Inácio gostava muito de ler livros mundanos e fantasistas, que costumam
chamar-se «de cavalaria». Quando se sentiu livre de perigo, pediu que
lhe dessem alguns deste género para passar o tempo. Mas não se tendo
encontrado naquela casa nenhum livro desses, deram-lhe a «Vita Christi» e
um livro da vida dos Santos, ambos em vernáculo.
Com a leitura
frequente destas obras, começou a ganhar algum gosto pelas coisas que
ali estavam escritas. Mas deixando de as ler, detinha-se a pensar
algumas vezes naquilo que tinha lido e outras vezes nas coisas do mundo
em que antes costumava pensar.
Entretanto, Nosso Senhor vinha em seu
auxílio, fazendo com que a estes pensamentos se sucedessem outros,
sugeridos pelas novas leituras. De facto, lendo a vida de Nosso Senhor e
dos Santos, detinha-se a pensar consigo mesmo: «E se eu fizesse como
fez São Francisco e como fez São Domingos?». E reflectia em muitas
coisas destas, durante longo tempo. Mas sobrevinham-lhe depois os
pensamentos mundanos de que acima se fala, e também neles se demorava
longamente. E esta sucessão de pensamentos durou muito tempo.
Mas
havia esta diferença: quando se entretinha com os pensamentos mundanos,
sentia grande prazer; e logo que, já cansado, os deixava, ficava triste e
árido de espírito; quando, porém, pensava em seguir os rigores dos
Santos, não somente sentia consolação enquanto neles pensava, mas também
ficava contente e alegre depois de os deixar.
No entanto, não
advertia nem considerava esta diferença, até que uma vez se lhe abriram
os olhos da alma e começou a admirar-se desta diferença e a reflectir
sobre ela; e compreendeu por experiência própria que um género de
pensamentos lhe deixava tristeza e o outro alegria.
Mais tarde,
quando fez os Exercícios Espirituais, foi desta experiência que tomou as
primeiras luzes para compreender e ensinar aos seus irmãos o
discernimento de espíritos.
(Cap. 1, 5-9: Acta Sanctorum Iulii, 7 [1868] 647) (Sec. XVI)
in Liturgia das Horas
terça-feira, 31 de julho de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo
Quando a Virgem concebe, virgem dá à luz e permanece virgem, isso não
entra na ordem da natureza, mas dos sinais divinos; não é segundo a
razão humana, mas conforme ao poder de Deus; é o Criador que actua, não a
natureza humana; não é caso comum, mas único; é obra divina e não
humana. O nascimento de Cristo não foi consequência necessária da
natureza, mas do poder de Deus. Foi o mistério da piedade, a redenção da
humanidade. Aquele que, sem nascer, fez o homem do barro intacto,
fez-Se homem nascendo de um corpo também intacto. A mão que se dignou
tomar o barro para formar o nosso corpo, também se dignou tomar a nossa
carne para nos salvar. Por isso, o facto de o Criador estar na sua
criatura e de Deus habitar em carne humana, é uma honra para a criatura e
não uma afronta para o Criador.
Ó homem, porque te consideras tão vil, tu que és tão precioso para Deus? Porque é que, sendo tu tão honrado por Deus, tanto te desonras a ti mesmo? Porque perguntas de que é que foste feito e não queres saber para que foste feito? Porventura todo este mundo que vês não foi feito para ser tua morada? Para ti foi criada a luz que dissipa as trevas que te circundam; para ti foi regulada a sucessão dos dias e das noites; para ti foi iluminado o céu com o variado fulgor do sol, da lua e das estrelas; para ti foi ornamentada a terra com flores, bosques e frutos; para ti foi criada a admirável multidão dos seres vivos que habitam nos ares, nos campos e nas águas, a fim de que uma triste solidão te não ensombrasse a alegria do mundo recém-criado.
Mas o teu Criador pensou no modo de aumentar ainda mais a tua glória: gravou em ti a sua própria imagem, para que houvesse na terra uma imagem visível do Criador invisível, e colocou-te como seu representante sobre as coisas terrenas, para que um domínio tão vasto como é o mundo não ficasse privado de um vicário do seu Senhor.
Deus, na sua bondade, assumiu em Si o que para Si tinha feito em ti; quis ser visto realmente no homem, onde antes apenas era contemplado como imagem; quis que nele fosse uma realidade o que antes era apenas uma semelhança.
Cristo nasce, portanto, para renovar com o seu nascimento a natureza corrompida; fez-Se criança, quis ser alimentado, passou pelas diversas idades da vida humana, para restaurar a única idade perfeita e permanente como Ele a tinha criado; toma sobre Si a vida humana, para que o homem não volte a cair; tinha-o feito terreno e torna-o celeste; tinha-lhe dado uma alma humana e agora comunica-lhe o espírito divino; e assim eleva o homem à dignidade divina, para que desapareça tudo o que nele havia de pecado, de morte, de fadiga, de sofrimento, de terreno, pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus e vive e reina com o Pai na unidade do Espírito Santo, agora e sempre e pelos infinitos séculos dos séculos. Amen.
(Sermão 148: PL 52, 596-598) (Sec. V)
in Liturgia das Horas
Ó homem, porque te consideras tão vil, tu que és tão precioso para Deus? Porque é que, sendo tu tão honrado por Deus, tanto te desonras a ti mesmo? Porque perguntas de que é que foste feito e não queres saber para que foste feito? Porventura todo este mundo que vês não foi feito para ser tua morada? Para ti foi criada a luz que dissipa as trevas que te circundam; para ti foi regulada a sucessão dos dias e das noites; para ti foi iluminado o céu com o variado fulgor do sol, da lua e das estrelas; para ti foi ornamentada a terra com flores, bosques e frutos; para ti foi criada a admirável multidão dos seres vivos que habitam nos ares, nos campos e nas águas, a fim de que uma triste solidão te não ensombrasse a alegria do mundo recém-criado.
Mas o teu Criador pensou no modo de aumentar ainda mais a tua glória: gravou em ti a sua própria imagem, para que houvesse na terra uma imagem visível do Criador invisível, e colocou-te como seu representante sobre as coisas terrenas, para que um domínio tão vasto como é o mundo não ficasse privado de um vicário do seu Senhor.
Deus, na sua bondade, assumiu em Si o que para Si tinha feito em ti; quis ser visto realmente no homem, onde antes apenas era contemplado como imagem; quis que nele fosse uma realidade o que antes era apenas uma semelhança.
Cristo nasce, portanto, para renovar com o seu nascimento a natureza corrompida; fez-Se criança, quis ser alimentado, passou pelas diversas idades da vida humana, para restaurar a única idade perfeita e permanente como Ele a tinha criado; toma sobre Si a vida humana, para que o homem não volte a cair; tinha-o feito terreno e torna-o celeste; tinha-lhe dado uma alma humana e agora comunica-lhe o espírito divino; e assim eleva o homem à dignidade divina, para que desapareça tudo o que nele havia de pecado, de morte, de fadiga, de sofrimento, de terreno, pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus e vive e reina com o Pai na unidade do Espírito Santo, agora e sempre e pelos infinitos séculos dos séculos. Amen.
(Sermão 148: PL 52, 596-598) (Sec. V)
in Liturgia das Horas
domingo, 29 de julho de 2012
No Domingo XVII do Tempo Comum
Cidade do Vaticano (RV) - Para quem diz que a religião deve se
preocupar apenas com o espírito, deverá surpreender o tema deste domingo
onde na primeira leitura e no Evangelho o pão é multiplicado para que
todos se alimentem bem. Aliás, na Sagrada Escritura, o verbo comer
aparece quase mil vezes, enquanto que rezar só umas cem.
Na primeira leitura, o profeta Eliseu não aceita comer, em uma situação de penúria, de fome mesmo, os 20 pães que um devoto de outro lugar lhe traz. Ele diz a esse bom homem que o distribua aos seus cem seguidores. O benfeitor diz ser impossível, que o pão é pouco e os ouvintes são cinco vezes mais. Eliseu ordena, confiando na Palavra de Deus dita a ele. “O homem distribuiu e ainda sobrou” nos diz a Sagrada Escritura.
Naquela época isso aconteceu, bem como outros sinais semelhantes, para que o povo confiasse só em Deus e não nos ídolos. Deus se preocupa com nossas necessidades materiais, mas quer a nossa colaboração. Por isso a multiplicação do que foi trazido, do esforço físico de quem trabalhou, da solicitude de quem o trouxe e da generosidade e fé do profeta, que não reteve o dom para si, mas ensinou o homem a partilhar o que Deus criou para todos.
A atitude de Eliseu faz Deus ser verdadeiro e não mentiroso, já que o Senhor havia dito “Comerão e ainda sobrará”.
Em nossa realidade social somos os primeiros a fazer Deus passar por mentiroso, quando vivemos no Brasil, país que faz parte do grupo G20, e apesar disso temos mais de 10 milhões de pessoas vivendo abaixo da “pobreza absoluta”. País tão rico e população tão pobre! Deus não é mentiroso, nós é que somos egoístas e não queremos abrir mão de nossos pães que sobram para saciar a fome dos irmãos.
E não é só o pão. É a saúde, as vestes, o afeto, a educação, tudo aquilo que depende de nós, porque nós os temos, pouco até, mas os temos. Se confiarmos em Deus, Ele cumprirá sua Palavra e do pouco sobrará bastante. Conta-se que São Vicente de Paulo ao chegar à cidade em que foi destinado como pároco, assistiu a morte de uma senhora e ficou penalizado por ter deixado sua filhinha de pouca idade. Após o sepultamento perguntou à população bastante pobre, quem tinha mais filhos e apareceu uma mãe com seus quatro filhos. Aí São Vicente entregou a ela a pequena órfã e ele acrescentou, mais ou menos assim: quem tem menos posses e mais filhos, sabe dividir e aceita o novo membro como bênção.
No Evangelho, ao mandar as pessoas se sentarem, Jesus quer dizer que todos são cidadãos livres, já que os escravos não se sentavam para comer. Mais ainda, no projeto de Jesus não ensina primeiro acumular para depois dividir, mas partilhar o que cada um possui, para que todos fiquem saciados.
Esta é a autêntica Eucaristia, o dom de Deus, associado ao esforço das pessoas, em vista da partilha, da fraternidade e da igualdade.
E a Carta de Paulo aos Efésios nos diz que há “um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos”.
Que nosso testemunho de crer no Deus único e verdadeiro no leve a colocar as mãos em nosso bolso e partilhar tudo aquilo que recebemos ou produzimos porque dele tudo recebemos para partilhar, para sermos irmãos.
in news.va
Na primeira leitura, o profeta Eliseu não aceita comer, em uma situação de penúria, de fome mesmo, os 20 pães que um devoto de outro lugar lhe traz. Ele diz a esse bom homem que o distribua aos seus cem seguidores. O benfeitor diz ser impossível, que o pão é pouco e os ouvintes são cinco vezes mais. Eliseu ordena, confiando na Palavra de Deus dita a ele. “O homem distribuiu e ainda sobrou” nos diz a Sagrada Escritura.
Naquela época isso aconteceu, bem como outros sinais semelhantes, para que o povo confiasse só em Deus e não nos ídolos. Deus se preocupa com nossas necessidades materiais, mas quer a nossa colaboração. Por isso a multiplicação do que foi trazido, do esforço físico de quem trabalhou, da solicitude de quem o trouxe e da generosidade e fé do profeta, que não reteve o dom para si, mas ensinou o homem a partilhar o que Deus criou para todos.
A atitude de Eliseu faz Deus ser verdadeiro e não mentiroso, já que o Senhor havia dito “Comerão e ainda sobrará”.
Em nossa realidade social somos os primeiros a fazer Deus passar por mentiroso, quando vivemos no Brasil, país que faz parte do grupo G20, e apesar disso temos mais de 10 milhões de pessoas vivendo abaixo da “pobreza absoluta”. País tão rico e população tão pobre! Deus não é mentiroso, nós é que somos egoístas e não queremos abrir mão de nossos pães que sobram para saciar a fome dos irmãos.
E não é só o pão. É a saúde, as vestes, o afeto, a educação, tudo aquilo que depende de nós, porque nós os temos, pouco até, mas os temos. Se confiarmos em Deus, Ele cumprirá sua Palavra e do pouco sobrará bastante. Conta-se que São Vicente de Paulo ao chegar à cidade em que foi destinado como pároco, assistiu a morte de uma senhora e ficou penalizado por ter deixado sua filhinha de pouca idade. Após o sepultamento perguntou à população bastante pobre, quem tinha mais filhos e apareceu uma mãe com seus quatro filhos. Aí São Vicente entregou a ela a pequena órfã e ele acrescentou, mais ou menos assim: quem tem menos posses e mais filhos, sabe dividir e aceita o novo membro como bênção.
No Evangelho, ao mandar as pessoas se sentarem, Jesus quer dizer que todos são cidadãos livres, já que os escravos não se sentavam para comer. Mais ainda, no projeto de Jesus não ensina primeiro acumular para depois dividir, mas partilhar o que cada um possui, para que todos fiquem saciados.
Esta é a autêntica Eucaristia, o dom de Deus, associado ao esforço das pessoas, em vista da partilha, da fraternidade e da igualdade.
E a Carta de Paulo aos Efésios nos diz que há “um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos”.
Que nosso testemunho de crer no Deus único e verdadeiro no leve a colocar as mãos em nosso bolso e partilhar tudo aquilo que recebemos ou produzimos porque dele tudo recebemos para partilhar, para sermos irmãos.
in news.va
sábado, 28 de julho de 2012
Dos Sermoes do Beato John Henry Newman, presbítero
Há escândalos na Igreja, coisas repreensíveis e vergonhosas; nenhum
católico poderá negá-lo. Ela sempre incorreu na censura e na vergonha de
ser mãe de filhos indignos; ela tem filhos que são bons e tem muitos
mais que são maus. [...] Deus poderia ter instituído uma Igreja pura;
mas previu que o joio semeado pelo inimigo permaneceria com o trigo até à
ceifa, até ao fim do mundo. Afirmou que a Sua Igreja seria semelhante a
uma rede de pescador «que apanha toda a espécie de peixes», que apenas
são separados à noite (Mt 13,47ss). Indo mais longe, declarou que os
maus e os imperfeitos seriam em maior número que os bons, «porque muitos
são os chamados, mas poucos os escolhidos» (Mt 22,14); e o Seu apóstolo
diz que «aqueles que foram reservados segundo a escolha da graça, foram
salvos» (Rm 11,5). Percebe-se assim que, na história e na vida dos
católicos, há sempre muito para servir os interesses dos contraditores.
[...]
Mas não baixamos a cabeça com vergonha, escondendo o rosto entre as mãos: levantamos as mãos e o rosto em direcção ao Redentor. «Assim como os olhos dos servos se fixam na mão dos seus senhores [...], assim também os nossos olhos estão postos no Senhor nosso Deus, até que Ele tenha piedade de nós» (Sl 122,2). [...] Apelamos a Ti, justo juiz, pois és Tu que olhas para nós. Não fazemos caso dos homens enquanto Te tivermos [...], enquanto tivermos a Tua presença nas nossas assembleias, o Teu testemunho e a Tua aprovação no nosso coração.
Mas não baixamos a cabeça com vergonha, escondendo o rosto entre as mãos: levantamos as mãos e o rosto em direcção ao Redentor. «Assim como os olhos dos servos se fixam na mão dos seus senhores [...], assim também os nossos olhos estão postos no Senhor nosso Deus, até que Ele tenha piedade de nós» (Sl 122,2). [...] Apelamos a Ti, justo juiz, pois és Tu que olhas para nós. Não fazemos caso dos homens enquanto Te tivermos [...], enquanto tivermos a Tua presença nas nossas assembleias, o Teu testemunho e a Tua aprovação no nosso coração.
in evangelhoquotidiano.org
sexta-feira, 27 de julho de 2012
De São Pio de Pietrelcina, presbítero capuchinho
Avança com simplicidade nas vias do Senhor e não te preocupes. Odeia os
teus defeitos, sim, mas tranquilamente, sem agitação nem inquietação. Há
que ter paciência e tirar proveito deles com santa humildade. Se não
houver paciência, em lugar de desaparecerem, as tuas imperfeições apenas
crescerão. Pois não há nada que aumente tanto os nossos defeitos como a
inquietação e a obsessão de nos libertarmos deles.
Cultiva a tua vinha de comum acordo com Jesus. Cabe-te a ti a tarefa de retirar as pedras e arrancar os espinhos. A Jesus cabe a de semear, plantar, cultivar e regar. Mas mesmo no teu trabalho, é Ele que actua. Porque sem Cristo não conseguirias fazer nada.
Cultiva a tua vinha de comum acordo com Jesus. Cabe-te a ti a tarefa de retirar as pedras e arrancar os espinhos. A Jesus cabe a de semear, plantar, cultivar e regar. Mas mesmo no teu trabalho, é Ele que actua. Porque sem Cristo não conseguirias fazer nada.
in evangelhoquotidiano.org
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Dos Sermões de São João Damasceno, bispo
Porque estava determinado que de Ana havia de nascer a Virgem Mãe de
Deus, a natureza não ousou preceder o germe da graça; mas para dar o seu
fruto, esperou que a graça produzisse o seu. Convinha, de facto, que
nascesse aquela Primogénita de quem havia de nascer o Primogénito de
toda a criatura, no qual subsistem todas as coisas.
Oh bem-aventurados esposos Joaquim e Ana! Toda a criatura vos está obrigada. Porque foi por vosso intermédio que a criatura ofereceu ao Criador o melhor de todos os dons, isto é, a Virgem Mãe, a única que era digna do Criador.
Alegrai-vos, Ana estéril, que não tínheis filhos; soltai brados de júbilo e alegria, Vós que não dáveis à luz. Exultai, Joaquim, porque da vossa filha nos nasceu um Menino e nos foi dado um Filho e o seu nome será Anjo do grande conselho, de salvação para todo o mundo, Deus forte. Este Menino é Deus.
Oh bem-aventurados esposos, Joaquim e Ana, verdadeiramente sem mancha! Sois conhecidos pelo fruto do vosso ventre, como disse uma vez o Senhor: Pelos seus frutos os conhecereis. Estabelecestes as normas da vossa vida do modo mais agradável a Deus e digno d’Aquela que de vós nasceu. No vosso convívio casto e santo educastes a pérola da virgindade, Aquela que havia de ser virgem antes do parto, virgem no parto e ainda virgem depois do parto; Aquela que, de modo único e excepcional, conservaria sempre a virgindade, tanto na sua mente como na sua alma e no seu corpo.
Oh castíssimos esposos, Joaquim e Ana! Guardando a castidade prescrita pela lei natural, conseguistes alcançar, por graça de Deus, o que excede a natureza, porque gerastes para o mundo a Mãe de Deus, Mãe sem conhecer varão. Levando ao longo da existência humana uma vida piedosa e santa, gerastes uma filha que é superior aos Anjos e agora é rainha dos Anjos.
Ó donzela formosíssima e dulcíssima! Ó Filha de Adão e Mãe de Deus! Bem-aventurado o pai e a mãe que Vos geraram! Bem-aventurados os braços que Vos estreitaram em seu regaço e os lábios que Vos beijaram castamente, isto é, unicamente os de vossos pais, para que sempre e em tudo conservásseis a perfeita virgindade! Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai. Levantai a vossa voz; clamai e não temais.
(Sermão do Nascimento da B. V. Maria, 2.4.5.6: PG 96, 663.667.670) (Sec. VIII)
in Liturgia das Horas
Oh bem-aventurados esposos Joaquim e Ana! Toda a criatura vos está obrigada. Porque foi por vosso intermédio que a criatura ofereceu ao Criador o melhor de todos os dons, isto é, a Virgem Mãe, a única que era digna do Criador.
Alegrai-vos, Ana estéril, que não tínheis filhos; soltai brados de júbilo e alegria, Vós que não dáveis à luz. Exultai, Joaquim, porque da vossa filha nos nasceu um Menino e nos foi dado um Filho e o seu nome será Anjo do grande conselho, de salvação para todo o mundo, Deus forte. Este Menino é Deus.
Oh bem-aventurados esposos, Joaquim e Ana, verdadeiramente sem mancha! Sois conhecidos pelo fruto do vosso ventre, como disse uma vez o Senhor: Pelos seus frutos os conhecereis. Estabelecestes as normas da vossa vida do modo mais agradável a Deus e digno d’Aquela que de vós nasceu. No vosso convívio casto e santo educastes a pérola da virgindade, Aquela que havia de ser virgem antes do parto, virgem no parto e ainda virgem depois do parto; Aquela que, de modo único e excepcional, conservaria sempre a virgindade, tanto na sua mente como na sua alma e no seu corpo.
Oh castíssimos esposos, Joaquim e Ana! Guardando a castidade prescrita pela lei natural, conseguistes alcançar, por graça de Deus, o que excede a natureza, porque gerastes para o mundo a Mãe de Deus, Mãe sem conhecer varão. Levando ao longo da existência humana uma vida piedosa e santa, gerastes uma filha que é superior aos Anjos e agora é rainha dos Anjos.
Ó donzela formosíssima e dulcíssima! Ó Filha de Adão e Mãe de Deus! Bem-aventurado o pai e a mãe que Vos geraram! Bem-aventurados os braços que Vos estreitaram em seu regaço e os lábios que Vos beijaram castamente, isto é, unicamente os de vossos pais, para que sempre e em tudo conservásseis a perfeita virgindade! Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai. Levantai a vossa voz; clamai e não temais.
(Sermão do Nascimento da B. V. Maria, 2.4.5.6: PG 96, 663.667.670) (Sec. VIII)
in Liturgia das Horas
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo, sobre o Evangelho de São Mateus
Os filhos de Zebedeu pedem a Cristo: Concede-nos que nos sentemos, na
tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda. Que lhes responde o
Senhor? Para mostrar que no seu pedido nada havia de espiritual e se
soubessem o que pediam não se teriam atrevido a fazê-lo, responde: Não
sabeis o que pedis, isto é, não sabeis como é grande, admirável e
superior aos próprios poderes celestes aquilo que pedis. Depois
acrescenta: Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber e ser baptizados
com o baptismo com que Eu vou ser baptizado? É como se lhes dissesse:
«Na verdade, vós falais-me de honras e de coroas; mas eu falo-vos de
lutas e suores. Não é este o tempo dos prémios, nem é agora que se há-de
manifestar a minha glória; a vida presente é tempo de morte violenta,
de guerras e de perigos».
E reparai como os atrai e exorta, pela maneira de interrogar. Não lhes pergunta se são capazes de morrer, de derramar o seu sangue; mas pergunta: Podeis beber o cálice – e para os animar acrescenta – que Eu hei-de beber? Assim pensava o Senhor que seriam mais decididos, ao considerarem que se tratava de correr a mesma sorte. E chama à sua paixão «baptismo», para dar a entender que os seus sofrimentos haviam de trazer uma grande purificação para o mundo inteiro. Os dois discípulos respondem: Podemos. Prometem imediatamente, cheios de fervor, sem saber o que dizem, mas com a esperança de virem a alcançar o que pediam.
Que disse então o Senhor? Bebereis o cálice que Eu hei-de beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado. Grandes são os bens que lhes anuncia, isto é: «Sereis dignos de receber o martírio e sofrereis comigo, terminareis a vida com morte violenta e assim participareis na minha paixão. Mas sentar-vos à minha direita e à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo, mas é para aqueles para quem foi preparado por meu Pai». Depois de lhes ter levantado o espírito e de os ter tornado mais perfeitos e capazes de superar o sofrimento, só então corrige a sua petição.
Então os outros dez indignaram-se por causa dos dois irmãos. Vede como todos eles eram imperfeitos, tanto os que procuravam obter precedência sobre os outros dez, como os dez que tinham inveja dos dois. Mas, – como já tive ocasião de vos dizer – observai-os mais tarde e vereis como estão livres de todos estes sentimentos. Este mesmo apóstolo João, que se adianta agora por este motivo, cederá sempre o primeiro lugar a Pedro, quer para usar da palavra quer para fazer milagres, como se lê nos Actos dos Apóstolos. Tiago, porém, não viveu muito mais tempo. Desde o princípio [desde o Pentecostes], ele se deixou arrebatar pelo seu ardor e, pondo de parte toda a aspiração humana, ascendeu a tão inefável altura que depressa recebeu a coroa do martírio.
(Hom. 65, 2-4: PG 58, 619-622) (Sec. IV)
in Liturgia das Horas
E reparai como os atrai e exorta, pela maneira de interrogar. Não lhes pergunta se são capazes de morrer, de derramar o seu sangue; mas pergunta: Podeis beber o cálice – e para os animar acrescenta – que Eu hei-de beber? Assim pensava o Senhor que seriam mais decididos, ao considerarem que se tratava de correr a mesma sorte. E chama à sua paixão «baptismo», para dar a entender que os seus sofrimentos haviam de trazer uma grande purificação para o mundo inteiro. Os dois discípulos respondem: Podemos. Prometem imediatamente, cheios de fervor, sem saber o que dizem, mas com a esperança de virem a alcançar o que pediam.
Que disse então o Senhor? Bebereis o cálice que Eu hei-de beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado. Grandes são os bens que lhes anuncia, isto é: «Sereis dignos de receber o martírio e sofrereis comigo, terminareis a vida com morte violenta e assim participareis na minha paixão. Mas sentar-vos à minha direita e à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo, mas é para aqueles para quem foi preparado por meu Pai». Depois de lhes ter levantado o espírito e de os ter tornado mais perfeitos e capazes de superar o sofrimento, só então corrige a sua petição.
Então os outros dez indignaram-se por causa dos dois irmãos. Vede como todos eles eram imperfeitos, tanto os que procuravam obter precedência sobre os outros dez, como os dez que tinham inveja dos dois. Mas, – como já tive ocasião de vos dizer – observai-os mais tarde e vereis como estão livres de todos estes sentimentos. Este mesmo apóstolo João, que se adianta agora por este motivo, cederá sempre o primeiro lugar a Pedro, quer para usar da palavra quer para fazer milagres, como se lê nos Actos dos Apóstolos. Tiago, porém, não viveu muito mais tempo. Desde o princípio [desde o Pentecostes], ele se deixou arrebatar pelo seu ardor e, pondo de parte toda a aspiração humana, ascendeu a tão inefável altura que depressa recebeu a coroa do martírio.
(Hom. 65, 2-4: PG 58, 619-622) (Sec. IV)
in Liturgia das Horas
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