Este homem que possui cem ovelhas é o Bom Pastor (Jo 10,11), Cristo, que
havia estabelecido todo o rebanho da raça humana numa só ovelha, isto
é, em Adão, a quem colocara num Paraíso de delícias, numa região de
pastagens vivificantes. Mas essa ovelha, confiando nos uivos de lobos,
esqueceu a voz do Pastor e, perdendo-se no caminho que conduz ao redil
da salvação, achou-se toda coberta de feridas mortais. Cristo veio a
este mundo procurar a ovelha perdida e recuperou-a no seio da Virgem.
Ele, que veio até nós nascido da carne, colocou-a depois sobre a cruz e
levou-a aos ombros da Sua Paixão. Então, cheio da alegria da
Ressurreição, ergueu-a, na Sua Ascensão, até às moradas do Céu.
Ele convoca os amigos e vizinhos, isto é, os Anjos, e diz-lhes:
Alegrai-vos Comigo, porque encontrei a Minha ovelha perdida, e os Seus
Anjos rejubilam e exultam com Cristo por causa do regresso da ovelha do
Senhor. Não se irritam por vê-la sentar-se diante deles no trono de
majestade, dado que a inveja não existe no Céu, de onde foi banida com o
diabo, e esse pecado não poderá jamais lá reentrar graças ao Cordeiro
que tira o pecado do mundo (Jo 1,29).
Irmãos, assim nos veio Cristo procurar à Terra. Procuremo-Lo no Céu.
Assim nos levou Ele até à glória da Sua divindade. Levemo-Lo no nosso
corpo com a santidade de toda a nossa vida.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Dos Sermões de Jean Tauler, dominicano de Estrasburgo
Uma vez que a nossa Cabeça subiu aos céus, é conveniente que os Seus
membros (Col 2,19) sigam o seu Chefe [...], passando pelo caminho que
Ele tomou com tanto sofrimento. Pois «não tinha o Messias de sofrer
essas coisas para entrar na Sua glória?» (Lc 24,26). Devemos seguir o
nosso Chefe tão digno de amor, que levou o estandarte à nossa frente.
Que cada homem tome a sua cruz e O siga; e chegaremos onde Ele está.
Vê-se que muitos seguem este mundo a troco de honrarias insignificantes,
e para tal renunciam ao conforto físico, ao seu lar, aos seus amigos,
expondo-se aos perigos da guerra – tudo isto para adquirirem bens
exteriores! É portanto justo que pratiquemos a renúncia total para
adquirir o puro bem que é Deus e que, assim, sigamos o nosso Chefe.
[...]
Não é raro verem-se homens que desejam ser testemunhas do Senhor na paz, isto é, desde que tudo corra de acordo com os seus desejos. Querem muito tornar-se santos, mas sem fadiga, sem aborrecimento, sem dificuldade, sem que lhes custe coisa alguma. Ambicionam conhecer Deus, saboreá-l'O, senti-l'O, mas desde que não haja amargura. Porém, quando é preciso trabalhar, quando chegam até eles a amargura, as trevas e as tentações, quando já não sentem Deus e se sentem desamparados interior e exteriormente, as suas boas intenções desvanecem-se. Não são boas testemunhas, testemunhas adequadas do Salvador. [...] Ah! Pudéssemos nós libertar-nos dessa busca e procurar sempre a paz no próprio cerne da infelicidade! Só aí nasce a verdadeira paz, aquela que permanece.
Não é raro verem-se homens que desejam ser testemunhas do Senhor na paz, isto é, desde que tudo corra de acordo com os seus desejos. Querem muito tornar-se santos, mas sem fadiga, sem aborrecimento, sem dificuldade, sem que lhes custe coisa alguma. Ambicionam conhecer Deus, saboreá-l'O, senti-l'O, mas desde que não haja amargura. Porém, quando é preciso trabalhar, quando chegam até eles a amargura, as trevas e as tentações, quando já não sentem Deus e se sentem desamparados interior e exteriormente, as suas boas intenções desvanecem-se. Não são boas testemunhas, testemunhas adequadas do Salvador. [...] Ah! Pudéssemos nós libertar-nos dessa busca e procurar sempre a paz no próprio cerne da infelicidade! Só aí nasce a verdadeira paz, aquela que permanece.
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terça-feira, 6 de novembro de 2012
Do Didaké
A propósito de Eucaristia, dai graças assim:
Primeiro pelo cálice: Nós Te damos graças, ó Pai, pela santa vinha de David, Teu servo, que nos revelaste por Jesus, Teu Filho.
Glória a Ti pelos séculos!
Depois, pelo pão partido: Nós te damos graças, ó Pai, pela vida e pelo conhecimento que nos revelaste por Jesus, Teu Filho.
Glória a Ti pelos séculos!
Tal como este pão que partimos, trigo outrora disseminado sobre as colinas, foi colhido para ser um só, assim a Tua Igreja seja reunida das extremidades da Terra para o Teu Reino!
Porque a Ti pertencem a glória e o poder pelos séculos!
Depois de estardes saciados, dai graças assim: Nós Te damos graças, ó Pai santo, pelo Teu santo nome que fizeste habitar no nosso coração, pelo conhecimento, pela fé e pela imortalidade que nos revelaste por Jesus, Teu Filho.
Glória a Ti pelos séculos!
Foste Tu, Senhor todo-poderoso, que criaste o universo, para glória do Teu nome; Tu deste em abundância alimento e bebida aos filhos dos homens; mas a nós deste-nos a graça de um alimento espiritual e de uma bebida para a vida eterna
por Jesus, Teu Filho. Acima de tudo, damos-Te graças porque és poderoso.
Glória a ti pelos séculos!
Lembra-Te, Senhor, da Tua Igreja, livra-a do mal e torna-a perfeita no Teu amor.
Reúne-a dos quatro ventos, a essa Igreja santificada, no reino que para ela preparaste.
Porque a Ti pertencem o poder e a glória pelos séculos!
«Que venha o Senhor» (Ap 22,20) e que este mundo passe!
Hossana à Casa de David!
Aquele que é santo, que se aproxime, aquele que o não é, que faça penitência.
«Maranatha!» (1Co 16,22). Amen.
Primeiro pelo cálice: Nós Te damos graças, ó Pai, pela santa vinha de David, Teu servo, que nos revelaste por Jesus, Teu Filho.
Glória a Ti pelos séculos!
Depois, pelo pão partido: Nós te damos graças, ó Pai, pela vida e pelo conhecimento que nos revelaste por Jesus, Teu Filho.
Glória a Ti pelos séculos!
Tal como este pão que partimos, trigo outrora disseminado sobre as colinas, foi colhido para ser um só, assim a Tua Igreja seja reunida das extremidades da Terra para o Teu Reino!
Porque a Ti pertencem a glória e o poder pelos séculos!
Depois de estardes saciados, dai graças assim: Nós Te damos graças, ó Pai santo, pelo Teu santo nome que fizeste habitar no nosso coração, pelo conhecimento, pela fé e pela imortalidade que nos revelaste por Jesus, Teu Filho.
Glória a Ti pelos séculos!
Foste Tu, Senhor todo-poderoso, que criaste o universo, para glória do Teu nome; Tu deste em abundância alimento e bebida aos filhos dos homens; mas a nós deste-nos a graça de um alimento espiritual e de uma bebida para a vida eterna
por Jesus, Teu Filho. Acima de tudo, damos-Te graças porque és poderoso.
Glória a ti pelos séculos!
Lembra-Te, Senhor, da Tua Igreja, livra-a do mal e torna-a perfeita no Teu amor.
Reúne-a dos quatro ventos, a essa Igreja santificada, no reino que para ela preparaste.
Porque a Ti pertencem o poder e a glória pelos séculos!
«Que venha o Senhor» (Ap 22,20) e que este mundo passe!
Hossana à Casa de David!
Aquele que é santo, que se aproxime, aquele que o não é, que faça penitência.
«Maranatha!» (1Co 16,22). Amen.
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domingo, 4 de novembro de 2012
No Domingo XXXI do Tempo Comum
Dos Sermões de São Bernardo, monge cisterciense
Li que Deus é amor (1Jo 4,16) e não que Ele é honra ou dignidade. Não é que Deus não queira ser honrado, visto que disse: «Se Eu sou Pai, onde está a honra que me é devida?» (Ml 1,6). Fala aqui como Pai. Mas, se Se mostrasse como esposo, penso que mudaria o Seu discurso para: «Se Eu sou Esposo, onde está o amor que Me é devido?» Pois já anteriormente tinha dito: «Se Eu sou Senhor, onde está o respeito por Mim?» (ib.) Ele pede pois para ser respeitado como Senhor, honrado como Pai, amado como Esposo.
Desses três sentimentos, qual é o mais valioso? O amor, sem dúvida. Pois sem amor o respeito é árduo e a honra fica sem retribuição. O temor é servil enquanto o amor não o vem validar, e uma honra que não é inspirada no amor não é uma honra, é adulação. Claro que só a Deus são devidas a honra e a glória, mas Deus só as aceita temperadas com o mel do amor.
O amor é auto-suficiente, agrada por si mesmo, é o seu próprio mérito e a sua recompensa. O amor não quer outra causa, outro fruto, senão ele próprio. O seu verdadeiro fruto é ser. Amo porque amo. Amo para amar. [...] De todos os movimentos da alma, de todos os seus sentimentos e afectos, o amor é o único que permite à criatura responder ao seu Criador, senão de igual para igual, pelo menos de semelhante para semelhante (cf Gn 1,26).
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Li que Deus é amor (1Jo 4,16) e não que Ele é honra ou dignidade. Não é que Deus não queira ser honrado, visto que disse: «Se Eu sou Pai, onde está a honra que me é devida?» (Ml 1,6). Fala aqui como Pai. Mas, se Se mostrasse como esposo, penso que mudaria o Seu discurso para: «Se Eu sou Esposo, onde está o amor que Me é devido?» Pois já anteriormente tinha dito: «Se Eu sou Senhor, onde está o respeito por Mim?» (ib.) Ele pede pois para ser respeitado como Senhor, honrado como Pai, amado como Esposo.
Desses três sentimentos, qual é o mais valioso? O amor, sem dúvida. Pois sem amor o respeito é árduo e a honra fica sem retribuição. O temor é servil enquanto o amor não o vem validar, e uma honra que não é inspirada no amor não é uma honra, é adulação. Claro que só a Deus são devidas a honra e a glória, mas Deus só as aceita temperadas com o mel do amor.
O amor é auto-suficiente, agrada por si mesmo, é o seu próprio mérito e a sua recompensa. O amor não quer outra causa, outro fruto, senão ele próprio. O seu verdadeiro fruto é ser. Amo porque amo. Amo para amar. [...] De todos os movimentos da alma, de todos os seus sentimentos e afectos, o amor é o único que permite à criatura responder ao seu Criador, senão de igual para igual, pelo menos de semelhante para semelhante (cf Gn 1,26).
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sábado, 3 de novembro de 2012
De São Pio de Pietrelcina, capuchinho
A humildade é a verdade, e a verdade é que eu sou somente nada.
Portanto, tudo o que é bom em mim vem de Deus. Ora, acontece muitas
vezes que desperdiçamos o que Deus pôs de bom em nós. Quando as pessoas
me perguntam qualquer coisa, acontece-me não pensar no que posso
dar-lhes, mas no que não sou capaz de dar, e consequentemente, tantas
almas permanecem na sua sede, porque eu não tenho sabido transmitir o
dom de Deus.
A ideia de que, em cada dia, o Senhor vem a nós e nos dá tudo deveria tornar-nos humildes. Ora, é o oposto que acontece, porque o demónio faz brotar dentro de nós ataques de orgulho. Isso em nada nos honra. Temos de lutar contra o nosso orgulho. Quando não pudermos mais, paremos um instante e façamos um acto de humildade; então Deus, que ama os corações humildes, virá ao nosso encontro.
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A ideia de que, em cada dia, o Senhor vem a nós e nos dá tudo deveria tornar-nos humildes. Ora, é o oposto que acontece, porque o demónio faz brotar dentro de nós ataques de orgulho. Isso em nada nos honra. Temos de lutar contra o nosso orgulho. Quando não pudermos mais, paremos um instante e façamos um acto de humildade; então Deus, que ama os corações humildes, virá ao nosso encontro.
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos
De Santo Ambrósio, bispo de Milão e doutor da Igreja
Chorem, os que não podem ter a esperança da ressurreição; não é a vontade de Deus que lhes tira essa esperança, mas a dureza daquilo em que acreditam. Tem de haver uma diferença entre os servos de Cristo e os pagãos. Eis o que é essa diferença: estes choram os seus pensando-os mortos para sempre; não podem assim pôr fim às suas lágrimas, não encontram descanso para a tristeza: [...] enquanto para nós, servos de Deus, a morte não é o fim da existência mas o fim da nossa vida. Dado que a nossa existência é restaurada por uma condição melhor, que a chegada da morte nos varra portanto todos os choros. [...]
Quão maior será a nossa consolação, por acreditarmos que as boas acções que fizermos prometem melhores recompensas depois da morte. Os pagãos têm a sua consolação: para eles a morte é um repouso para todos os males. Como pensam que os seus mortos estão privados de fruir a vida, pensam também que ficam privados de toda a faculdade de sentir e libertos da dor das duras e contínuas tribulações que se sofre nesta vida. Mas nós, assim como devemos ter um espírito mais elevado por causa da recompensa esperada, devemos também suportar melhor a dor graças a essa consolação. [...] Os nossos mortos não foram enviados para longe de nós, mas apenas antes de nós – eles a quem a morte não tragará, mas a quem a eternidade receberá.
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Chorem, os que não podem ter a esperança da ressurreição; não é a vontade de Deus que lhes tira essa esperança, mas a dureza daquilo em que acreditam. Tem de haver uma diferença entre os servos de Cristo e os pagãos. Eis o que é essa diferença: estes choram os seus pensando-os mortos para sempre; não podem assim pôr fim às suas lágrimas, não encontram descanso para a tristeza: [...] enquanto para nós, servos de Deus, a morte não é o fim da existência mas o fim da nossa vida. Dado que a nossa existência é restaurada por uma condição melhor, que a chegada da morte nos varra portanto todos os choros. [...]
Quão maior será a nossa consolação, por acreditarmos que as boas acções que fizermos prometem melhores recompensas depois da morte. Os pagãos têm a sua consolação: para eles a morte é um repouso para todos os males. Como pensam que os seus mortos estão privados de fruir a vida, pensam também que ficam privados de toda a faculdade de sentir e libertos da dor das duras e contínuas tribulações que se sofre nesta vida. Mas nós, assim como devemos ter um espírito mais elevado por causa da recompensa esperada, devemos também suportar melhor a dor graças a essa consolação. [...] Os nossos mortos não foram enviados para longe de nós, mas apenas antes de nós – eles a quem a morte não tragará, mas a quem a eternidade receberá.
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Na Solenidade de Todos os Santos
De Santa Teresa do Menino Jesus, religiosa carmelita e doutora da Igreja
A Irmã Maria da Eucaristia queria acender as velas para uma procissão e, como não tinha fósforos, vendo a lamparina que arde diante das relíquias, dela se aproxima mas oh!, encontra-a quase apagada, não lhe restando senão uma pálida luzinha no pavio carbonizado. Apesar disso, consegue acender a sua vela e, a partir dela, as da comunidade toda que, daí a pouco, tinha todas as velas acesas. Foi, pois, esta pequena lamparina, quase extinta, que produziu outras chamas seguras, as quais, por sua vez, puderam produzir uma infinidade doutras e, até, incendiar o universo. No entanto, se quiséssemos determinar a origem desse incêndio, seria preciso reportar-nos sempre àquela minúscula lamparina. Como poderiam então as outras chamas, sabendo disso, gloriar-se de ter causado tamanho incêndio, uma vez que apenas foram acesas por contágio da pequena centelha? [...]
O mesmo se passa com a comunhão dos santos. Sem o sabermos, muitas vezes as graças e as luzes que recebemos ficam a dever-se a uma alma escondida, porque o Deus de bondade quer que os santos comuniquem uns aos outros a graça através da oração, para poderem depois dedicar uns aos outros um grande amor no Céu, um amor muito maior do que o de qualquer família da terra, mesmo a mais perfeita. Quantas vezes pensei que todas as graças que recebi se ficaram a dever à oração que uma qualquer boa alma tenha feito por mim ao Deus de amor, e que só no Céu conhecerei. Sim, uma pequena centelha basta para fazer nascer grandes clarões em toda a Igreja, como doutores e mártires, que ocuparão no Céu um lugar bem acima do dela; mas nem por isso se pode concluir que a glória deles não será também a dela, porque no Céu não haverá olhares indiferentes ─ todos reconhecerão que se devem mutuamente as graças que lhes mereceram essa coroa de glória.
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A Irmã Maria da Eucaristia queria acender as velas para uma procissão e, como não tinha fósforos, vendo a lamparina que arde diante das relíquias, dela se aproxima mas oh!, encontra-a quase apagada, não lhe restando senão uma pálida luzinha no pavio carbonizado. Apesar disso, consegue acender a sua vela e, a partir dela, as da comunidade toda que, daí a pouco, tinha todas as velas acesas. Foi, pois, esta pequena lamparina, quase extinta, que produziu outras chamas seguras, as quais, por sua vez, puderam produzir uma infinidade doutras e, até, incendiar o universo. No entanto, se quiséssemos determinar a origem desse incêndio, seria preciso reportar-nos sempre àquela minúscula lamparina. Como poderiam então as outras chamas, sabendo disso, gloriar-se de ter causado tamanho incêndio, uma vez que apenas foram acesas por contágio da pequena centelha? [...]
O mesmo se passa com a comunhão dos santos. Sem o sabermos, muitas vezes as graças e as luzes que recebemos ficam a dever-se a uma alma escondida, porque o Deus de bondade quer que os santos comuniquem uns aos outros a graça através da oração, para poderem depois dedicar uns aos outros um grande amor no Céu, um amor muito maior do que o de qualquer família da terra, mesmo a mais perfeita. Quantas vezes pensei que todas as graças que recebi se ficaram a dever à oração que uma qualquer boa alma tenha feito por mim ao Deus de amor, e que só no Céu conhecerei. Sim, uma pequena centelha basta para fazer nascer grandes clarões em toda a Igreja, como doutores e mártires, que ocuparão no Céu um lugar bem acima do dela; mas nem por isso se pode concluir que a glória deles não será também a dela, porque no Céu não haverá olhares indiferentes ─ todos reconhecerão que se devem mutuamente as graças que lhes mereceram essa coroa de glória.
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