quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Das Homilias do Beato João Paulo II, papa

O gesto afectuoso de Jesus, que Se aproxima dos leprosos para os reconfortar e curar, tem a sua expressão plena e misteriosa na Sua Paixão. Torturado e desfigurado pelo suor de sangue, pela flagelação, pela coroação de espinhos, pela crucifixão, abandonado por aqueles que esqueceram o bem que Ele lhes tinha feito, na Sua Paixão Jesus identifica-Se com os leprosos. Torna-se Sua imagem e símbolo, como o profeta Isaías intuíra ao contemplar o mistério do Servo do Senhor: «Vimo-lo sem beleza nem formosura, desprezado e evitado pelos homens, como homem [...] diante de qual se tapa o rosto. [...] Nós o reputávamos como um leproso, ferido por Deus e humilhado» (Is 53,2-4). Mas é precisamente das feridas do corpo torturado de Jesus e do poder da Sua ressurreição que brotam a vida e a esperança para todos os homens atingidos pelo mal e pela enfermidade.


A Igreja sempre foi fiel à sua missão de anunciar a palavra de Cristo, unida a gestos concretos de misericórdia solidária para com os mais humildes, para com os últimos. Ao longo dos séculos, tem havido um crescendo de dedicação impressionante e extraordinária às pessoas afectadas pelas doenças humanamente mais repugnantes. A história põe claramente em evidência que os cristãos foram os primeiros a preocupar-se com o problema dos leprosos. O exemplo de Cristo fez escola, e deu muitos frutos em actos de solidariedade, de dedicação, de generosidade e de caridade desinteressada.

in evangelhoquotidiano.org

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Das Homilias de São Jerónimo, presbítero

Se Jesus Se aproximasse de nós e nos curasse da febre com uma simples palavra! Porque cada um de nós tem a sua febre. Quando me irrito, tenho febre – tantos vícios, outras tantas febres. Peçamos aos apóstolos que supliquem a Jesus que Se aproxime de nós, que nos toque com a mão. Se o fizer, a febre desaparecerá imediatamente, porque Jesus é um excelente médico. É Ele o verdadeiro, o grande médico, o primeiro de todos os médicos. [...] Ele descobre o segredo de todas as doenças; e não nos toca no ouvido, nem na testa, [...] mas na mão, ou seja, nas más obras. [...]


Jesus aproxima-Se da doente, porque esta não podia levantar-se e correr para Aquele que entrava em sua casa. Mas é Ele, o médico cheio de misericórdia, que Se aproxima do leito, Ele que trouxera a ovelha perdida aos ombros (Lc 15,5). [...] Aproxima-Se de Sua livre vontade; é Ele que toma a iniciativa da cura. Aproxima-Se desta mulher e diz-lhe: «Tu devias ter vindo ter Comigo; devias ter vindo receber-Me à porta, para que a tua cura não resultasse apenas da Minha misericórdia, mas também da tua vontade. Mas, visto que estás prostrada pela febre e não podes levantar-te, sou Eu que venho ter contigo.»


Jesus, «aproximando-Se, tomou-a pela mão». Quando corremos perigo, como Pedro no alto mar, e o mundo parece prestes a desmoronar-se, Jesus toma-nos pela mão e levanta-nos (Mt 14,31). Jesus levanta esta mulher tomando-a pela mão: toma-lhe a mão na Sua. Bendita amizade, esplendido abraço! [...] Jesus toma esta mão como médico, apercebendo-Se da intensidade da febre, Ele que é simultaneamente médico e medicamento. Tocou nela e a febre deixou-a. Que Ele toque igualmente na nossa mão, que cure as nossas obras. [...] Levantemo-nos, permaneçamos de pé. [...] Talvez me pergunteis: «Onde está Jesus?» Está aqui, diante de nós: «No meio de vós está Quem vós não conheceis. O reino de Deus está entre vós (Jo 1,26; Lc 17,21). 

in evangelhoquotidiano.org

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Das Homílias de São Jerónimo, presbítero

«Jesus repreendeu-o, dizendo: "Cala-te e sai desse homem"».  A verdade não tem necessidade nenhuma do mentiroso. «Não vim para que o teu testemunho Me confirmasse, mas para te expulsar daquele que Eu criei [...]; Não tenho necessidade do reconhecimento daquele que bani. Cala-te! Que o teu silêncio seja o Meu louvor. Não quero ser louvado pela tua voz, mas pelos teus tormentos; o teu castigo é o Meu louvor [...] “Cala-te e sai do homem!”» É como se dissesse: «Sai da Minha casa; que fazes tu na Minha habitação? Eu quero entrar: Por isso, cala-te e sai do homem, deste ser dotado de razão. Sai do homem! Deixa essa morada que Eu preparei para Mim! O Senhor quer a Sua casa, sai deste homem» [...]


Vede a que ponto a alma do homem é preciosa. O que contraria os que pensam que os homens e os animais têm uma alma idêntica e que somos animados pelo mesmo espírito. Noutra altura, o demónio foi expulso de um só homem e foi enviado para dois mil porcos (cf Mt 8,32): aquilo que era precioso foi salvo, e o que era vil, perdido: «Sai do homem, vai para os porcos. [...] Vai para onde quiseres, vai para os abismos. Deixa o homem que é Minha propriedade. [...] Não te vou deixar possuir o homem pois seria para Mim um ultraje instalares-te nele em Meu lugar. Assumi um corpo humano, vivo no homem: essa carne que possuis faz parte da Minha carne: sai deste homem!» 

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

De Santo Ireneu de Lyon, bispo

Não foi por ter necessidade dos nossos serviços que o Pai ordenou que seguíssemos o Verbo: foi para nos garantir a salvação. Pois seguir o Salvador é tomar parte na Sua salvação, tal como seguir a luz é tomar parte na luz. Quando os homens estão na luz, não são eles que fazem a luz resplandecer, mas são eles que são iluminados e são por ela tornados resplandecentes. Longe de acrescentar seja o que for à luz, beneficiam dela e ficam iluminados.


O mesmo acontece no serviço a Deus: nada acrescenta a Deus, pois Deus não precisa do serviço dos homens. Mas aos que O servem e O seguem, Deus assegura a vida, uma existência que não perece e a glória eterna. [...] Se Deus, que é bom e misericordioso, solicita o serviço dos homens, é para poder dar os Seus benefícios aos que perseveram no Seu serviço. Pois, se Deus não tem necessidade de nada, o homem tem necessidade da comunhão com Deus. A glória do homem é perseverar no serviço a Deus.
     

Foi por isso que o Senhor disse aos Seus apóstolos: «Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo 15,16). [...] E disse ainda: «Quero que onde Eu estiver estejam também Comigo aqueles que Tu Me confiaste, para que contemplem a Minha glória» (Jo 17,24). [...] É deles que Isaías diz: «Trarei do Oriente os Teus filhos e congregarei do Ocidente os que Te pertencem. [...] Tragam-Me os Meus filhos lá de longe e as Minhas filhas dos confins da terra; são todos aqueles que têm o Meu nome, que Eu criei para a Minha glória» (Is 43,5.7).

in evangelhoquotidiano.org

domingo, 13 de janeiro de 2013

Na Festa do Baptismo do Senhor

Na noite de Natal, os anjos cantaram aos pastores “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado”. Essa paz auspiciada pelos anjos é transmitida pela pessoa de Jesus, o Príncipe da Paz, apresentado no Evangelho de hoje como o “Filho muito amado do Pai, em quem Ele pôs todo seu bem agrado”.
Na primeira leitura, ao ouvirmos falar sobre o Servo de Javé, poderemos identificá-lo com Jesus Cristo, como o fizeram os primeiros cristãos.
O misterioso Servo de Javé do Livro de Isaías, pessoa nobre que lutara pela libertação dos homens, sem clamar nem levantar a voz, sem quebrar uma cana rachada nem apagar um pavio que ainda fumega, ouviu do Senhor o seguinte: “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como centro da aliança do povo, luz das nações”. Ora, esse Servo é homem da paz, não domina, não destrói, não desanima, 500 anos antes já revelava o perfil de Jesus, nosso Redentor.
O Evangelho do Batismo de Jesus, extraído de Lucas, nos diz que Jesus rezava quando o Espírito Santo desceu sobre ele. O Espírito Santo é a resposta de Deus à oração de Jesus. O próprio Senhor, mais adiante irá ensinar que o Pai dá o Espírito àqueles que o pedirem.
Por que Jesus rezava? Certamente para saber do Pai o que é de seu agrado, para lhe ser fiel. Também nós precisamos da oração para realizarmos a missão que o Senhor nos deu, para sermos imagem do” Filho muito amado em quem o Pai pôs todo seu agrado”.
A segunda leitura, extraída do Atos dos Apóstolos, nos fala “como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com ele”.
Eis nossa missão: andar por toda a parte, fazendo o bem e curando os que estão dominados pelo pecado. Como fazer o bem e curar os dominados pelo pecado? Certamente sendo promotores da justiça, fazendo o bem e libertando todos do jugo do egoísmo e trocando-o pela humildade e serviço; libertando do jugo do prazer e oferecendo a solidariedade; libertando do jugo da idolatria, seja ela qual for, e substituindo-a pelo Amor.

in news.va

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Dos Sermões de Santo António, presbítero

«O Senhor está próximo. Por nada vos deixeis inquietar» (Fl 4,5-6). [...] No profeta Isaías, Deus Pai, fala assim: «Não demorará a justiça que prometi  (isto é, o Seu Filho), a libertação que predisse não tardará. Porei em Sião a salvação. A Minha glória será para Israel» (46,13). É o que vem no Evangelho de hoje: «No meio de vós está Quem vós não conheceis». Mediador entre Deus e os homens, homem (cf 1Tm 2,5), Cristo Jesus eleva-Se no mundo para combater o Diabo; vencedor, liberta o homem e reconcilia-o com Deus Pai. Mas vós não O conheceis.


«Criei filhos e fi-los crescer, mas eles revoltaram-se contra Mim. O boi conhece o seu dono e o jumento, o estábulo do seu senhor; mas Israel, Meu povo, nada entende» (Is 1,2-3). O Senhor está tão perto de nós! E nós não O reconhecemos! «Alimentei os Meus filhos com o Meu sangue», diz-nos Ele, «como uma mãe alimenta os seus filhos com o seu leite. Criei sobre o coração dos anjos a natureza humana que tomei, à qual Me uni». Poderia Ele honrar-nos mais? E eles desprezaram-Me: «Vede se existe dor igual à dor que Me atormenta» (Lm 1,12). [...]
    
Assim, «não vos deixeis inquietar», pois é a preocupação com as coisas materiais que nos faz esquecer o Senhor.

in evangelhoquotidiano.org

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

Hoje tem início o ano civil. O ano litúrgico começou, faz um mês, com o início do Advento.
Para nós hoje, oitava do Natal, é celebrado o nome Jesus dado ao pequeno recém nascido, mas sobretudo é a solenidade de Maria, sua mãe, como Mãe de Deus.
O nome de Jesus significa Deus Salva e ele é o Príncipe da Paz. Por isso hoje é também comemorado o Dia Mundial da Paz!
Portanto iniciamos o Ano civil com a solenidade da maternidade divina , quando Maria dá à Humanidade aquele que é a bênção do Pai, a própria paz, Jesus Cristo!
A leitura do Livro dos Números, colocada nesta celebração, nos fala da bênção, do voto, do desejo de que a força de Deus venha sobre as pessoas que a recebem, para que saibam enfrentar os desafios que terão no ano que se inicia. E como é pronunciada sobre a pessoa, em nome de Deus, é certo que isso acontecerá, não por magia, mas pela força da vontade do próprio Deus. A fé em Deus, de saber-se amado por Ele, é importantíssima nesse momento.
Evidentemente será também necessário nossa colaboração, nossa abertura a esse dom. Se pedimos a paz, é fundamental que mudemos nosso coração e deixemos de lado a inveja, a cobiça, a maledicência. A paz só virá para um coração desprendido e ele será, onde estiver, artífice da paz.
Por sua vez a Carta aos Gálatas nos diz que Deus é nosso Pai. Se somos seus filhos, somos irmãos de Jesus e de todos os homens, pois partilhamos do mesmo Espírito. Ora isso reforça nosso compromisso em lutar para que haja paz nos corações e no mundo. Deus é nosso Pai! E isso nos compromete a vivermos como filhos. Sejamos realmente filhos do Pai e rezemos a oração que Jesus, que se fez nosso irmão, e é o Príncipe da Paz, nos ensinou: “Pai... perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
Sejamos discípulos do Senhor! O Senhor nos interpela no Evangelho dizendo-nos que a salvação e a paz são frutos da humildade, da simplicidade de vida. Os pastores não se questionaram sobre o que viram no presépio, mas imediatamente foram viver a missão de anunciar o nascimento de Jesus e o fizeram cheios de alegria.
Simultaneamente o evangelista registra que Nossa Senhora “guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”. Maria tem a atitude de não se restringir a um único fato, mas procura a visão global e dela tira mensagem para sua vida. Ela é contemplativa, alimenta-se da ação de Deus no mundo, nas pessoas, nos fatos. Seu sim a inundou com a paz, com a segurança do amor de Deus. Ela é a Rainha da Paz, a Mãe do Príncipe da Paz, a Mãe de Deus!
No início deste ano digamos também nós nosso sim a Deus, fazendo-nos dóceis às sugestões do Espírito, e a exemplo de Maria deixemos que se realize em nós a vontade do Senhor.

in news.va