segunda-feira, 16 de maio de 2016

Eu creio

“Eu creio, mas ajuda a minha pouca fé.” Ao ler as palavras do Evangelho de hoje um pensamento me surgiu. Somos este pai que pede a Jesus para expulsar do seu filho o espírito impuro. A nossa fé é muito pequena diante da Verdade da Vida. Ao longo da meditação fui levado a pensar em relação a todos aqueles que hoje são batizados e a forma como hoje é tratado o sacramento do batismo. Quando pedimos o batismo à Igreja é porque na verdade queremos educar os nossos filhos nas verdades e nos valores do Evangelho de Jesus Cristo e não por uma questão de tradição ou de modismos. Significa isto que quando se é pai e mãe, vivendo um matrimónio cristão, se tem o dever de educar os filhos na fé cristã, como vem descrito no ritual do Matrimónio e não o contrário. O contrário será o desresponsabilizar-se da educação cristã dos filhos e colocar essa responsabilidade nas mãos do catequista ou da Igreja. Deste modo, não percebo como é que se sendo casal católico se deixa nas mãos dos filhos a escolha da religião. Bem como, também não percebo para que se é padrinho e madrinha de batismo, quando a finalidade destes é ajudar a criança na sua formação e educação cristã, afinal, não se é padrinho e madrinha de batismo porque “fica bem”, ou por tradição, ou por outras razões quaisquer. Significa isto que os pais, bem como os padrinhos devem acompanhar os filhos/afilhados na frequência da Catequese, da Eucaristia, bem como, em casa, falar-lhes e dar-lhes a formação e a educação cristã que no dia do Matrimónio e no dia do Batismo juraram diante de Deus dar ao seu filho/afilhado. Se isto não acontece é se mentiroso. Assim como não se pede o batismo à Igreja em adulto, pelo simples facto de se poder casar pela Igreja, ou para se ser padrinho/madrinha de batismo. Assim como também não se pede o batismo à Igreja porque é para se ser protegido por uma força esotérica qualquer, ou para outros fins. Quando se pede o batismo à Igreja é porque se acredita em Jesus Cristo e na Sua Igreja. No caso do pai ou da mãe ser solteira, ou em outras quaisquer circunstâncias, a palavra acolhimento, faz todo o sentido. Porém, deixai-me que diga em vez de se rejeitar o batismo a uma criança de pai ou mãe solteira, porque não se vê aí uma oportunidade para se falar desta Boa Nova que é o Evangelho a esses pais que pelas circunstâncias da vida estão sozinhos e que outro ser humano não tem culpa disso. Se um pai ou mãe solteira pede o baptismo à Igreja, seria uma boa oportunidade para a Igreja falar do Evangelho, e pelo contrário, como se sabe em alguns casos, de fechar portas. Abrir as portas, para quem não conhece o Evangelho. O tempo que se passa com discursos retrógrados e conservadores e de puro puritanismo balofo, ver nestas pequenas coisas oportunidades para anunciar a boa notícia do Evangelho seria uma uma boa oportunidade.  Desculpai a frontalidade, mas acho que estamos num momento em que tem de existir frontalidade em algumas questões doutrinais e não fechar os olhos. Os cristãos não podem ter uma linguagem de “nim”, mas da sua boca ou sai “sim” ou “não”. “Eu creio Senhor, mas ajuda a minha pouca fé.”

jjmiguel