terça-feira, 31 de maio de 2016

Terça-feira da IX Semana do Tempo Comum

“Bendita és tu.” Na Festa da Visitação de Nossa Senhora e final do mês de Maio, mês dedicado em especial à Mãe de Deus, deixo-vos com esta bela peça de Ennio Morricone que ficou célebre pelo filme “A Missão”.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Segunda-feira da IX Semana do Tempo Comum

“A pedra rejeitada.” Deus está connosco. E nós estamos com Deus? Fazemos de Deus o centro de toda a nossa vida? A caminhar perfeitamente às escuras, num mundo em que cada vez mais nos apaga as luzes da nossa existência e que nos quer formatar com as formas de um sistema que cada vez mais se percebe a sua ruína. A Europa é hoje uma sociedade que perdeu a sua identidade. Perdeu a sua identidade porque esqueceu as suas raízes. As raízes da Europa foram plantadas com a semente do Cristianismo. Durante algum tempo estive na América Latina e fiquei vislumbrado com o que por lá presenciei. Percebi que a Europa, e até eu, europeu, me confesso, tantas e tantas coisas que já me tinha esquecido. Sim, meus caros e minhas caras, está na hora da Europa fazer um “mea culpa”, e olhar para os ventos que emergem de África, das Américas, da Ásia. Neste caminho a Europa mais tarde ou mais cedo terá que ser recristianizada, por quem ela própria cristianizou, e isso será um grande acto de humildade e simplicidade que o continente europeu poderá dar ao mundo. Diria mesmo um testemunho cristão, para se voltar de novo a erguer. A Europa necessita de cair do seu cavalo para mergulhar nesta Fonte de água viva. É neste sentido como bem entendo o Papa Francisco e por isso continuo a dizer que ele nada disse até agora de novo, porque em boa verdade fomos nós, sociedade europeia. Falamos em “Nova Evangelização”, mas a “Nova Evangelização” é direccionada para Europa, porque o que se assiste em África, Américas, Oceânia e Ásia é sinal da presença viva de Nosso Mestre e Senhor. A Europa está a ruir, às suas próprias mãos, e por isso seria mais que tempo que os cristãos europeus soubessem ler os sinais dos tempos e deixassem cair a sua soberba e a sua arrogância, porque o centro de influência mundial cristão deixou de ser a Europa e estamos diante de um Cristianismo à escala global. É por isso um tempo não para ficarmos no pessimismo, mas pensarmos novos modelos e novas formas de anúncio e novas linguagens, sem que seja colocado em causa o Evangelho do Nosso Mestre e Senhor.

jjmiguel

domingo, 29 de maio de 2016

No IX Domingo do Tempo Comum

“Mas diz uma palavra e o meu servo será curado.” O relato do evangelista Lucas é precioso e todo ele está mergulhado no sentimento da esperança. O centurião romano buscava curar o seu servo que estava doente. Neste centurião estamos nós que buscamos a paz e a serenidade para os nossos conflitos interiores. Com certeza que a resposta está em Jesus. A quem buscamos? Ele tem palavras de vida eterna. E nós temos sede de vida. Notai a fé deste centurião. Na verdade ele não queria que Jesus fosse a sua casa, pois bastava-lhe a palavra de Jesus para que o seu servo fosse curado. O centurião tinha consciência da sua fragilidade, em bom rigor tinha vergonha do seu pecado e da sua miséria, e por isso não queria que o Deus da Vida entrasse na sua casa, mas percebe que só este Deus pode derramar sobre ele a Sua graça. Foi exactamente para os débeis e frágeis que Deus se fez um de nós, tornando-se também Ele frágil como nós. Em profundidade é a fé que nos move, que nos faz acreditar que tudo é possível na vida em Deus. Por outro lado, é o Amor que é gerador desta vida, desta esperança. Jesus é a nossa esperança. Depositamos em muitas coisas a nossa esperança, mas esquecemos de colocar totalmente a nossa esperança Naquele que é a Luz, a Paz, a Justiça, a Alegria. Jesus bem sabia o que este centurião e o seu servo necessitavam. Jesus entra pelas nossas casas, ausculta bem o nosso interior e sabe bem do que necessitamos. Por isso é necessário que estejamos de coração aberto à Sua altíssima vontade e só Nele nos possamos confortar quando fazemos as experiências de deserto. Quando o caminho da nossa vida atravessa a noite-escura. Mas da noite, vem o dia, da morte, surge a vida, e por isso a nossa vida cristã terá que ser esperança centrada em Jesus Cristo. Não deixemos que as vozes do mundo nos mergulhem em verborreias, quando um só Verbo é eficaz. O Verbo que se fez carne e habitou entre nós.

jjmiguel

sábado, 28 de maio de 2016

Vou fazer-vos só uma pergunta

“O batismo de João era do Céu ou dos homens?” O evangelho de hoje levou-me para uma questão que me parece pertinente para nossa reflexão pessoal. Desde o inicio do pontificado de Francisco temos sido bombardeados com afirmações tanto na imprensa como na Internet de que o Papa Francisco é um papa reformador, que o Papa Francisco é que é bom, que com o Papa Francisco é que a Igreja vai mudar. Estando em causa o pontificado do Papa Bento XVI e outros pontificados, também eles significativos na história da Igreja. Proferir certas afirmações acerca do Papa Francisco e do seu papel reformador na Igreja é esquecer outros pontificados bem mais reformadores e estou-me a lembrar por exemplo de João XXIII, ou de Leão XIII. O desconhecimento da História é terrível! Pergunto, mas afinal qual é a mudança que se quer na Igreja? A Igreja não muda, porque não há nada para mudar. A Igreja permanece a fiel depositária do Evangelho do Nosso Mestre e Senhor e a isso terá de ser fiel. Além disso, para quem acha que o Papa Francisco trouxe alguma coisa de novo para a Igreja, eu simplesmente responderei que nada trouxe de novo, porque basicamente o Papa Francisco tem-se baseado firmemente na mensagem evangélica, porque a Igreja é Evangelho. Caríssimos e caríssimas, não é o Papa Francisco e a Igreja que necessita de mudança somos nós que necessitamos de mudar. O que o Papa Francisco tem falado, já Bento XVI, João Paulo II e outros tantos antecessores na cadeira de Pedro o disseram. Não há papas verdadeiros, nem papas legítimos ou ilegítimos, porque todos se firmam nas palavras de Jesus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra firmarei a minha Igreja.” Claro está, que o Papa Francisco é o legítimo sucessor de Pedro, como foi Bento XVI ou João Paulo II. Não há confusão, nem separação. A Igreja não é uma instituição de partidos conservadores e progressistas. Podemos discutir a forma de sentir de cada um dos sucessores de Pedro, mas perder tempo em discussões de “lana caprina” é desfocar do papel fundamental da Igreja – anunciar o Evangelho a todos os povos. Aliás, a Igreja e o seu papel no mundo vai muito além dessas discussões de corredor. Além disso, o Papa Francisco não tem firmado nada que tenha mudado a doutrina. Os recasados não podem comungar; a Igreja é contra o aborto; a Igreja é contra a eutanásia; o celibato sacerdotal continua; o papel das mulheres na Igreja é o que conhecemos e bem que fazem esse papel – diria um verdadeiro sacerdócio; a Igreja é contra a pedofilia e o casamento homossexual, além de ser contra tudo o que é lei que coloque em causa a vida humana. E nada disto irá mudar! O Papa Francisco tem aberto portas a outra coisa que nós estamos esquecidos: ao Amor! O Papa Francisco tem aberto portas ao Amor, ao acolhimento e nada mais que isso. A Igreja e os cristãos devem ser por isso sinal do Amor fraterno, do acolhimento e da misericórdia de Deus. Não será isso sinal da presença de Deus no Mundo? Tudo o resto o que se diz por aí é mera ignorância e especulação de uma imprensa que quer provocar o sensacionalismo. Deixo-vos uma pergunta: qual dos sucessores de Pedro é mais legítimo? Não se desvie as atenções do essencial: Jesus Cristo!

jjmiguel

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Será chamada casa de oração

“Temiam Jesus.” Os príncipes dos sacerdotes e os escribas do templo temiam Jesus. E porquê? Porque Jesus confrontava, afrontava o sistema instituído. As suas palavras eram fogo que fazia explodir com todos os padrões sociais da época. Assim também terão que ser os cristãos... Não podemos calar perante ideologias que procuram trazer a desordem e a anarquia. Está no ar uma certa inércia e alienação perante tamanhas afrontas que vão contra todas as leis naturais da vida. Tomo as palavras de Sua Eminência, o Card. Clemente de Lisboa: “Se as pessoas não podem ter filhos, há outra maneira de exercerem esse gosto que têm. Há muita criança por adoptar, há muita causa que precisa também de ser adoptada. Estar a contrariar aquilo que é o desenvolvimento natural do ser humano e a separar as duas fases e afastar esse ser que cresce no ventre de uma mãe para outra pertença abusivamente é muito errado, é um contra-senso civilizacional.” Perante a legislação aprovada pelo Parlamento português por estes dias, está evidente mais uma golpada do poder à estrutura familiar. Tenho conhecimento de famílias que procuram adoptar uma criança e chegam a levar dez anos para que a possam adoptar, devido a processos burocráticos. Bem como outros casos que se torna um verdadeiro problema a quem deseja e procura erguer uma Família. Porém, a sociedade opta pelo mais fácil. Aprovam-se e financiam-se abortos e agora aprovam-se “barrigas de aluguer”. Mas o que faz o Estado para promover políticas de planeamento familiar e de incentivo à natalidade? Será com abortos? Será com “barrigas de aluguer”? Há quem ache que isto tudo é um sinal colossal de modernismo e progresso... A História julgará este modernismo e progressismo. Da minha parte poderão aprovar e criar as leis que quiserem, mas nunca poderão alterar a lei natural a que todos nós, humanos, estamos submetidos. É por isso que Jesus Cristo é temido, porque as suas palavras não estão com poderes e ideologias instituídas. As suas palavras estão direccionadas para o Homem enquanto tal e por isso também convinha aos estados terem no seu centro o Homem e seu bem-comum. É por isso que os cristãos não podem cair em poderes instituídos e em políticas facilitistas, mas políticas que sirvam o bem-comum. Precisamente os cristãos são convocados e chamados a levarem nos seus ambientes a ordem e o progresso desejados e que sirva o bem da comunidade.

jjmiguel

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

“Mandai-os sentar.” Nesta solenidade somos convocados a sentar-nos à Mesa da Vida e a comungar deste Pão e deste Vinho que são Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Em cada Eucaristia, em cada Missa, actualizamos a Paixão, a Morte e a Ressurreição do Senhor. “Fazei isto em memória de Mim...” diz-nos o Senhor! Durante um retiro espiritual que tive o prazer de realizar, durante uma das meditações fui confrontado com a denúncia de casos de algumas pessoas que se apresentam à comunhão (dizem-se cristãos...) e guardam a hóstia consagrada para os actos mais hediondos e escabrosos que possamos pensar. O pregador, fez questão de relatar alguns casos como exemplo, mas não vou descrever aqui para não chocar quem possa ser mais sensível. Sinceramente, fiquei chocado perguntava-me como é possível tal coisa em pleno séc. XXI e como é possível isto acontecer pelas mãos de cristãos batizados em alguns dos casos? O Pão e o Vinho são Corpo e Sangue de Jesus Cristo pelo sacramento da Eucaristia pelas mãos do sacerdote. Por isso estamos a falar de algo muito sério. Não podemos banalizar o que é Sagrado. Vivemos hoje uma total e completa banalização do Sagrado, resultado de uma sociedade pós-moderna secularizada. O que é Sagrado é sagrado e merece respeito. Por isso, não percebo como muitas vezes são tratados os objectos litúrgicos, não percebo porque se banaliza o papel e a função sacerdotal! Deixámos de ter a noção do símbolo. O simbolo religa-nos, faz-nos transcender, faz-nos penetrar no mistério de nós mesmos e por isso nos identificamos, e é por isso que é símbolo. Concordaria se a Santa Sé declarasse obrigatório o uso do hábito eclesiástico, fosse de que forma fosse. O sacerdote é um homem do sagrado e vive para o sagrado e deve demonstrar e não ter vergonha de ser sinal do sagrado no mundo. A sua vida é de Deus e para Deus. Assim como o hábito eclesiástico não é usado para impôr autoridade, nem muito menos para ser reconhecido, nem muito menos por vaidade. O hábito eclesiástico é usado em qualquer circunstância da vida do sacerdote, esteja onde estiver, porque o sacerdote vive Deus na sua vida, vive o sagrado. Ele deve inspirar e expirar do sagrado. Porém, não quero entrar em discussão nessas discussões que muito frequentemente animam muitas conversas clericais. Porém, digo e reitero, as pessoas têm necessidade de simbolos e de se identificar com o que lhes possa dar sentido. O Pão e o Vinho, são muito mais que símbolos do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, ou um faz de conta (como já ouvi numa catequese), são a presença real de Jesus Cristo no meio do Mundo. Além disso, damos muita importância ao acontecimento eucarístico, mas pouca importância ao acontecimento da proclamação da Palavra. A Palavra também deve ser para nós comunhão. Também dela nos devemos alimentar e muitas vezes muito pouca importância lhe damos. Tudo na Eucaristia é Vida e Luz. Penetrar no mistério eucaristico é deixarmo-nos mergulhar no Deus que faz parte da nossa história, fazendo-se um de nós e deixando-nos um memorial que em cada Eucaristia actualizamos à luz da nossa vida. Por isso, a Eucaristia, tal como a Palavra é viva, eficaz e actual e não meros teatros do passado. 

jjmiguel

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo

“Bebereis do cálice.” Estamos a dispostos a beber do mesmo cálice de Jesus? Como cristãos assumimos na nossa vida a vida de Jesus? Os cristãos devem ser imitadores de Cristo até na Paixão, Morte e Ressurreição. Por isso, os discípulos são chamados ao serviço na caridade do Outro no nosso irmão. Os cristãos não são chamados a ficar nas suas conchas e muito menos a viverem permanentemente em sacristias balofas. A alegria do Evangelho deve ser espelhada em cada rosto cristão. Por isso é necessário testemunho. Os cristãos católicos em Portugal estão a ser confrontados com algumas situações que deverão merecer a nossa atenção. Falo neste momento da legislação que está para seguir em relação aos colégios privados. Não irei discutir as questões de financiamento, nem outras matérias. Será necessário dizer que uma boa fatia dos colégios privados em Portugal estão na posse da Igreja. Se esta questão não é uma afronta à Igreja Católica, então o que é? Por outro lado, os pais, responsáveis pela educação dos seus filhos, se de facto têm possibilidades para colocar os seus filhos em colégios privados, porque é que não o hão-de fazer? E se são colégios católicos, porque é que os pais não poderão usufruir dessa educação e desses valores para os seus filhos? Ora, se os pais, em muitos dos casos colocam os filhos em colégios privados, seria justo perguntar-se como anda o ensino público em Portugal? Ao que tenho conhecimento é uma vergonha. Basta perguntar a quem circula pelas escolas públicas, porém ressalvar que existem parcas excepções. O Estado é laico, mas não obriguem as pessoas a serem laicas, isso é retirar a liberdade. Impressionante como ideologias que profetizam a liberdade, e em matérias de liberdade religiosa tomam estas atitudes. Os católicos andam calados demais. Falar de educação é falar de família. O que tem feito o Estado em prol da família? Desestruturá-la, claro está... Oxalá o feitiço não se volte contra o feiticeiro!

jjmiguel