domingo, 17 de junho de 2012

Em Domingo XI do Tempo Comum

Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo de Ravena, doutor da Igreja

Irmãos, ouvistes que o Reino dos céus, em toda a sua grandeza, é parecido a
um grão de mostarda. [...] É apenas isto que os crentes esperam? É isto que
os fiéis aguardam? [...] É isto «o que o olho não viu, nem o ouvido ouviu,
nem jamais veio ao coração do homem»? É isto que o apóstolo Paulo promete,
e que está reservado no mistério inexprimível da salvação àqueles que amam?
(1Cor 2,9) Não nos deixemos desconcertar pelas palavras do Senhor. Se, de
facto, «a fraqueza de Deus é mais forte do que o homem, e a loucura de Deus
é mais sábia do que o homem» (1 Cor 1,25), essa pequena coisa que é o bem
de Deus é mais esplêndida do que a imensidão do mundo.


Possamos nós semear no nosso coração esta semente de mostarda, de modo que
ela venha a ser a grande árvore do conhecimento (Gn 2,9), elevando-se em
toda a sua altura para elevar os nossos pensamentos para o céu, e
desenvolvendo todos os ramos da inteligência. [...]


Cristo é o Reino. Como se fosse um grão de mostarda, ele foi lançado num
jardim, o corpo da Virgem. Cresceu e tornou-Se a árvore da cruz que cobre a
terra inteira. Depois de ter sido esmagado pela Paixão, o Seu fruto
produziu sabor suficiente para dar o Seu bom gosto e o Seu aroma a todos os
seres vivos que n'Ele tocam. Pois, enquanto a semente de mostarda está
intacta, as suas virtudes permanecem ocultas, mas desenvolvem toda a sua
pujança quando a semente é esmagada. Da mesma forma, Cristo quis que o Seu
corpo fosse esmagado para que a sua força não ficasse oculta. [...] Cristo
é Rei, porque é a fonte de toda a autoridade. Cristo é o Reino, pois n'Ele
está toda a glória do Seu reino. 



in evangelhoquotidiano.org