclama a vinda do Messias e, esta proclamação da vinda do Messias, era geradora de desconfianças e de conflitos. Também toda a pregação de João se centra não só, numa “pregação escatológica”, mas também numa pregação moral, pois, a partir do evangelho nós sabemos que João apelava a uma correta atitude moral e, foi esta pregação de uma correta ação moral, que levou João ao martírio.

André Araújo 

domingo, 28 de agosto de 2016

No XXII Domingo do Tempo Comum - Lc 14, 1. 7-14

“Quem se humilha será exaltado e, quem se exalta será humilhado” são estas as palavras que ecoam a quem escuta este evangelho. Note-se que Lucas tem uma particularidade, que nos ajuda a compreender este evangelho, pois Lucas é visto como o evangelho da misericórdia, desta forma, quando Jesus profere estas palavras está apelar ao leitor, que seja humilde na sua acção pessoal, não importando a sua condição ou estrato social, mas este olhar atento para quem mais necessita. Pois, o uso da parábola vai ao encontro disso mesmo. Jesus com essa parábola pretende dizer aos discípulos que o importante não é convidar quem tem de comer, mas convidar a quem não tem de comer. É a partir desta parábola que nós entendemos a missão de Jesus e, a missão que Jesus pretende transmitir aos seus discípulos, uma missão centralizada nesta busca de um olhar atente e misericordioso para quem mais necessita. 

André Araújo

sábado, 27 de agosto de 2016

Sábado da XXI Semana do Tempo Comum - Mt 25, 14-30

“Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado.” O Evangelho de Mateus é na sua essência, o Evangelho das parábolas, aqui, Jesus pretende colocar em destaque cada um dos nossos talentos. O evangelista utiliza a linguagem “talentos” para designar algo de importância e, que como tal deve ser aproveitado e, quando mais ele é aproveitado mais ele deve crescer. A parábola vai efectivamente ao encontro disso. A presença dos números cinco, dois e um, nada mais é de que uma sequência concreta para nos dizer que, não interessa a quantidade dos talentos que cada um tem, mas sim a rentabilidade deles, pois, Deus dá a cada um, um talento, mas nós devemos fazê-lo render, na esperança de que este talento não seja só para nós, mas seja aproveitado e usado em prol de todos aqueles que nos rodeiam. 

André Araújo

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Sexta-feira da XXI Semana do Tempo Comum - Mt 25, 1-13

“Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”. Neste evangelho Jesus recorre à parábola para explicar efectivamente as suas intenções. Aqui a parábola tem a função de colocar o ouvinte em atenção sobre o que poderá acontecer. A “Cautela” aqui utilizada pretende mostrar que, na visão de Jesus, cada um deve estar à espera de algo. Provavelmente aqui pode-se tratar de um pré-anuncio sobre a vinda de algo ou acontecimento de algo. Jesus nas suas intervenções procura utilizar uma linguagem simples, mas que ao mesmo tempo se torna metafórica, numa tentativa de cada leitor possa discernir o encontro e a meta das suas palavras. O reino dos céus aqui é para todo aquele que é capaz de se colocar atento as palavras de Jesus, não que Jesus faça escolhas, mas Ele procura avisar cada um de que, tudo pode acontecer pois Ele é filho de Deus.

André Araújo

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Quinta-feira da XXI Semana do Tempo Comum

Um mês depois da Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia fica o testemunho na primeira pessoa do nosso enviado especial a terras polacas...

"A minha ida a Cracóvia nada mais foi do que a construção de um caminho. A essência da alegria despertou quando eu coloquei o pé em Cracóvia, quando fui humildemente recebido em Chelmek. Claro que todos os dias foram verdadeiros desafios, desde as demoradas viagens de comboios até às refeições, que de longe eram as que nós estávamos habituados. Mas a ida a Cracóvia não se tratou apenas de um momento cultura e de construção de identidade, a ida a Cracóvia foi também e, como já disse, uma construção de um caminho. Lá foi possível ver a génese de um Cristianismo juvenil que floreava à face de uma camada juvenil. Na minha opinião ali foi efetivamente possível entender o conceito de Cristianismo fora do lugar, ou seja, onde cada um é desafiado a manifestar aos outros estas ideia de “amor ao próximo”. Não obstante a ideia de um amor além-fronteiras, a JMJ constitui em mim, um novo desafio para que cada jovem, seja capaz de ver num rosto diferente, numa cultura diferente, este Cristo multicultural. Não se trata apenas de um Cristo que é meu, mas de um Cristo que é de todos. Esta construção de identidade foi feita graças ao testemunho que eu vi, em cada jovem, em cada olhar e, até em cada abraço. Lá fui capaz de ver jovens, com o mesmo ideal e, com o mesmo “ídolo”, este Jesus Cristo que nos é dado pelo amor de cada um!
Pois, em cada conversa, em cada troca de objetos e, em cada abraço, eu senti o verdadeiro Cristo em cada um! Talvez o encontro verdadeiro é no momento em que o Papa passa pelos jovens pois, foi possível ver aí, essa ânsia de um pequeno contacto visual com o Papa. Estes jovens que ansiavam este encontro eclodiu em mim, esta sensação de procura de Cristo e, do acolhimento a Cristo, naquele momento o tempo em mim parou, mas é uma paragem concreta, uma paragem em que se esquece tudo o que acontece à nossa volta. Mas eis que surge uma pergunta “Era mais importante ver o Papa ou sentir este amor de e para Cristo?” Ver o Papa é importante, mas ver e sentir em cada jovem esta procura do amor de e para Cristo é como o clímax da fé daqueles jovens, porque o caminho pode ser muito bem feito, mas a meta, quando é vista como uma conquista, todos os problemas neste caminho desaparecem e, ali a meta foi ver no Papa o testemunho verdadeiro do amor de Cristo para cada um de nós e, partir de cada um de nós este amor para Cristo. 
Por fim, não esquecer a vitória de uma conquista. Pois todos os caminhos feitos em Cracóvia foram como um caminho em direção ao calvário, na medida em que por dificuldades de infraestruturas foi difícil muitas vezes alcançar o nosso objetivo, mas mesmo tendo essas dificuldades foi possível, com a fé, chegar ao lugar pretendido. Que dizer mais? Que estas jornadas permitiram encontrar em cada jovem, este Jesus Cristo que é a nossa vida! Ver em cada rosto de cada jovem, um olhar misericordioso para com todos, detalhando em cada gesto um gesto de amor e de misericórdia."


André Araújo, 
enviado especial Ambasciatore Romano à JMJ 2016 de Cracóvia