quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Homilia atribuída a São Boaventura, franciscano

Aproximemo-nos do coração do dulcíssimo Senhor Jesus, e exultaremos e regozijar-nos-emos nele. Quão bom e doce é habitar nesse coração! Ele é o tesouro escondido, a pérola preciosa, aquilo que encontramos, ó Jesus, escavando o campo do Teu corpo (Mt 13,44ss). Quem pois rejeitará esta pérola? Bem pelo contrário, por ela eu darei todos os meus bens; por ela trocarei todas as minhas preocupações, todos os meus afectos. Todas as minhas inquietações, abandoná-las-ei no coração de Jesus: ele bastar-me-á e providenciará sem falta à minha subsistência.


É neste templo, neste Santo dos santos, nesta arca da aliança, que virei adorar e louvar o nome do Senhor. «Encontrei o meu coração, dizia David, para rezar ao meu Deus» (1 Cron 17,25 Vulg). Também eu encontrei o coração do meu Senhor e Rei, do meu irmão e amigo. Portanto, como poderia não rezar? Sim, rezarei, porque, com firmeza o digo, o Seu coração pertence-me. [...]


Ó Jesus, digna-Te aceitar e escutar a minha oração. Leva-me todo inteiro para o Teu coração. Ainda que a deformidade dos meus pecados me impeça de entrar nele, dado que por um amor incompreensível este coração se dilatou e alargou, Tu podes receber-me e purificar-me da minha impureza. Ó Jesus puríssimo, lava-me das minhas iniquidades a fim de que, purificado por Ti, possa habitar em Teu coração todos os dias da minha vida, para ver e fazer a Tua vontade. Se o Teu lado foi trespassado, foi para que a entrada nos seja amplamente aberta. Se o Teu coração foi ferido, foi para que, ao abrigo das agitações exteriores, possamos habitar nele. E é ainda para que, na ferida visível, vejamos a invisível ferida do amor.

in evangelhoquotidiano.org

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Da Carta de Diogneto

O Pai enviou o Verbo, a Sua Palavra, para O manifestar ao mundo. Ele foi desprezado pelos Seus próximos mas, através da pregação dos apóstolos, as nações pagãs creram n'Ele. Ele já era desde o início (cf Jo 1,1), mas manifestou-Se na novidade e os Seus discípulos reconheceram n'Ele a ancestralidade. Ele renasce todos os dias no coração dos santos; e é proclamado Filho num eterno hoje (cf Sl 2,7).


Por Ele a Igreja enriquece-se com uma graça que desabrocha e cresce nos santos: ela confere-lhes a inteligência espiritual, desvela-lhes os mistérios sagrados e fá-los compreender os sinais dos tempos. A Igreja alegra-se por causa dos crentes; e oferece-se a todos os que a procuram respeitando os compromissos da fé e os marcos colocados pelos nossos Pais. A partir de agora, o temor da Lei inspira cânticos de louvor, a graça anunciada pelos profetas é reconhecida, a fé no Evangelho reafirma-se, a tradição dos apóstolos permanece intacta e a graça da Igreja fá-la dançar de alegria.


Se não bloqueares essa graça, conhecerás os segredos que o Verbo revela por quem Ele quiser e quando Lhe aprouver. [...] Aproximai-vos, portanto, e escutai com atenção; então sabereis tudo o que Deus confia àqueles que O amam verdadeiramente. Eles tornam-se num jardim de delícias; neles crescerá uma árvore fecunda, de seiva vigorosa, e serão cumulados com os mais ricos frutos. Esse é o verdadeiro terreno onde foi plantada a árvore do conhecimento e a árvore da vida (cf Gn 2,9). [...] Por isso, que o teu coração se faça inteiramente conhecimento e que o Verbo da verdade Se torne a tua vida. Se essa árvore crescer em ti e se desejares ardentemente o seu fruto, recolherás sempre os melhores dons de Deus.

in evangelhoquotidiano.org

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dos Comentários de Santo Ambrósio, bispo

Antes de ressuscitar uma menina morta, foi para levar à fé que Jesus começou por curar a mulher que sofria de perdas de sangue. Foi para te instruir que Ele fez parar esse fluxo de sangue e curou a mulher, quando Se encaminhava para a menina.


Do mesmo modo, é para acreditarmos na nossa ressurreição eterna que celebramos a ressurreição histórica do Senhor que se seguiu à Sua paixão. [...] Os servos do chefe da sinagoga vieram disseram: «De que serve agora incomodares o Mestre?» Eles ainda não acreditam na ressurreição de Jesus, profetizada na Lei e concretizada no Evangelho. Por isso, ao chegar à casa Jesus leva conSigo poucas testemunhas da ressurreição que vai acontecer: não foi grande o número dos que acreditaram de imediato na ressurreição. Quando Jesus declara: «A menina não morreu, está a dormir», a multidão fez «troça d'Ele», pois os que não acreditam troçam. Que chorem então os seus mortos os que os crêem mortos: quando se tem fé na ressurreição, não é o fim que se vê na morte, mas um repouso. [...]


Tomando, pois, a menina pela mão, Jesus curou-a e mandou que lhe dessem de comer. Foi uma afirmação de vida, para que se pudesse crer na realidade e não numa ilusão. Feliz daquela a quem a Sabedoria assim tem pela mão! Praza a Deus que ela também assim me sustenha nas minhas ações, que a justiça me tenha pela mão, que o Verbo, a Palavra de Deus, tome a minha mão e me conduza a esse lugar escondido onde mora. Que afaste o meu espírito do erro, que conduza aquele que salvou e ordene que me dêem de comer, pois o Verbo de Deus é o pão do céu (cf Jo 6,32). É por isso que essa Sabedoria, que depôs no altar santo os alimentos divinos do Seu Corpo e do Seu Sangue, declara:  «Vinde, comei do Meu pão e bebei do vinho que preparei» (Pr 9,5).

in evangelhoquotidiano.org

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Das Meditações do B. Charles de Foucauld, eremita

Quando desejarmos seguir Jesus, não nos espantemos se Ele não no-lo permitir de imediato, ou mesmo se não no-lo permitir nunca. [...] Com efeito, a Sua visão tem maior alcance do que a nossa; Ele quer, não só o nosso bem, mas o bem de todos. [...]


É evidente que partilharmos a nossa vida com e como os apóstolos é um bem e uma graça, e devemos tentar sempre aproximar-nos desta imitação da Sua vida. Mas esta é apenas uma graça exterior; ao cumular-nos interiormente de graça, Deus pode tornar-nos muito mais santos sem essa imitação perfeita [...] do que com ela. Ele pode, aumentando em nós a fé, a esperança e a caridade, tornar-nos muito mais perfeitos no mundo, ou numa ordem [religiosa] moderada, do que o seríamos no deserto ou numa ordem austera. [...] Se Deus não permitir que O sigamos, não fiquemos surpreendidos, nem temerosos, nem tristes. Pensemos, antes, que Ele nos trata como tratou o geraseno e que tem motivos muito sábios e muito ocultos para tal. O que devemos fazer é obedecer-Lhe e fazer a Sua vontade. Aliás [...], talvez Jesus tenha permitido que o geraseno se juntasse aos apóstolos alguns meses ou alguns anos mais tarde.


Sempre que nos seja possível, tentemos ter a vida mais perfeita – e, por agora, viver com perfeição a vida que Jesus nos destina, aquela onde Ele nos quer. Vivamo-la como Ele próprio a viveria se essa fosse a vontade de Seu Pai; façamos tudo como Ele o faria, se Seu Pai o colocasse nesta situação. [...] A verdadeira perfeição é fazer a vontade de Deus. 

in evangelhoquotidiano.org

domingo, 3 de fevereiro de 2013

No Domingo IV do Tempo Comum

A primeira leitura nos fala da vocação do profeta, de quem é profeta.
Tomemos como exemplo Jeremias, o profeta da leitura de hoje.
Em primeiro lugar, sua vocação veio de Deus e se confundiu com a geração de sua vida.
Ele era bom, inteligente, sensível, cheio de qualidades. Como qualquer vocacionado, queria viver sua vida como um jovem da época: desfrutar da juventude, namorar, casar, ter filhos, enfim, formar uma família. Jeremias só se conscientizou do chamado de Deus quando tinha vinte anos.
Ele foi consagrado, foi ungido para essa função. Além do mais seu campo de ação seria todo o universo conhecido.
Pensaríamos que, por ter sido escolhido por Deus, sua vida tenha sido um mar de rosas, mas não! Enfrentou guerras vindas de todos os lados, quando exercia sua função, falando em nome de Deus. Dificilmente era aplaudido e, geralmente, escorraçado, marginalizado. Enfrentou lutas de todo tipo, mas não se intimidou, o Senhor estava com ele e o protegia.
Mas por que essas tribulações na vida de quem só queria fazer o bem e falava em nome de Deus, em nome do amor?
Jeremias, como qualquer profeta foi enviado para principalmente reconduzir as ovelhas perdidas, mas elas não quiseram ouvi-lo, não quiseram saber de Deus. Interessa-lhes continuar nos seu erros, praticando a injustiça e a opressão. Por isso as agressões ao profeta.
No Evangelho, vemos Jesus de Nazaré, o Profeta, exercendo sua missão e, como Jeremias e tantos outros que falaram de Deus, corrigindo o povo no seu modo de entender a Lei do Amor. Diz que a salvação trazida por ele é para todos os povos, não apenas para Israel.
Jesus dá nova visão de Deus. Anuncia um Deus próximo, misericordioso, que coloca o perdão e o ser irmão como o grande ato de louvor a Ele. Jesus não quer condenar o pecador, mas faz de tudo para que ele mude de vida, Jesus quer salvar todos. Os escribas e doutores não suportam isso. Ficam perturbados e expulsam Jesus da sinagoga, da cidade, e o povo deseja precipitá-lo em um abismo, para que morra.
Afinal, quem é esse Jesus, quem ele pensa que é? Foi criado ali e sua família é conhecida por todos. Onde ele estudou para ensinar algo diferente do que aprendemos? Basta!
A reação dos conterrâneos de Jesus é muitas vezes copiada por nós. Pensamos que sabemos tudo e não será qualquer um que irá nos ensinar o melhor caminho de chegarmos a Deus. Sabemos rezar, fizemos catecismo!
Não aceitamos desafios, estamos acomodados, não queremos nos esforçar para crescer. É fácil e cômodo decretar a morte. Difícil é lutar pela vida, pela recuperação e perseverança. Desistir é fácil! Persistir e saber esperar é difícil!. Quem ama, acredita, espera, faz de tudo para salvar, como Jesus de Nazaré, Profeta da Esperança e do Amor!
Nossa reflexão se conclui com a segunda leitura que é chamada: “Hino à Caridade”. São Paulo nos diz, desenvolvendo o discurso de Jesus, que a caridade tudo suporta, tudo perdoa. “Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é caridade”!
Sejamos abertos ao novo, àquilo que nos fala ao coração, que sentimos que é de Deus. Construamos um mundo novo, sendo profetas do Amor e do Perdão! Anunciemos a vitória da Vida!

in news.va

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Dos Sermões de São Bernardo, monge cisterciense

Oferece o teu Filho, Virgem santa, e apresenta ao Senhor o bendito fruto de teu ventre (Lc 1,42). Oferece a todos, para nossa reconciliação, a vítima santa que agrada a Deus. Deus aceitará sem dúvida esta nova oferenda, esta vítima de grande preço, acerca de Quem disse: «Este é o Meu Filho muito amado, no qual pus todo o Meu agrado» (Mt 3,17).


Tal oferenda, irmãos, parece contudo algo suave: foi simplesmente apresentada ao Senhor, resgatada por pombas e imediatamente levada. Virá o dia em que o Filho já não será oferecido ao Templo, nem tomado nos braços de Simeão – mas sê-lo-á fora da cidade, e nos braços da cruz. Virá o dia em que Ele já não será resgatado pelo sangue de uma vítima, mas em que será Ele a resgatar os outros com o Seu próprio sangue [...]. Será o sacrifício da noite. E este é o sacrifício da manhã: um sacrifício alegre. Mas aquele será total, e não será oferecido na altura do nascimento mas na plenitude da idade. A um e a outro pode aplicar-se o que o profeta havia predito: «[...] ofereceu-Se, porque Ele próprio assim o quis» (Is 53,7 Vulg). Hoje, com efeito, não Se ofereceu porque tivesse necessidade de Se oferecer, ou porque estivesse sujeito à Lei, mas porque Ele próprio o quis. E já na cruz, igualmente, não Se oferecerá porque tenha merecido a morte, ou porque os Seus inimigos tivessem poder sobre Ele, mas porque Ele próprio o quis.


Portanto, «de bom grado eu Te oferecerei sacrifícios», Senhor (Sl 53,8), porque foi voluntariamente que Te ofereceste para a minha salvação [...]. Ofereçamos-Lhe também nós, irmãos, o que de melhor temos, ou seja, nós próprios. Ele ofereceu-Se a Si próprio; quem és tu, para hesitares ofereceres-te inteiro?

in evangelhoquotidiano.org

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Do B. Jonh Henry Newman, presbítero

Tal é o Reino escondido de Deus: do mesmo modo que está agora escondido, assim será revelado no momento dado. Os homens pensam que são os donos do mundo e que podem fazer o que querem. [...] Na verdade, aparentemente «tudo permanece igual desde o início» e os trocistas perguntam: «Em que fica a promessa da Sua vinda?» (2P 3,4) Mas, no tempo designado, haverá uma «revelação dos filhos de Deus» e os santos escondidos «resplandecerão como o sol no Reino de Seu Pai» (Rm 8,19; Mt 13,43).


Quando os anjos apareceram aos pastores, aconteceu de repente. [...] A noite parecia ser igual a todas as outras noites, tal como a noite em que Jacob teve a sua visão parecia igual a todas as outras noites (Gn 28,11ss). Os pastores velavam os seus rebanhos e viam a noite passar, as estrelas seguiam o seu curso, era meia-noite; não pensavam em tal coisa quando o anjo lhes apareceu. Tais são o poder e a virtude escondidas no visível: manifestam-se quando Deus quer. [...]


Quem poderia conceber, dois ou três meses antes da Primavera, que a face da natureza, aparentemente morta, pudesse tornar-se tão esplêndida e variada? [...] O mesmo acontece com essa Primavera eterna que todos os cristãos esperam: ela virá, ainda que venha tarde. Esperemo-la, pois «O que há-de vir, virá e não tardará» (Heb 10,37). É por isso que dizemos em cada dia: «Venha a nós o Vosso reino», o que quer dizer: Senhor mostra-Te a nós; mostra-Te, «Tu que estás sentado sobre os querubins. Resplandece; mostra a Tua grandeza e vem em nosso auxílio» (cf Sl 80,2-3). A terra que vemos já não nos satisfaz: não é senão um princípio, uma promessa do que há-de vir. Mesmo no seu maior esplendor, coberta de todas as suas flores, quando mostra da maneira mais sedutora o que mantém escondido, mesmo assim não nos chega. Sabemos que há nela mais coisas do que as que vemos. [...] O que vemos não é senão a camada exterior dum reino eterno. É nesse reino que fixamos os olhos da nossa fé. 

in evangelhoquotidiano.org