quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O Espírito do Senhor está sobre mim

Jesus segundo Lucas vai a Nazaré, onde entra na sinagoga e é convidado a fazer uma leitura do profeta Isaías. No final faz um comentário à leitura: "Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura..." Como cristãos somos impelidos às palavras de Isaías: anunciar a boa nova aos pobres, a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da graça do Senhor. A nossa vida por dentro e por fora deverá ser isto para o mundo e no mundo. No mundo de hoje, com as facilidades e as dificuldades do mundo de hoje. O cristão não é chamado à alienação da vida pública, ou do que se passa no mundo. O cristão não pode passar o tempo dentro da igreja só a orar. A oração é importante, mas é também importante que o cristão faça proclamar este ano de graça do Senhor. O cristão não pode viver mergulhado em depressões profundas, mas mergulhado na esperança que é a vida em Jesus Cristo. Um dia à porta de uma igreja no final da celebração eucarística olhava as pessoas e olhava os seus rostos, pensei para mim: "Parece que vêm de um funeral, ou parece que estamos em Sexta-feira Santa." Perguntei para mim onde estava a alegria cristã. E onde está a alegria cristã? Onde está a vida em Cristo? Onde esta proclamação deste ano de graça, deste ano de vida? Todos nos queixamos que o Cristianismo está a perder influência no Mundo Ocidental, e sobretudo aqui na Europa. De quem é a culpa? Dos cristãos, está claro de ver... Chegou por isso o tempo de proclamar este ano de graça, este ano de vida e anunciar bem alto se possível no meio da rua, nas nossas casas em todos os nossos ambientes: Jesus Cristo vive! Jesus Cristo reina! A Cruz só faz sentido a partir do momento que passemos da morte à vida, à esperança, ao Amor.

jjmiguel

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Tinham o coração endurecido


Os discípulos estavam cansados de remar e Jesus foi ter com eles. Também nós hoje estamos cansados de remar, mas será que vislumbramos que neste cansaço está o Nosso Mestre e Senhor que hoje mesmo nos dá a mão? Será que ainda temos o coração endurecido ao Amor que Jesus nos tem para dar, tal como os discípulos? Os nossos corações não podem permanecer em pedras quando de facto descobrimos o Amor de Deus. Deus ama-nos e espera que o amemos. Amamos de facto a Deus tal qual como dizemos tantas e tantas vezes na nossa vida? Se O amamos então porque pecamos? Porém, notai, não é por pecar que Deus, como se fosse um juíz, nos vai julgar. Deus não é condenação. Deus é Amor e Vida. Pecamos porque somos fracos diante de tanto Amor que Deus nos tem para dar. Pecamos para que do pecado se encha o nosso coração de mais Amor através da nossa humildade e do nosso arrependimento. Há muitas vezes a tentação de pensar que quanto mais pecar mais abundante é a Graça. Se na verdade entramos neste laxismo espiritual, então mais vale parar no caminho espiritual e recomeçar de novo, porque do pecado só vem a Graça se na verdade em nós se realizar o arrependimento e o perdão diante de Deus, de nós e dos outros. E aí, sim, reconheceremos o Mestre da Vida. Nesse momento se realiza a vida, por isso Jesus nos exorta à vigilância na oração. é por isso que a vida cristã terá que ser acompanhada com a oração, no diálogo com o Senhor da Vida, para que não sejamos surpreendidos pelo ladrão.


jjmiguel

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Dai-lhes vós mesmo de comer

"Naquele tempo, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor." Lia estas primeiras palavras do evangelho e pensava hoje na importância dos nossos pastores de almas. Pensava na sua missão e na fidelidade à sua missão. Os cristãos hoje têm o direito e o dever de pedir bons pastores para os dirigir. Confunde-se muitas vezes o ser-se padre como uma profissão qualquer. Mas não é, nunca foi e nunca será. Ser padre é antes de mais uma vocação, um mandato e um compromisso. Ser padre é passar, sofrer e amar, como me disse um sacerdote um dia. Ser padre não é ser-se profissional da religião, para isso já há muitos profissionais noutros ramos. Colocamos cada vez mais a questão do celibato sacerdotal em causa, isto porque esquecemos a dimensão da vida espiritual. Ser-se padre é acima de tudo vida espiritual, a vida profissional vem depois. Ser-se padre é dar a vida tal como o Sumo Pastor, Jesus Cristo. A esposa do padre é a Igreja e as comunidades cristãs, e não tem mais nenhuma esposa. Tal como um homem casado que opta por uma e só uma mulher, a vida sacerdotal é a opção por Jesus Cristo, a Igreja e pelas comunidades a que está vinculado em qualquer circunstância. Poderão-me dizer que existem sacerdotes que em traição não são fiéis a esse celibato. Com legitimidade o dirão, mas também existem homens casados que não são fiéis às suas esposas. Então onde está o problema? O problema está em dois vectores essenciais: vida espiritual e formação. Para se ser padre é preciso vida espiritual, vocação e formação. Mas para se ser casado também é preciso vida espiritual, vocação e formação. Os cristãos-leigos não devem exigir à instituição Igreja o fim do celibato, antes uma boa formação de Seminário para que os futuros pastores possam ser bons pastores de almas. Todos acusamos os padres de muitas atitudes, sobretudo as más, mas não exigimos que durante o seu período de formação, possam ter uma boa formação. Todos ficamos espantados quando algum candidato sai do Seminário, e acusamos logo: "Não tinha vocação..." Pergunto eu: "Será só porque não tinha vocação?" "E quem somos nós para julgar a vocação sacerdotal de alguém?" É legitimo perguntar, como é hoje feita a formação nos  nossos Seminários aos futuros pastores de almas? Por outro lado, também teremos que afirmar que se um candidato ao sacerdócio, durante o seu percurso no Seminário, chega a conclusão que não tem vocação ao sacerdócio, teremos que louvar a coragem e o seu amor à Igreja, porque essa é uma atitude de amor à Igreja e em última instância a Jesus Cristo. Quantos e quantas de nós não apontamos dedos a possíveis candidatos ao sacerdócio que pura e simplesmente desistiram do seu percurso durante o tempo de Seminário? Por outro lado, quantos e quantas de nós não acusam o padre que afinal não cumpre com o celibato? Afinal, o que  será mais legítimo? Sair porque de facto o caminho não é aquele, ou continuar a queimar etapas dentro de um Seminário e um dia, quando estiver numa casa paroquial ser causa de escândalo para a Igreja e para todos? Jesus diz aos discípulos no evangelho de hoje: "Dai-lhes vós mesmo de comer..." Em bom rigor para dar de comer a alguém teremos que ter alimento, porque ninguém pode dar aquilo que não tem. Desta forma o alimento do sacerdote deverá ser a sua vida espiritual, uma vida feita com a comunidade e para a comunidade, num dar-se continuamente e isso é senão só Amor, e esse Amor já terá que vir de um Amor experimentado na comunidade de Seminário, caso contrário poderemos ter a manutenção de um ciclo vicioso. Rezemos pelos nossos padres, pelos nossos seminaristas e suas equipas formadoras.

jjmiguel

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz


A Luz iluminou as trevas. As nossas cadeias foram destruídas. Deus manifestou-se ao mundo para a nossa liberdade. Por isso viver Deus na nossa vida deverá ser sinónimo de liberdade e não de prisão. O fanatismo prende-nos. Quando a fé nos traz prisões já não é fé, porque não é transmissora da vida e da esperança, do Amor que tem de ser a vida em Cristo. Na verdade já não nos religa com o que é desligado em nós pelo pecado e pela morte. Viver Deus na nossa vida é um
acto de liberdade, de justiça e de alegria. Deixai que Deus possa ser o centro da vossa vida, mas para isso rasgai o vosso coração a esta Luz de Belém. Luz que nos restitui à liberdade de filhos, luz que nos restabelece à graça e à vida.

jjmiguel

domingo, 3 de janeiro de 2016

Na Solenidade da Epifania do Senhor

Na Solenidade da Epifania do Senhor, no dia de hoje veio-me ao pensamento o cântico "A Luz de Cristo ilumina a terra inteira. Aleluia! Aleluia!". Esta solenidade vem-nos lembrar que Deus se revelou ao Mundo por Seu Filho Jesus Cristo. Deus se fez homem e habitou entre nós, de uma forma muito actual. Por isso Ele se torna Luz para todo o homem e mulher, sobretudo para os pobres, para os marginalizados, para os doentes, para os prisioneiros, para todas as culturas e etnias, para todas as religiões e credos. Cristo não veio escrever tratados de Teologia, antes falar-nos de Deus de uma forma simples, para os simples. Notai que Herodes ficou apavorado com a notícia de que tinha nascido o rei dos judeus. O problema é que este Menino de Belém, não veio como rei para disputar poderes, nem territórios, veio ao Mundo para reinar o coração de todos os homens e mulheres. E aqui está a polémica. Jesus Cristo vem para os pobres, para os que sofrem, assume neles a sua pobreza e o seu sofrimento. Jesus Cristo vem para os pecadores, assumindo o seu pecado. E esta mensagem é de confronto interior, porque Jesus Cristo sabe bem quem nós somos, porque nos conhece no interior e no nosso exterior e ainda assim ama-nos. Não é Jesus Cristo que nos confronta, é o Amor, porque temos medo, muito medo de Amar. Para amar temos de nos entregar, de nos doar ao Outro e isso significa solidariedade, abertura do coração. Continuo sem perceber como é que num mundo que durante o séc. XX lutou imenso pela liberdade, igualdade e fraternidade entre todos, e se individualizou, de tal forma que todos somos indiferentes a todos e todos vivemos como que alienados de todos. Vivemos das "caridadezinhas", porque "é bem" ajudar os pobrezinhos. Isso é filantropia. É preciso dar a cara, olhar nos pobres, desfavorecidos o rosto de Jesus Cristo. "Viemos adorá-lO!" Os Magos do Oriente foram adorar Deus em Belém numa criança pobre e que tinha nascido numa manjedoura onde comiam vacas e burros. É esta a revolução cristã. Não podemos continuar em romantismos cristãos. Não podemos continuar com mensagens de alta Teologia que ninguém entende. O Menino de Belém traz-nos uma mensagem simples: Deus é Amor, e onde habita o Amor aí habita Deus.

jjmiguel

sábado, 2 de janeiro de 2016

Eu sou a voz que clama no deserto


A voz do profeta anuncia. Somos estes sacerdotes e levitas que não reconhecem a voz daquele que anuncia quem está para chegar. Aquele que traz o fogo à terra para renovar todas as coisas. No momento em que escrevo encontro-me numa esplanada no centro de uma cidade deste país. É nestes colossais areópagos que a Palavra se deve fazer vida. O cristianismo não pode continuar na sacristia, mas vira para a rua e anunciar publicamente esta Palavra que não é de um passado, mas se faz presente hoje no mundo. Somos nós, cristãos, o actualizar desta Palavra através do nosso testemunho da nossa vida. Mais que rituais liturgicos é preciso viver toda essa liturgia com o nosso testemunho de vida para que Jesus seja fogo e luz. A vida dos cristãos deverá ser fogo, luz, sal, fermento para que possa brotar nos corações de todos os homens e mulheres de boa vontade a vida que lhes dá sentido e essa é senão só a vida em Jesus Cristo. Mais que vivermos os comentários de corredor vivamos Jesus Cristo, para que a nossa seja uma verdadeira epifania do Amor e da Vida em Jesus Cristo. Pois é mesmo aqui onde vivem e circulam as pessoas, que nós devemos estar e não cheios de medo no interior das nossas sacristias, para que Cristo fale ao coração dos homens e das mulheres. Não tenhamos medo de anunciar o que vimos e ouvimos, o que os nossos olhos e as nossas mãos tocaram - Jesus Cristo!


jjmiguel

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

Em 01 de Janeiro de 1968, Paulo VI, instituía para todos os homens e mulheres de boa vontade o Dia Mundial da Paz. Esta Paz que tanto ansiamos, como nos diz uma fadista portuguesa. Vivemos na sociedade grandes desafios à manutenção da Paz mundial. Mas o maior desafio será a conquista da nossa Paz interior. Só através da conquista da Paz, no interior de cada um de nós poderemos fazer valer e promover os direitos e deveres humanos, pela reconciliação com o meu Outro que não conheço, mas que devo conhecer, olhando-o olhos nos olhos e não me ficar pelo espelho de uma realidade irreal, porque todos somos irmãos e irmãs, vivendo lado a lado, não importando a cultura ou o credo. Por isso é preciso ter bem presente o valor da Justiça como um bem comum para alcançar a Paz. A Justiça não pode ser manietada e utilizada para o controlo dos cidadãos, mas antes como sinal de Liberdade, de Paz e Concórdia entre as nações. Deste forma temos que acreditar que a Paz é possível, quando nós deixarmos de deitar culpas na Política, na Economia, no Outro e formos nós os promotores da Paz. A Paz, caríssimos e caríssimas, depende de nós, não depende de mais ninguém. Somos nós próprios os promotores desta Paz. Será por isso imprescindível a prática da reconciliação e da misericórdia, entre nós e o meu Outro. Não poderemos continuar de costas voltadas. É preciso aplicar o Perdão, para que se aplique o Amor. Somos hipócritas quando falamos de Amor e não sabemos Perdoar. Estamos a assistir a um mundo que está a recorrer às armas da violência e esquece e aliena-se das armas da Paz. Seria necessário revestirmo-nos das armas da Luz e não das armas da Morte. A Força que muita gente desvalorizou com o filme Star Wars é a Força da Luz e da Paz e é dessa Força que estamos a falar, não a Força da Morte ou da escuridão porque esse é o outro lado da Força de que tanto se fala no filme. Só quem não viu o filme é que pode desvalorizar esta mensagem. A "Guerras das Estrelas" é a Guerra da Luz contra a Morte, contra uma cultura de Morte que se instalou. Por isso o Cristianismo não é uma mensagem de "beatos" que "se deixaram seduzir por Jesus Cristo", isso é uma mensagem de singeleza romântica que muitos e muitas andam por aí a divulgar, desvirtuando o Cristianismo. O Cristianismo é revolucionário e subversivo em ordem à construção de uma Civilização para a Paz. A Revolução é a Paz. Defendo Nicolau Maquiavel, quando todos os fins justificarem os meios para a construção de uma Civilização da Paz e do Amor e deixarmo-nos de singelezas românticas de Jesus Cristo. Neste dia em que celebramos também a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus coloquemos nas suas mãos este ano de 2016 e que seja ela a guiar os caminhos da Paz da nossa sociedade. Possamos fazer o mesmo como os pastores de Belém e ir anunciar tudo o que vimos e ouvimos em ordem à construção de uma sociedade na Liberdade, Fraternidade e Igualdade.

jjmiguel