segunda-feira, 13 de abril de 2009

De 05 a 10 de Abril de 2009

No meio deste tornado que inicia agora os seus primeiros ventos é necessária a consciência e a nossa lucidez, enquanto cidadãos e homens do mundo e do nosso tempo. Porque este é o nosso tempo e temos que vivê-lo, saber aproveitar o melhor e o pior que ele tem.
Para mim é sempre bom poder escrever sobre o que se anda a passar neste mundo, mais que não seja para deixar memória escrita, não vá existir para aí alguém que adultere os factos. Porque isso irá acontecer de certeza. Mas não quero me alongar e ir ao essencial - os factos da semana que passou.
A semana teve o seu inicio com a nova proposta do Partido Socialista de querer criminalizar o enriquecimento ilícito. Mais uma proposta eleitoral e de imagética que outra coisa. O que se espera em ano de eleições?. A ver vamos o que vai dar esta proposta. Talvez mais uma proposta para colocar na gaveta, como tantas outras. Só fachada, caros amigos, só fachada! No entanto, Vitalino Canas, porta-vos do PS lá veio dizer que existem impedimentos constitucionais. Está visto o que esta proposta de enriquecimento ilícito vai dar. Não se pode esperar muito. Sobretudo quando os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres, com a classe média a sofrer duros golpes. Talvez um dia a classe média levante a sua hoste revolucionária e a ver vamos o que acontece em seguida.
Como se não bastasse o Caso Freeport, na continuação da última semana, na medida em que um dirigente do PS fez um ultimato. Na verdade, Ricardo Rodrigues desejaria processos disciplinares para os dois magistrados que estão no processo. Que bela corporação! Todos a protegerem o chefe! Tão bonito estes actos de amizade. Só espero que não se arrependam.
Ao nível internacional são os ecos da Cimeira da NATO que se fazem ecoar pelo mundo em que se ficou a saber afinal que onze países europeus irão reforçar a sua presença militar no Afeganistão com cinco mil soldados em que Portugal poderá estar incluído. Será o último suspiro do Tratado da Aliança do Atlântico Norte? Ou será o principio do fim de uma era. Sinceramente, não percebo, no contexto actual e no estado de situação mundial, o sentido da existência desta instituição. Talvez para continuar a alimentar a fome de guerra para o capitalismo americano necessita para se alimentar. Quanto à presença portuguesa só um único comentário me resta: com tantos problemas que temos por cá e ainda vamos reforçar a nossa presença militar ao serviço dos interesses dos outros. Para os outros temos soluções para nós não... Porque será? Só esperamos que o feitiço não se volte contra o feiticeiro. E já agora, só um alerta: não vamos voltar ao suplício de uma "Guerra Colonial" que dizimou uma boa parte da juventude portuguesa das décadas de 60 e 70. E olhem para o que está a acontecer nos EUA nesta matéria. Basta ouvir e ver as notícias. Ou será que ainda ninguém se deu conta que todos os dias estão morrer jovens norte-americanos e de outras nacionalidades?
No seguimento, com Obama na Turquia, a Coreia do Norte lá colocou uma "garra de fora" lançando um míssil, numa sessão experimental. O que eu desejo é que não esteja a acontecer neste momento a preparação dos países para um possível conflito armado. Mas não podemos pensar nisso. Na minha perspectiva é um pequeno sinal de algo que está para acontecer dentro de breves momentos. E ninguém dá conta.
Pelo país, a nossa tecnologia está a desenvolver um localizador de crianças por GPS. Nas crianças já está, agora falta nos adultos.Mas só o tempo irá julgar esta frase. Além disso, o fisco deixou prescrever37 milhões de correcções ao IVA feitas à banca. E mais uma vez o Estado Português sai lesado por ignorar a proposta da Inspecção Geral das Finanças. Agora o que eu não consigo compreender é a prescrição. Se fôr como na justiça, a prescrição dá muito jeito.
Durante esta semana ficamos com os números da epidemia da gripe que assolou sobre nós neste Inverno passado: entre 1200 a 1500 mortos. Ainda se morre de gripe...
A fuga a penhores continua: o fisco identificou 2270 suspeitas de crime. Que país este onde esta saga ainda continua e ninguém mete cobro a isto. Razão tinha o jornal "El Mundo" em que afirmava aqui à uns anos que eramos o paraíso berluscuniano.
A natureza encarrega-se do resto. o mundo ficou supreendido com o sismo na magnitude de 5,8 (Escala de Richter) que aconteceu em Aquila espalhando a morte e a destruição, arrasando até algumas construções edificadas na Idade Média. É nestes momentos que se deve colocar a mão na consciência e perguntar a nós mesmos para que serve tantas soluções, planos, tantos e tantos pensamentos quando a Mãe-natureza não está dormir. O que andamos nós a criar para o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos? Talvez um grande monstro que pode acordar a qualquer momento. E, sinceramente neste ritmo, não temos que nos preocupar muito. A Mãe-Natureza irá resolver de certeza.
Numa Visita-Surpresa (para os comuns mortais) Obama lá foi visitar o seu exército no Iraque reiterando o empenho dos EUA neste país. Qual Imperador Romano de revista às tropas! Para quem julga que Obama irá retirar do Iraque desengane-se. Outros valores mais altos se levantam.
Pela província nacional, o Governo toma novas medidas eleitoralistas. Os processos de avaliação individual padrão dos professores serão de livre acesso a pais e a outros professores. Quero ver os pais a consultar estes processos e a julgarem os professores dos meninos em praça pública. é uma medida que só descredibiliza a classe docente.
No futebol, o FC Porto continua a fazer figura na Liga dos Campeões, ao empatar com o Manchester United por 2-2. Sinceramente não quero comentar sobre tal facto, pois quero manter a minha imparcialidade, e não quero ferir susceptibilidades desportivas.
As eleições europeias continuam com a loucura socialista. Ficamos a saber que para além de Vital Moreira agora também o homem que estoirou com a Saúde em Portugal estará também nas listas eleitorais. Refiro-me ao Dr. Correia de Campos. Ao que parece o Partido Socialista dá sinais de alguma ansiedade eleitoral que poderá ser prejudicial. Mas como o Partido Socialista tem o dever histórico de defender a democracia portuguesa, tudo fica bem. No CDS-PP nada de especial, estava mais que visto quem era o candidato e pelos vistos não surpreendeu: Nuno Melo, deputado na AR. E basta percebermos que o deputado Nuno Melo, poderia ser uma sombra para o Sr. Paulo Portas dentro do partido. Falta o PSD, PCP e BE apresentarem os seus candidatos que também não deverão surpreender. Há um clima de grande ansiedade eleitoral e provavelmente justificável, devido à descredibilização política que existe actualmente no país. Vivemos hoje no limbo...
A Cimeira da Nato já entoa em Portugal quando tivemos o Sr. Ministro da Defesa a defender o significativo reforço de tropas portuguesas no Afeganistão. Na verdade mais pessoas e bens em nome de não sei o quê. Em nome de uma guerra que só serva para alimentar os imperialismos de alguns. Na verdade um Ocidente que perde a sua identidade diante de um Oriente em expansão.
Além disto, também quero deixar aqui registado o Prémio de Fotografia Bes Photo que foi para fotógrafo Edgar Martins e que foi premiado esta semana que passou.
A semana irá finalizar com o primeiro sinal de ruptura de alguns socialistas a subscreverem um apelo que lança avisos à política do Governo, afirmando que a crise não pode servir para absolver incompetências. Na verdade, que o PS se encontra dividido, é uma evidência, com esta subscrição fica comprovado. Do qual já todos estaríamos à espera. Mas o poder ofusca qualquer rebelião dentro de um partido. No entanto, sempre esperamos para ver quando o PS fôr oposição como ficará. A ver vamos...
Um alerta nunca vem só: está uma praga à venda por todo o país que já causou danos na natureza e ao que parece só o trabalho escolar está a evitar "in extremis" o alastramento da planta infestante. No entanto, a Mãe-Natureza defende-se. No entanto, ela move-se...
Algo que vai sendo evidente nos centros históricos é agora a medida que o Governo irá tomar para acelerar os processos de reabilitação urbana que passará pela venda obrigatória dos proprietários de casas devolutas. Mas será que os proprietários irão nisso? E será que as casas irão ser mesmo reabilitadas? Se fôr como o património histórico-cultural poderemos ficar à espera.
No terminus de mais uma semana que para uns é normal, para os cristãos é uma semana alta será necessário estas palavras.
No mundo que vive hoje um período de incessante procura e de um rumo, é necessário que se encontrem novos modelos, novos líderes, novas pessoas, novas formas de viver e isto passará sem dúvida pelas novas gerações, que são o futuro.
A Páscoa Cristã, só será verdadeira quando essa renovação se fizer à estrada e iniciar o seu caminho. Caso contrário poderemos estar diante de uma sociedade que morreu para si e para os outros.
É necessário que cada religião seja uma luz e não seja poder.
É necessário que se tenha consciência do poder social que tem a religião em religar o Homem à sua essência identitária, para que possa enveredar por um novo rumo.
A Páscoa Cristã só fará sentido quando cada homem (judeu, muçulmano, buda ou hindu ou outra confissão religiosa) encontrar no outro valores como a compaixão, a tolerância, o amor e a amizade entre os povos, apesar das suas diferenças. São esses valores que são transversais a todas as sensibilidades religiosas.
Deste modo, só assim poderemos encontrar um novo rumo, uma nova vida com rumo a uma verdadeira aldeia global. São exemplos de inter-ajuda como vimos em Aquila que teremos de ver mais vezes repetidos (não só em momentos de crise), depois de um sismo que fez 293 mortes.
Este poderá ser um caminho para o Homem no Mundo do Terceiro Milénio.
Este foi, é e será o nosso tempo. Devemos procurar vivê-lo.

Sinais do tempo





Títulos do jornal "Público" de 05 a 10 de Abril de 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

De 29 de Março a 03 de abril de 2009

Os tempos não estão fáceis. Nada fáceis. Na verdade ninguém sabe muito bem por onde vai o caminho.
Ninguém conhece o caminho afinal do mundo nos próximos anos. Sinal disto ficou bem claro nesta Cimeira dos G20. Há um clima de desorientação e sente-se bem no ar. Nas conversas à mesa, com as pessoas...
De facto o ano de 2009 está bastante complicado embora os estados tentem esconder este clima de desorientação. Mas os factos não enganam: Porém, existe uma pergunta que me assmbra a consciência: que dirão os futuros analistas sociais destes factos daqui a cinquenta anos? De uma coisa podemos ter a certeza algo vai mal no mundo. Mas nada está claro. Existe um clima de paz armada sem ninguém se dar conta do que se está a passar. Afinal, ninguém sabe... Desde a falência dos estados de previdência social, desde a falência do neo-liberalismo, há a necessidade emergente de um novo sistema, de um novo modelo de fazer a política, a economia, a sociedade. E esta deverá ser a linha.
Deverá existir um quebrar com as instituições que já não fazem sentido existir. Olhemos por exemplo para instituições como a ONU, ou como a NATO, ou até como a União Europeia que são instituições que durante anos tiveram um objectivo específico, hoje não faz mais sentido se tivermos em linha de conta que o comunismo também faliu. Ainda assim continuam a insistir na existência destas instituições. Na verdade não fazem mais sentido.
Mas gostava de me deter sobrte alguns factos que fizeram a memória desta última semana.
A semana começou com a polémica que está a envolver a construção do novo museu dos coches em Lisboa. Na verdade fará sentido existir um novo museu dos Coches? Na minha perspectiva tudo o que seja perservação da memória penso que faz todo o sentido, se bem que existem outros problemas que temos ao nível da cultura em Portugal bem mais sérios que este caso. No entanto, não poderemos ser reaccionários à mudança.
No futebol (o desporto das massas), Portugal empatou contra a Suécia ficando mais longe da sua qulificação para o Mundial 2010. Na verdade, uma equipa que precisa de encontrar um novo rumo depois de Luis Filipe Scolari.
E volta de novo o Caso Freeport a assombrar os céus políticos de Portugal desta vez com acusações de pressões sobre magistrados que atingem níveis incomportáveis, segundo o recém-eleito presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. O que eu acho inconcebível é como é que estas informações chegam a público e continuam a chegar. Não percebo.
A semana prossegue com um caso de espionagem em que ao que parece uma ciber-rede com bases na China infiltrou-se nos computadores dos serviços de inteligência de 103 países, incluindo Portrugal. A pergunta que se levanta e necessária é esta: se os serviços de inteligência deixam isto acontecer, então o que acontecerá cá fora. cada vez mais percebo as figas de informação.
Mais um sinal do tempo que mais parece uma notícia com mais de oitenta anos: no Índico, a Ilha de Mayotte disse "sim" à integração total na França. Na verdade compreende-se este "sim" Á integração num contexto de crise. Fica-se com a sensação que estamos sobre momentos de um neo-colonialismo.
Porém, no nosso rectângulo nacional, o Ministério das Finanças irá fiscalizar os pagamentos aos gestores. A ver vamos em que fica esta fscalização. Desejo que não seja uma medida eleitoralista.
Depois das acusações proferidas pelo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, os magistrados recorreram ao Presidente da República para falar sobre as pressões na investigação do Freeport, ignorando o Procurador - Geral da República. Mas afinal há ou não pressões sobre os magistrados? Esclareçam isto, porque ninguém percebe.
Ainda estamos em Março e já arderam 10 mil hectares de floresta este ano, dois terços de 2008. Imagino quando quando chegarmos a Junho, Julho, Agosto e Setembro. Percebe-se quando se vê garndes extensões de matas que não estão limpas, nem cuidadas. É a pobreza deste país.
Porque o desporto não é só futebol. No Ténis Frederico Gil, escreveu mais uma página na história do desporto em Portugal, em que deu luta a Rafael Nadal, o melhor do mundo. Mas acabou por perder por 2-0.
Na semana que entramos em Abril, entramos com o PGR a questionar um ex-membro do Governo de Guterres sobre pressões no caso Freeport e, em que o PGR confirma Lopes Mota como principal suspeito no caso. No entanto a resposta continua sem ser dada. Hà ou não pressões sobre os magistrados?
O inicio deste mês de Abril ficará na história com a Cimeira dos G20, em Londres, para resolver a crise em que Barak Obama jogou a sua liderança da América no mundo. Na verdade, a dúvida paira: é Obama, afinal, o D. Sebastião, o Messias, Jesus Cristo, Maomé, o escolhido de Deus para salvar o mundo desta crise? Não se coloque muitas expectativas...
Porém, a burocracia dá a volta à cabeça dos portugueses e a falta de declarações de IRS fizeram o Estado notificar 120 mil contribuintes. Em Portugal ao que parece ainda se continua a não respeitar prazos, a fugir ao fisco e por aí fora... (e o filme continua). É o país da liberdade, fraternidade e igualdade à boa moda berluscuniana.
E o caso Freeport continua a mexer em que o PGR desta vez tentou uma saída negociada para o caso das pressões, mas sem sucesso pois a pergunta continua sem resposta: há ou não pressões sobre os magistrados?
Além disto, semana em que o Governo isentou as filiais internacionais dos bancos. O diploma era de 2006, e note-se, só agora é que é criticado pela Inspecção Geral de Finanças. O que andaria a Inspecção Geral de Finanças a fazer durante 2006? Provavelmente não soube do dito diploma...
No final da semana sabe-se afinal que as pressões sobre os magistrados poderão dar inquérito: Afinal, já dá inquérito!!! E agora a pergunta transforma-se em duas: afinal há ou não pressões sobre magistrados? E de onde vêm as fugas de informação para matéria tão delicada ao Estado Português? Se afinal, vai ser aberto um inquérito é porque algo de grave aconteceu. E em política, o que parece é.
Mais um joguinho de interesses e conveniências, que não se percebe. A Espanha pediu ajuda sobre um amigo libanês de Dias Loureiro, mas parece que esta não obteve resposta. Afinal o que se passou???
Depois dos protestos que deixaram a cidade de Londres citiada antes da Cimeira dos G20, os líderes chegaram a acordo e até acreditam no fim da crise mundial. Mais uns biliões de dólares quenão se sabe de onde vêm, nem para onde vão e com umas novas regras que deixam no ar algo que sabe muito a pouco: umas novas regras de fiscalização de bancos e paraísos fiscais.
No final da Cimeira dos G20 e no inicio da Ciemira da NATO, em Estrasburgo, o Mundo, Portugal procuram um novo rumo às portas da Páscoa de 2009.
Afinal, nesta encruzuilhada mundial, qual o caminho?

Sinais do tempo



Títulos do Jornal "Público" de 29/03 a 03/04 de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Para meio entendedor

Meus caros:

Há momentos na vida de um homem que é necessária prudência, muita prudência. Existe por aí muita gente que me acusa de falar na ambiguidade dos termos e não ser mais directo nos termos que utilizo por aqui. Mas percebo esse tipo de comentários... Que se espera de uma sociedade que vive para o sensacionalismo e para a superficialidade das coisas do Mundo.
Mais directo do que aquilo que sou aqui neste blog não posso ser. A não ser que exista por aí uma doença que se chama alienação e ignorância.
Compreende-se e eu compreendo muito bem. Às vezes quando não se quer a ver a verdade é preferível falar do supérfluo e do que não interessa. Custa menos...
Nunca quis que este blog fosse para alimentar sensacionalismos, nem conversas supérfluas. Não é para isso que este blog serve. Porque toda a tgente percebe onde quero chegar em certos e determinados artigos que aui publico.
Além disso, existe também quem me acuse de conspirador, pseudo-político, pseudo-intelectual. Sinceramente é para o lado que durmo melhor. Eu percebo o que querem... Não sou carne para canhão, nem alimento conversas de trazer por casa, porque essas dispenso...
Nunca gostei de falar daquilo que não sei, nunca gostei de alimentar boatos. No entanto, há uma verdade incontestável: contra factos, não há argumentos.

Quem quiser entender, que entenda!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Chegou o tempo

Finalmente!
Estão a chegar os tempos...
Os tempos que temos de ser fortes...
Os tempos que temos de estar unidos...
Os tempos que não podemos dormir...

Chegaram os tempos de que tanto falamos...

Chegaram os tempos!

E ainda ninguém sentiu que chegou...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Deus o que é de Deus e aos homens o que é dos homens

Caros amigos:

Tenho alguma dificuldade em falar do assunto que hoje trago aqui a praça pública. Na verdade, o assunto é de uma extrema complexidade para ser falado tão levianamente.

Ora então lá vai...

Durante esta semana, ficámos a saber afinal a posição da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) face ao casamento homossexual. A verdade é que já sabíamos a sua posição...

No entanto quero deixar aqui duas notas que merecem a reflexão de qualquer cidadão, católico ou não, crente e não crente...

A primeira nota é esta: O tempo que os Senhores Bispos de Portugal andam preocupados com a questão do casamento gay, porque é que não se preocupam com questões internas da própria Igreja e que se travam sobretudo ao nível da vivência da espiritualidade e da religiosidade das pessoas? Até porque ao que me parece não andamos a atravessar um tempo muito fácil para as coisas da fé. As pessoas (e os católicos sobretudo) não precisam de saber qual é a posição da CEP face ao casamento gay, até porque as pessoas têm ideias muito bem definidas acerca deste tema. As pessoas precisam de saber é qual é a posição dos Senhores Bispos face àquilo que se passa na Igreja em Portugal. Desde a perda de fiéis, crise vocacional e por aí fora...
Preocupem-se com os jovens que não têm emprego e que a religião tem uma função social. Preocupem-se com tantos e tantos que neste momento enfrentam o despedimento, o desemprego.
Preocupem-se com tantos e tantos que neste momento estão a pedir esmolas nas ruas (alguns são jovens licenciados). É com esta gente que a religião tem de ouvir e estar presente.
Agora se são contra o casamento gay, ou a favor??? As pessoas não querem saber disso meus caros...
Mais uma vez a Igreja a dar sinais que algo vai mal na sua estrutura...

A segunda nota: como cristão católico apostólico romano afirmo aqui: as celebrações eucarísticas não são para ser transformadas em comícios políticos, como no tempo do Verão Quente...
As pessoas quando vão à missa não vão à espera disso, antes pelo contrário. Vão para ter paz, serenidade e viver a sua fé juntamente com a sua comunidade. Agora não transformem as celebrações eucarísticas em comícios reaccionários, de uma Igreja que já não manda e que perdeu influência.
A Igreja preocupe-se com a fé e a vivência da espiritualidade dos fiéis. Deixe as questões mundanas para os homens. Ou querem que vos cite textos bíblicos quanto a isto?
Só uma citação: "A Deus o que é de Deus, e aos homens o que é dos homens".

Afinal, onde andam todos aqueles que em 1974 e nos anos seguintes proclamavam o comunismo-católico? (Ou era de conveniência dar uma de comunista, quando no fundo compactuavam outras ideologias?)

Quanto ao casamento gay, as pessoas têm ideias muito bem definidas quanto a esta matéria.

Qualquer católico cristão apostólico romano tem o direito de exigir muito mais desta Igreja. Sobretudo saber o que pensa ela fazer com a crise que neste momento está instalada.
As pessoas precisam de uma mão...

Cristo nunca recusou a sua mão aos outros. Neste sentido se o casamento gay é aprovado ou não isso não poderá ser preocupação para a Igreja. Até porque os católicos sabem muito bem e têm uma posição muito bem definida nessa matéria. Até porque qualquer católico formado sabe muito bem que o casamento religioso gay vai contra a doutrina católica.
Os católicos necessitam de outras coisas. Por exemplo, necessitam de saber e ser formados civicamente a integrar os casais homossexuais na sua igreja, na sua comunidade católica. Mas os exemplos deverão de vir de cima...

Enfim, "A Deus o que é de Deus e aos homens o que é dos homens..."

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A minoria católica?

Das 4400 paróquias da Igreja Católica Portuguesa, à volta de um quarto (1100) não têm pároco residente. A situação é pior no Norte, onde a população foi sempre mais devota, do que no Sul, onde, pelo menos desde o século XIX, ela sempre tendeu para uma certa indiferença. A falta de párocos faz com que muitos deles sejam encarregados de cinco ou seis paróquias, correndo de um lado para o outro sem, forçosamente, dar muita atenção a ninguém.
Segundo o Diário de Notícias, em alguns sítios já se pensa mesmo em usar a Net. E com frequência os leigos tratam eles próprios das celebrações de Domingo (excepto da missa, como é óbvio). Ainda por cima, a idade e a doença limitam a actividade e a presença de muitos párocos residentes, que não podem ser substituídos.
Pouco a pouco, a Igreja vai desaparecendo do terreno no interior do país como, por outras razões, desapareceu das cidades do litoral. O padre da província, que era o centro da comunidade, o conselheiro, o guia, e frequentemente, a influência política decisiva deixou de existir. "As Pupilas do Sr. Reitor" e "O Crime do Pe. Amaro" pertencem agora a um mundo morto, como o clero militante que criou Salazar e até 1980 ainda se via fulminando o "marxismo" (pseudónimo do PS e do PC) e pedindo o voto na Aliança Democrática. Em balanço, Portugal não ganhou muito com isso. Embora inimiga irreconciliável do jacobino e do comunista -e, pior ainda, da liberdade - a, Igreja trazia uma vida a uma vida local melancólica e estéril uma certa forma e uma certa regra, que a "modernização" acabou por liquidar.
A chamada "crise de vocações" reflecte a nova riqueza, que por cá começou e chegar em 1960, e a genérica tolerância democrática que depois se estabeleceu. O seminário perdeu o extraordinário privilégio de ser o único caminho de promoção social. O padre perdeu o prestígio. E a Igreja perdeu o monopólio ideológico. Quem ia agora aceitar o sacrifício de si mesmo, quando se abriam oportunidades como nunca antes? Quem ia escolher a obscuridade e a renúncia, em nome de uma fé e moral, que cada vez menos gente respeitava ou seguia? O Papa Ratzinger imagina a Igreja do futuro como uma pequena minoria ignorada ou perseguida, à margem da ortodoxia do século. Provavelmente, não se engana. A julgar pelo que se passa, em Portugal, esse grande exílio não está longe.

in "Público" 08/02/2009 - Vasco Pulido Valente

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Várias religiões, uma religião

Caros amigos:

Mais uns apontamentos para colocar a pensar...

No outro dia surgiu a praça pública as palvaras (tiradas de contexto) do Sr. Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Que passo a citá-las para os mais esquecidos: "As raparigas que se casem com muçulmanos estão metidas numa carga de trabalhos."
Sinceramento acredito (e tenho autoridade suficiente para o dizer) o Sr. D. José Policarpo, não quis nunca deitar lenha para a fogueira. Quem pensa isso não tem noção do que é a religião.
A religião não é uma moda, não é política, não é dinheiro, não é para ser usada. A religião é para ser vivida.
Nenhuma religião procura a guerra ou os interesses.
Não acredito que o islão seja uma religião de guerra como querem para aí vender.
O que existe para o islão, existe para o cristianismo, hinduísmo, budismo.
Hoje existe uma campanha anti-religiosa, contra o espiritual. Querem fazer afastar o Homem do seu caminho espiritual e arrastá-lo para o caminho da matéria.
Andam todos muito preocupados com Direitos Humanos lá para as bandas do Oriente. Alguém já viu o que se passa aqui no Ocidente?
Quanto e quantos ainda não morrem de fome, estão na pobreza?
Alguém já perguntou às mulheres muçulmanas se gostam ou não gostam da burka?
E aqui, no ocidente, já viram quantas e quantas mulheres são maltratadas e ninguém diz nada? ninguém denuncia?
Não me venham essa cambada de jornalistas formatados pelo sistema, que de religião não percebem nada, retirar frases de contexto e só querem instalar o caos.
Digo isto, pois não tem sido só o Cardeal-Patriarca fustigado com isto.
Há muito tempo que defendo uma lei para regular a imprensa. Não é agora porque tenho ódio a alguém ou quero ganhar uns dinheiros a mais que difamo alguém. Onde está afinal o Código Deontológico dos Jornalistas? Que raio de formação tem eles nas universidades?
A religião defende a compaixão, a tolerância, a paz, o amor, a amizade. Não defende a guerra, a não ser que outros interesses ou outras forças o queiram defender, mas esses de espiritual e religioso não têm nada. Aliás não têm mesmo nada na cabeça.
Se de facto querem tolerância religiosa, aprendam através das diferenças de uns e de outros.
A tolerância só existirá de facto na Terra quando soubermos lidar com as diferenças de uns e de outros.
E não é a descarregar os nossos ódios pessoais nos da frente que chegamos lá.
É no nosso dia-a-dia... uns com os outros.

Pensem nisto, pelo menos...